9 de fevereiro de 2018

Memórias da Princesa: os diários de Carrie Fisher • BOOK REVIEW

Sobre o que é?
Memórias da Princesa: os diários de Carrie Fisher tem um título quase autoexplicativo, pois trata dos diários que a atriz escreveu durante o período em que estava gravando o primeiro filme da franquia Star Wars, em 1976, quando tinha 19 anos. Logo no início, Carrie já avisa que não tem certeza sobre todos os fatos registrados nos diários, tanto por conta da passagem do tempo, quanto pela quantidade de álcool e drogas que consumiu na época. Com o intuito de contextualizar e de apresentar ao leitor que talvez não saiba quem ela é, Carrie discorre um pouco sobre sua família e criação pouco convencionais - ela era filha de Debbie Reynolds e Eddie Fisher, astros da Era de Ouro de Hollywood -, tendo os holofotes como parte de sua vida desde muito pequena e como lidar com isso sempre foi muito difícil, já que ela não gostava da exposição decorrente da fama. O escândalo envolvendo o divórcio bastante público de seus pais também é um assunto no qual ela toca, deixando claro que não tinha uma boa relação com ambos, principalmente seu pai.

Sem sombra de dúvidas, o destaque maior fica para os trechos em que ela fala sobre o breve romance que manteve com Harrison Ford - fato que até então, não havia sido revelado -, casado na época e muitos anos mais velho. Ela chega, inclusive, a recordar que o relacionamento era tão perturbador que foi a principal razão para que mantivesse os diários, que funcionavam como uma válvula de escape para toda a loucura que estava acontecendo em sua vida.

O que eu mais gostei?
Com certeza, a oportunidade de saber um pouco mais sobre Carrie a partir de informações que a mesma decidiu compartilhar. Apesar de o foco principal ficar por conta dos diários, ela dedica uma parte considerável do livro à comentários sobre sua infância e sua adolescência e, claro, sobre o momento em que virou a Princesa Leia, discorrendo sobre os testes, convívio com elenco e produção dentro e fora das telas, a pressão para adequar o seu peso ao padrão de beleza exigido, a fetichização de Leia e a relação com os fãs (ela era muito agradecida por todo o amor e o carinho e adorava tudo isso, mas se incomodava porque muitas vezes alguns fãs passavam dos limites e se esqueciam que ela era um ser humano e não apenas uma bela princesa em uma aventura espacial).

O tom de humor bastante autodepreciativo e debochado também é um aspecto positivo do livro. Por trás de todas as brincadeiras e piadas, fica muito claro que Carrie não apenas está contando uma história sobre o seu passado, mas também criticando a postura de homens da indústria que cruzaram o seu caminho e que reflete na postura, de forma geral, do público. É triste perceber que por trás da forte Princesa Leia, estava uma menina de 19 anos completamente perdida, assustada, negligenciada e da qual muita gente se aproveitou (cabe aqui mencionar o biquíni que ela teve que vestir na cena em que vira escrava do Jabba em O Retorno de Jedi). Pior ainda é perceber que, com o passar dos anos e seu natural envelhecimento, tenha "desaparecido"; apenas para voltar a ser lembrada quando passou a ser "interessante novamente" quarenta anos depois, quando um novo filme de Star Wars passou a ser produzido. Aqui passamos a refletir também sobre o quanto Hollywood e a indústria do entretenimento é cruel com pessoas que começam a envelhecer, principalmente mulheres.

Outro ponto que chamou a minha atenção foi a relação de Carrie com sua mãe. Pelos comentários, é possível perceber como foi difícil para ela crescer sendo filha de uma atriz famosa e vivendo nos bastidores de seus espetáculos - ela chegou, inclusive, a fazer backing vocal nos shows de Debbie quando era adolescente. Ainda que ela não diga com todas as letras, dá para perceber que há algum ressentimento de Carrie em relação à mãe, que pareceu priorizar o show business acima de tudo e que nunca foi uma mãe "normal", do tipo que a proibisse de fazer coisas, por exemplo, mas que fizesse propostas muito esquisitas, como assistir a filha fazer sexo para poder dar umas dicas de como se comportar nesse tipo de situação. 

O que pode ser motivo para não gostar?
Os diários propriamente ditos, que não ocupam a maior parte do livro, apesar do título. Acontece que aqui temos uma mistura de livro de memórias escrito por Carrie pouco antes de começar a gravar O Despertar da Força e os diários que manteve em 1976. E os trechos dos mesmos consistem em poemas, frases desconexas, trechos de músicas e algumas entradas que fazem mais sentido. É exatamente o que se espera de um diário, mas que pode ficar um pouco cansativo depois de um tempo, já que é bastante repetitivo. 

Recomendo para quem?
Fãs de Star Wars, fãs de Carrie Fisher e pessoas interessadas em memórias de personalidades do cinema.

Considerações finais
Senti que parte do estilo de Carrie se perdeu na tradução o que fez a leitura soar um pouco travada. Se possível, opte pelo texto original.

"No entanto, a principal coisa que você percebe sobre a Leia de cera é que ela está quase nua. (...) Todos os outros foram vestidos com as roupas convencionais do primeiro filme. Eu tive que usar a roupa que Jabba escolheu para mim. Jabba the hutt, o fashionista. Jabba the hutt, o Coco Chanel do estilo intergaláctico. Lança tendências, se dedica à moda, lidera os looks femininos no seu mundo, no seu planeta e outros. Na cera, sempre vou estar com a roupa escolhida pelo bandido Jabba. Na cera e sem cera, sempre vou estar com cara de chapada".

8 de fevereiro de 2018

7 de fevereiro de 2018

The 80's Nostalgia: uma playlist para sentir saudades de uma década que não vivi, mas considero pakas

O post de hoje é para apresentar uma playlist que para mim ficou conhecida como a conclusão de uma ideia que morava na minha cabeça desde julho do ano passado. Acontece que, mesmo sendo uma pessoa de álbuns e que não tem o hábito de escutar músicas avulsas, encontro um enorme prazer em fazer listas musicais e desde que comecei a usar o Spotify, sempre que tenho uma ideia já começo a montar playlists privadas que funcionam mais ou menos como os rascunhos do Blogger: raramente encontram a luz do dia e morrem de forma obscura enquanto outras listas passam a ocupar o topo do feed de playlists. 

Pois bem, dessa vez temos uma sobrevivente que lutou bravamente para vencer a disputa e a sua composição é feita de faixas igualmente guerreiras porque foi dolorosamente difícil fazer a seleção e os cortes. Mas calma que já estou me adiantando. Acho que cheguei a comentar por aqui ou por qualquer outro canto no qual me manifesto nessa terra sem lei chamada Internet, mas faz um tempo considerável que venho vivendo musicalmente nos anos 1980, essa década maravilhosa que não vivi, mas considero pakas. Há algo de muito ~mágico~ nas músicas feitas naquela época, capaz de me transportar para uma sensação de segurança e paz que pouco têm a ver com as letras e muito têm a ver com a minha percepção delas, marcada sempre por questões muito subjetivas e que nem eu mesma sou capaz de compreender. É a nostalgia, meus caros. Ela nem sempre faz sentido. Assim, senhoras e senhores leitores, é com muito deleite que lhes apresento The 80's Nostalgia, a playlist!


#01 Maneater - Daryl Hall & John Oates
#02 Torture - The Jacksons
#03 Africa - Toto
#04 Another Day In Paradise - Phil Collins
#05 Waiting for a Girl like You - Foreingner
#06 With or Without You - U2
#07 Mad World - Tears For Fears
#08 Big in Japan  - Alphaville
#09 Sweet Dreams (Are Made of This) - Eurythmics
#10 Stand Back - Stevie Nicks
#11 Just Good Friends - Michael Jackson, Stevie Wonder
#12 Back in Time - Huey Lewis & The News
#13 Invisible Touch - Genesis
#14 Summer Of '69 - Bryan Adams
#15 Dirty Diana - Michael Jackson
#16 Little Lies - Fleetwood Mac
#17 Go Insane - Lindsay Buckingham
# 18 Take On Me - a-ha
#19 Don't You (Forget About Me) - Simple Minds
#20 Even The Score - America

1 de janeiro de 2018

summer vibes, vol. 2



#01 Time to Pretend (MGMT)
#02 WILD (Troye Sivan)
#03 Green Light (Lorde)
#04 Faded Heart (BORNS)
#05 Love (Lana Del Rey)
#06 Wildest Dreams (Taylor Swift)
#07 Malibu (Miley Cyrus)
#08 Want You Back (HAIM)
#09 Don't Die Young, Don't Get Old (Little Big Town)
#10 Prisoner (Ryan Adams)
#11 Smile Like You Mean It (The Killers)
#12 Somebody Told Me (The Killers)
#13 Good Girls Go Bad (Cobra Starship, Leighton Meester)
#14 Relax, Take It Easy - New Radio Mix (MIKA)
#15 Gorgeous (Taylor Swift)
#16 Hear Me Now (Alok, Bruno Martini, Zeeba)
#17 YOUTH (Troye Sivan)
#18 LA Hallucinations (Carly Rae Jepsen)
#19 Work From Home (Fifth Harmony, Ty Dolla $ign)
#20 Cake By The Ocean (DNCE)
#21 Strip That Down (Liam Payne, Quavo)
#22 Locked Out of Heaven (Bruno Mars)
#23 Havana (Camila Cabello, Young Thug)
#24 Despacito - Remix (Luis Fonsi, Daddy Yankee, Justin Bieber)
#25 Perfectly Lonely (John  Mayer)
#26 On The Loose (Niall Horan)
#27 I Would Die For You (Miley Cyrus)
#28 Lost In California (Little Big Town)
#29 California Dreamin' (Rick Price, Jack Jones)
#30 Californication (Red Hot Chilli Peppers)
#31 Island In The Sun (Weezer)
#32 Little Talks (Of Monsters And Men)
#33 Chained To The Rhythm (Katy Perry)
#34 Tears Away (Mehcad Brooks)
#35 BITE (Troye Sivan)
#36 Coachella - Woodstock In My Mind (Lana Del Rey)
#37 Electric Feel (Henry Green)
#38 Something Just Like This (The Chainsmokers, Coldplay)
#39 CAN'T STOP THE FEELING! (Justin Timberlake)

15 de dezembro de 2017

As músicas que (talvez) mais ouvi em 2017 | RETROSPECTIVA 2017


Pois bem, estamos em dezembro e é chegada a hora de dar início às retrospectivas. E como sei que nesse meu ritmo devagar-quase-parando meus posts não irão se escrever sozinhos, é melhor que comece agora, na segunda semana de dezembro. Com sorte, termino tudo antes do carnaval. Hoje trago um aquecimento, no qual repetirei algo que fiz no ano  passado.

Ao contrário do que aconteceu em 2016, dessa vez eu não tenho muita noção de como foi o meu ano musical. Consigo ter uma ideia dos artistas que mais escutei e álbuns favoritos, mas não fiquei ~controlando~ tudo, analisando as estatísticas do Last.FM e coisas do tipo. Ou seja, vou descobrir no calor do momento de distribuir os troféus e elaborar os posts, claro. E como foi só ontem que parei para escutar a playlist que o Spotify criou com os maiores sucessos da vigésima sétima temporada da minha vida - depois de praticamente todas as pessoas que habitam nosso planeta Internet -, irei compartilhar minhas descobertas com vocês que acompanham esta prestigiosa publicação listando as dez músicas mais escutadas por mim. Novamente, não posso afirmar que as informações do Spotify são 100% exatas e como adoro ~inventar moda~, irei montar a lista utilizando também as estatísticas do Last.FM e os meus excelentes critérios de seleção que se baseiam nas seguintes regrinhas: 1) não posso repetir artista e 2) não posso repetir as mesmas músicas de 2016. Agora, sem mais delongas, senhoras e senhores, vamos à minha fabulosa lista de músicas possivelmente mais escutadas em 2017!
ÓBVIO. Harry me lembrando desde abril que é para parar de chorar, porque o mundo tá acabando e a gente tem que fugir. Obrigada por existir, Harry. ❤

Não consigo pensar em outra coisa para dizer sobre essa música que não seja um sonoro e enfático QUE HINO! 'Cês já experimentaram escutar essa música com fones de ouvido, com um volume bem alto e de olhos fechados, de preferência em um dia bem estressante? Recomendo que façam isso pelo menos uma vez na vida porque a sensação é a da mais profunda #paz.

Crise existencial e no meio da madrugada precisa de uma trilha sonora apropriada e essa obra-prima do Fleetwood Mac (MELHOR BANDA) é perfeita. Escutei tanto a versão do disco de 1975, quanto a versão ao vivo em The Dance e acho as duas transcendentais, principalmente a última. Sinto que não enaltecemos Lindsey Buckingham o suficiente pelo que ele fez com essa música em The Dance.

Só sei que na virada do ano, um tanto alterada, fui dormir escutando música e quando acordei, era essa música que estava tocando. Não sei como cheguei à ela, só sei que fui impactada e, aparentemente, escutei uma quantidade razoável de vezes. Até agora não parei para prestar atenção na letra e na mensagem da música, mas gosto bastante.

ED SHEERAN VOLTOU, MINHA GENTE! De todas as músicas do álbum mais recente dele, essa foi a que eu mais gostei e me surpreendi muito com isso porque achei aquela prévia acústica bem sem graça. Adooooro a introdução e acho o refrão ótimo!

Novamente surpreendida por essa mulher, porque eu achei essa música nada além de HORROROSA da primeira vez que escutei e xinguei muito no Twitter. Porém, depois de alguns dias - e de um ótimo clipe -, a música ganhou um espaço no meu coração completamente Swftie. Obrigada por existir, Tay-Tay. ❤

Olha, não fazia ideia de que tinha escutado tanto assim porque não é como se eu fosse louca-obcecada por essa música. Porém, ela está na minha playlist roqueira, que me acompanhou bastante nos fatídicos dias de treinos na academia.

Tive uma fase power ballads de roqueiros farofentos dos anos 80, um gênero extremamente sentimental e que eu acho que deveria ser analisado, pois muitíssimo ótimo. Essa música é um chororô piegas and I think that's beautiful. E o clipe, meus caros, o clipe. Vejam o clipe.

MINHA MÚSICA, MELHOR MÚSICA! Eu ainda não acredito que justamente no ano que decidi ~aprofundar os meus conhecimentos~ sobre Tom Petty, ele nos deixou. Escutem Tom Petty, gente.

Praticamente uma música do Fleetwood Mac e não tinha como eu não gostar. A melodia, as harmonias e a atmosfera geral da música são uma delícia e fazem a gente querer se apaixonar só para escutar essa música em loop eterno enquanto contemplamos as nuvens.

***

Menção honrosa: 
Porque apesar de ser música de mãe e de sala de espera, só eu sei o quanto passei a amar o álbum que esse ser humano lançou em 1984. Bryan Adams merecia mais de todos nós.

★