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28 de junho de 2025

BOOK REVIEW: Stalking Jack The Ripper (Kerri Maniscalco) | Stalking Jack The Ripper, livro #1

Li Stalking Jack The Ripper, de Kerri Maniscalco, pela primeira vez há alguns anos e achei bem decepcionante. Mas como a passagem do tempo e a mudança de perspectiva pode fazer muita coisa por uma experiência de leitura frustrada, resolvi dar uma segunda chance em 2025 e não me arrependi da decisão. Não só tive uma experiência muito mais satisfatória com o livro, como também encontrei uma das minhas histórias (e séries) favoritas.


🔪 Sobre o que é?
Uma jovem fascinada por medicina forense, ciência e morte que decide investigar uma série de assassinatos que começam a aterrorizar Londres, em 1888, e que passariam a ser atribuídos ao infame Jack, o Estripador. O livro - o primeiro em uma série - é uma releitura ficcional dos assassinatos de Whitechapel, na qual acompanhamos a perspectiva de Audrey Rose, uma jovem que cultiva um interesse genuíno pelo assunto, mesmo sabendo que isso desafia tudo o que se espera de uma moça respeitável da época. Junto com Audrey estão o Dr. Jonathan Wadsworth, seu tio e também renomado professor universitário e médico legista, e seu assistente, o charmoso e intrigante Thomas Cresswell (e eu adiciono também que ele tem uns ares de Sherlock Holmes, se o personagem de Conan Doyle fosse parte do elenco jovem de uma história de detetives).

Com uma atmosfera sombria, livro mistura mistério, suspense e um pouco de crítica social, explorando o contraste entre razão e moralidade, ciência e repressão, especialmente no que diz respeito ao papel das mulheres naquele contexto histórico. Mais do que apenas descobrir quem é o assassino, a narrativa se concentra na jornada de uma protagonista que tenta entender o mundo e a si mesma em meio a tanto horror.


🔪 O que mais gostei?
Provavelmente, a ambientação e a forma como a autora conseguiu me transportar para Whitechapel no outono de 1888, com toda a atmosfera de medo é suspeitas. Ao ler sobre o caso real de Jack, o Estripador, achei impossível não sentir uma sensação de desolação e desespero pela situação muito real e apavorante daquelas pessoas, em especial as vítimas daquele monstro. De certa forma, Kerri Maniscalco conseguiu capturar um pouco dessa sensação, mas por meio da destemida Audrey Rose, não nos sentimos tão impotentes diante da tragédia. A personagem consegue fazer o que nos não podemos.

Claro, é ficção e a gente sabe que a realidade dos fatos é muito pior. Mas não é um pouco sobre isso que trata a literatura e suas infinitas possibilidades? Poder brincar de detetive e encontrar a solução para mistérios até hoje ocultos? Gostei de como a autora conduz a história e tenta encontrar as respostas.

Também gostei que, mesmo tomando devidas liberdades e se utilizando de recursos que possam parecer meio anacrônicos àqueles que gostam de coisas "mais realistas" (e, a meu ver, menos divertidas), ainda assim é possível se identificar com Audrey - claramente uma jovem à frente de seu tempo.

O romance também é um ponto que merece destaque. Mesmo que não seja um ponto central do livro, é algo presente e que não deixou de me intrigar e interessar. Thomas Cresswell é aquele tipo de male lead que a gente adora e detesta ao mesmo tempo, mas a maior parte do tempo a gente adora.


🔪 O que pode ser motivo para não gostar?
Sinceramente, acho que o livro é exatamente o que se propõe a ser: uma história de mistério e detetive ambientada na era vitoriana, mas feita para uma audiência atual e, de preferência, jovem (o livro é classificado como Young Adult). Então, se você não se interessa por esse tipo de coisa, acho que justamente esses elementos podem ser motivos para não gostar. Mas acho que, nesse caso, o ideal é pesquisar um pouco sobre o livro antes de decidir ler.

Outro ponto que pode ser motivo para descontentamento é o fato de que o livro encerra com pontas soltas, que devem ser resolvidas nos próximos volumes da série. Se você gosta de livros únicos, então isso pode ser um problema.


🔪 Recomendo para quem?
Pessoas que gostam de histórias ambientadas em Londres durante o século XIX; pessoas que gostam de histórias de detetives; pessoas que se interessam pelo caso de Jack, o Estripador e gostariam de ler ficção tendo o caso como pano de fundo e, muitas vezes, motivador da história; pessoas que já leram a trilogia The Madman's Daughter (Megan Shepherd) e gostam da protagonista; pessoas que gostam de histórias de mistério com um pouco de romance; pessoas que gostam de protagonistas femininas espertas, divertidas e determinadas - muitas vezes teimosas também.


🔪 Considerações finais:
Como mencionei no início do post, a primeira leitura que eu fiz não foi tão prazerosa. Em partes, acho que foi o momento pessoal, mas também acho que não ter muito conhecimento sobre o caso de Jack, o Estripador, desempenhou um papel na minha primeira impressão da história. Não acho que esse seja um problema para todos, mas foi para mim. Então, se eu puder deixar um conselho é que o leitor pesquise minimamente sobre o caso antes de ler.

Nota: ⭐⭐⭐⭐



6 de fevereiro de 2025

BOOK REVIEW: Krampus - O Senhor do Yule (Brom)


Não consigo me lembrar quando foi que ouvi falar pela primeira vez deste livro, mas foi antes da edição brasileira sair pela Darkside. Aí, quando ela finalmente foi lançada, corri para comprar o quanto antes e... deixei o livro me esperando na estante até o fim do ano passado, quando comecei a ler. 

Por conta das 400 e poucas páginas e o meu novo ritmo (lento!) de leitura, só devo ter concluído na metade de janeiro. O fato de eu ter perdido o interesse ao longo da leitura também deve ter contribuído para isso. Em todo caso, depois de muito enrolar, decidi dedicar um post à experiência com esse livro. Depois de todos esses meses, não sei se terei muito para acrescentar, mas acho que vale a tentativa (e o registro).

🎄Sobre o que é
Dois personagens - um humano (Jesse) e um deus nórdico (Krampus, o Senhor do Yule) - tentando recuperar o que perderam e que é o mais importante em suas vidas. É sobre mudanças, traumas, segundas chances, perdão. É sobre buscar um passado que já não existe mais. Talvez seja um pouco sobre aceitação também e, definitivamente, é sobre vingança.

🎄O que mais gostei?
A maneira como o livro começa e vai, aos poucos, envolvendo o leitor na história e em sua atmosfera, assim como os dramas dos personagens principais. Também gostei de como elementos da mitologia nórdica (sobre a qual pouco sei) são introduzidos e adaptados na história e seu contexto nos dias atuais. A narrativa é descritiva na medida certa e veloz, o que faz a leitura parecer cinematográfica - aliás, acho que uma adaptação poderia ser interessante. As ilustrações são um ponto positivo também, são bem bonitas.

🎄O que não gostei?
A quantidade excessiva de páginas. Em determinado ponto, a história parece se perder e a se arrastar, o que me fez perder o interesse. Também fiquei com a impressão de que o autor tentou contar duas histórias e ambas acabaram prejudicadas. Talvez, o melhor tivesse sido usar as ideias em obras separadas. A enrolação para chegar a algum ponto também me fez cansar dos personagens, de forma que até os dramas deles deixaram de ter algum peso para que eu me sentisse motivada para seguir na leitura. No fim, o tédio e desinteresse foram tantos que simplesmente abandonei o livro e decidi pesquisar spoilers na internet. Não me arrependo da decisão, pois teria me frustrado igualmente (possivelmente, até mais) se tivesse chegado ao final da história por meio da leitura propriamente dita das páginas.

🎄Recomendo para quem?
Pessoas que já conhecem e gostam do trabalho do autor. Pessoas que gostam de obras de Neil Gaiman, Joe Hill e Stephen King. Mas, com base na minha pouca experiência com esses autores, diria que suas obras são melhores que Krampus - O Senhor do Yule.

🎄Considerações finais
Se você se interessou por este livro porque gosta de terror e pensou que uma história sobre Krampus poderia ser uma boa opção, saiba que o aspecto mais assustador do livro é a capa. É uma ótima capa, sem dúvidas, mas é só isso mesmo. Acho que o livro tem mais um estilo de thriller e filme de ação.

Nota: ⭐⭐ ½

31 de dezembro de 2024

Algumas leituras que fiz nos últimos tempos - parte 2: as leituras de 2024 | RETROSPECTIVA 2024


Someday, Someday, Maybe (Lauren Graham) ★★★
Esta leitura é parte do desafio The Book Jar 2024.
Fiz essa leitura em janeiro e já . não consigo me lembrar de detalhes específicos, mas gostei da ambientação nos anos 90 e da atmosfera de comédia romântica.

A Chama de Ember (Colleen Houck) ★★★
Acho que dá para dizer que este livro foi uma decepção, mas não sei dizer exatamente o que foi que deu errado, já que a história tem vários elementos que eu gosto. E a ambientação é ótima; eu realmente consegui me sentir transportada para aquele universo. Jack é o meu personagem preferido da história.

A Canção de Aquiles (Madeline Miller) ★★★★★❤
Sem dúvidas a minha leitura favorita de 2024! Me apaixonei por Aquiles, assim como Pátroclo, e adorei acompanhar a narrativa da Guerra de Troia por esse olhar. O final do livro é um dos mais bonitos que eu já li! ❤

As Sete Mortes de Evelyn Hardcastle (Stuart Turton) ★★★★
O livro mais maluco que li em 2024! Lembro de detalhes, mas também já me esqueci de várias coisas. Acho que o melhor do livro fica por conta da mistura de whodunit com viagem no tempo (não é exatamente isso, mas é a melhor forma que eu consigo explicar). O final e a explicação sobre os mistérios em relação ao protagonista e toda a circunstância que o envolve achei meio meh, mas ok. Ainda é um dos melhores livros que li este ano.

The Vampire Knitting Club - Volumes 1, 2 e 3 (Nancy Warren) ★★★
Adorei essa série de cozy mystery! Gosto dos personagens e da ambientação; não tenho muito à acrescentar além disso. Dos três livros que li, acho que o segundo foi o que mais gostei da investigação, mas o terceiro foi o mais envolvente com toda a história envolvendo arqueologia e o Antigo Egito. Também gosto do leve romance entre a Lucy e o Rafe.

BECK: Mongolian Chop Squad - Volume 22 (Harold Sakuishi) ★★★★
Não acredito que mais um ano está chegando ao fim e eu ainda não terminei a leitura desse mangá! Sinceramente, não sei o porquê disso acontecer; eu realmente adoro essa série e os personagens. Não me lembro mais o que aconteceu neste volume, mas preciso continuar a leitura. Ainda faltam 12 volumes!

O Circo Invisível (Jeniffer Egan) ★★★★
Esta leitura é parte do desafio The Book Jar 2024.
Primeiro, o mais marcante é o fato de eu ter conseguido concluir a leitura deste livro, que eu já havia tentado ler e abandonei em 2021. De forma geral, gostei. Mas me irritei bastante também. Esperava que este livro me trouxesse algo parecido com o que senti lendo As Virgens Suicidas e As Garotas e, de certa forma, foi o que aconteceu, mas o ritmo foi o empecilho e me travou várias vezes. O romance foi estranho também. Acho que o que mais gostei foi a ambientação e a maneira como o livro quebra aquele romantismo e aquela idealização da juventude hippie dos anos 1960. Apesar de sentir que algo me impediu de gostar mais deste livro, também tenho a impressão de que vou me lembrar dele por muitos anos.
 
Treze à mesa (Agatha Christie) ★★★★★
Esta leitura é parte do desafio Agatha Christie.
Acho que este é um dos poucos livros da Agatha Christie para o qual dei cinco estrelas no Goodreads depois de ler. O mistério foi realmente bem construído e não consegui adivinhar o final. O epílogo (?) com aquela carta foi incrível. Acho que este será um dos meus casos favoritos do Poirot.

Dama da Meia-Noite (Cassandra Clare) ★★★★★
Voltei ao universo dos Caçadores de Sombras e algo me diz que essa será a minha trilogia favorita. O romance principal me irritou, achei chato demais ficar lendo sobre como Julian e Emma se amam, mas nunca vão poder ficar juntos; espero que este aspecto diminua nos próximos livros. E espero, de verdade, que depois daquela última frase do Mark no final, o próximo livro traga algo mais interessante. Aliás, Mark é o melhor personagem!

30 de novembro de 2024

Algumas leituras que fiz nos últimos tempos (parte 1): as leituras de 2022 & 2023 | RETROSPECTIVA 2022 & RETROSPECTIVA 2023

Mesmo faltando um mês para o ano acabar, eu já considero este ciclo encerrado e estou pensando em retrospectivas e listas de favoritos (livros, músicas, stationary, etc.) e objetivos para o ano que vem. Como ainda estou concluindo as minhas leituras de 2024, vou esperar para falar de tudo de uma vez. Então, neste post vou falar brevemente sobre o que li nos últimos tempos (leia: antes de 2024, mais especificamente nos anos 2022 e 2023, já que só fui leitora de verdade até 2021, rs). 


The Neverending Story (Michael Ende) | ★★★★★ ❤
Foi uma releitura de um dos meus livros favoritos da vida, lido pela primeira vez quando eu tinha 14 anos. Gostei de perceber o quanto da história permanecia viva em minha memória e o quanto foi redescoberto. Dessa vez, o que mais chamou a minha atenção foi a segunda parte, que é bem mais profunda e complexa do que meu eu adolescente percebeu. Como parte dessa releitura ocorreu durante a primeira etapa da minha super ressaca literária, a impressão é de ter perdido alguns detalhes. Mas não é nada que não possa ser corrigido em uma próxima releitura.

Tales From The Shadowhunter Academy (Cassandra Clare & outros autores) | ★★★★★
O universo Shadowhunter é um dos meus favoritos na literatura e eu adoro acompanhar as histórias e os personagens. Neste livro, o foco é no Simon e suas experiência na academia dos Caçadores de Sombra. É um livro de contos e gostei desse aspecto; gostei também de conhecer novos personagens e reencontrar outros, além de já ter uma prévia dos temas abordados nos próximos livros das séries (spoiler: já comecei Os Artifícios das Trevas). Simon é um personagem que foi me conquistando conforme eu avançava na leitura dos livros e achei justo que ele tivesse o protagonismo neste volume que funciona como uma ponte entre a série original e a sua continuação.

Depois (Stephen King) | ★★★
Esse livro foi ok, bem o que eu esperava. Não mudou a minha vida, mas foi divertido. Falei melhor sobre ele neste post.

Witch's Canyon (Jeff Mariotte), Supernatural, livro #2 | ★★★
Já faz mais de um ano que li esse aqui e confesso que não lembro de quase nada. A história é curiosa e acho que teria se tornado um dos meus episódios favoritos da série caso houvesse existido neste formato. O que mais gostei foi a ambientação no Grand Canyon.

Horrorstör (Grady Hendrix) | ★★★
Grady Hendrix foi uma das melhores "descobertas" que fiz nos últimos anos e, apesar de não ter achado este seu melhor livro dentre os que eu li, a leitura me manteve interessada do começo ao fim. Achei bem criativa a proposta de história que acontece em uma loja de departamento assombrada. Já me esqueci dos detalhes, mas recomendo mesmo assim. O audiobook é bem legal.

Sem Coração (Marissa Meyer) | ★★★★★ ❤
Provavelmente, o meu favorito dessa lista. Não li muitos retellings na vida, mas sei que esse é um dos meus tipos favoritos de história, principalmente se forem de contos de fadas ou histórias marcantes e bem conhecidas da infância. Aqui, a protagonista é a Rainha de Copas antes de enlouquecer e mandar cortar a cabeça de todo mundo. Adorei a forma como a autora revisita o universo criado por Lewis Carroll deixando tudo bastante familiar e, ao mesmo tempo, trazendo um frescor. O nonsense e o humor já conhecidos e esperados estão presentes e combinam com o romance que é introduzido. Jest <3.

A Casa do Penhasco (Agatha Christie) | ★★★★
Esta leitura é parte do desafio Agatha Christie.
Exatamente o que eu queria e esperava da experiência. Fiquei um pouco decepcionada com a resolução, mas não o suficiente para achar o livro fraco. É difícil eu não gostar de uma aventura com o Poirot.

A Cidade de Vapor (Carlor Ruiz Zafón) | ★★★★
Mais um livro de contos. Aqui o protagonismo é da Barcelona amaldiçoada da série do Cemitério dos Livros Esquecidos. Quase todas as histórias são avulsas e sem relação direta com os livros da série, mas isso não é um problema. Acho que o ponto forte das histórias está na ambientação, na forma como o autor cria uma atmosfera misteriosa e macabra e que parece permear todas as suas histórias. Para ser justa, eu não sou uma grande leitora de contos, normalmente não me conecto com esse tipo de narrativa e não costumo reter muito na memória depois de um tempo. Em todo caso, O Príncipe do Parnaso é o meu favorito.


2 de abril de 2024

COISAS QUE GOSTEI: A Canção de Aquiles (Madeline Miller)

Eu sei que ainda temos muitos dias de 2024 para viver, mas acho que já posso afirmar que A Canção de Aquiles será um dos meus livros favoritos do ano! 😄



Aqui estão algumas das coisas que mais gostei na leitura:

🏛️ A AMBIENTAÇÃO
Adorei ser transportada para a Grécia Antiga e para uma história marcada pelos mitos, heróis e deuses gregos.

🏛️ A NARRATIVA
Aqui quem conta a história é o Pátroclo e ele é um excelente narrador. Adorei acompanhar a perspectiva dele dos acontecimentos que levaram à Guerra de Troia, assim como a maneira como ele nos apresenta ao famoso Aquiles.

🏛️ O AUDIOBOOK
Ter conhecido essa história quase que totalmente pelo audiobook tornou tudo mais real, talvez pelo fato de a narrativa acontecer em primeira pessoa. A narração de Diego Muras é ótima e bastante envolvente; pude acreditar que era o próprio Pátroclo quem estava conversando comigo e contando a história.

🏛️ O ROMANCE
Não dá para falar desse livro e ignorar a história de Pátroclo e Aquiles. É linda, é trágica e é apaixonante. Sem dúvidas, a parte mais bonita de toda a história.

🏛️ O EPÍLOGO
Na verdade, é o final do último capítulo, mas para mim tem cara de epílogo. E eu até agora não me recuperei dele. É lindo.

Recomendo demais a leitura! 😉

2 de março de 2024

COISAS QUE GOSTEI (E NÃO GOSTEI): The Ember's Lantern (Colleen Houck)


O livro é bem legal, de verdade, mas algumas coisas me incomodaram e vou tentar explicar.

Começando pelo que eu gostei: 

🍁A ambientação é ótima; tanto no mundo real, quanto no Outro Mundo, consegui me sentir transportada para outra realidade. Gostei de como autora descreve os lugares, as roupas, os objetos, etc. O nosso mundo parece o do filme "Os Irmãos Grimm", com Matt Damon e Heath Ledger, e Outro Mundo parece a animação "Planeta do Tesouro", da Disney, naquela vibe fanstasia stempunk.

🍁 Os personagens principais. Apesar de meio ingênua e teimosa em alguns momentos, gostei da Ember, principalmente depois da metade do livro; Jack é provavelmente o personagem que eu mais gostei e, se dependesse de mim, a autora poderia escrever outro livro como uma prequel contando as aventuras dele até o momento em que "A Chama de Ember" começa; também gostei do Dev, mesmo achando ele meio esquisito no começo e ter demorado para saber se ele era um personagem mocinho ou vilão, apesar de ser meio previsível quais eram as intenções da autora; Finney foi um dos que me surpreendeu, porque achei que ele seria um personagem secundário, mas acabou tendo bastante destaque na história e, de forma geral, é um dos mais legais; Delia, assim como Jack, merecia também um livro prequel contando suas aventuras como capitã pirata.

🍁 As referências ao folclore do Halloween e também à outras obras da literatura. Elas funcionam mais como easter eggs do que informações importantes para o desenrolar da história, mas mesmo assim achei legal.

🍁 A escrita de Colleen Houck. Este foi o meu primeiro contato com a autora e fiquei bem satisfeita. Gostei, principalmente, de como ela escreve os diálogos entre os personagens e como cada um deles tem uma voz bem definida.

🍁 A abóbora do Jack. O personagem mais adorável de TODO O LIVRO.

Agora, os aspectos que menos gostei: 

🍁 O ritmo esquisito. O livro começa envolvente e intrigante na medida certa, depois fica meio "meh", aí vem um monte de ação e reviravoltas, aí fica meio repetitivo e "meh", mais reviravoltas e fim! Acho que foi por isso que demorei tanto (quatro meses!) para concluir a leitura; em alguns trechos eu praticamente me arrastei. Tudo bem que isso pode ser algo mais pessoal e que não vai ser sentido por outros leitores, mas mesmo assim achei válido mencionar.

🍁 O triângulo amoroso. Para ser justa, eu quase nunca gosto de triângulo amoroso, então talvez eu não seja a melhor referência nesse ponto. Mas acho que para quem é fã, não seria um problema. (Obviamente, Jack é a única opção).

🍁 Os vilões. Acho que são três vilões e, com exceção de um, os outros são bem naquele estilo "sou mau porque sim" e fica por isso mesmo. Ah, e tem um momento que a gente descobre o grande vilão e... assim, sério? Novamente, para ser justa, eles cumprem suas funções de vilões, mas acho que se eles fossem um pouco mais aprofundados, o resultado teria sido melhor.

🍁 Solução rápida. Esse ponto tem relação com o ritmo esquisito. O livro inteiro é marcado por alguns mistérios e desconfianças e aí, nos últimos três (!) capítulos tudo começa a se resolver muito rápido, reviravoltas começam a surgir. Não que seja ruim, porque a autora realmente amarra tudo e não deixa pontas soltas, mas achei meio corrido.

Acho que é isso. O livro é uma leitura divertida, mais aventura de fantasia com romance do que terror paranormal. Mais middle grade do que YA. Nada disso exatamente um problema para mim, mas que pode ser para outros leitores desavisados ou que possam criar expectativas por causa da capa mais "dark". Se fizessem um filme adaptando o livro, eu provavelmente assistiria.

No Brasil, o livro foi publicado com o título A Chama de Ember pela editora Arqueiro.

13 de março de 2023

Depois (Stephen King) • BOOK REVIEW


Na semana passada concluí a minha primeira leitura de 2023 e achei que o evento merecia um destaque no blog. Já estava desacreditada e achava que não sabia mais ler. A verdade é que desde o final de 2021 (!) que não me empolgava muito com livros e tudo o que li desde então foi com muito esforço, quase me arrastando (metaforicamente, claro) e, dessa vez, não foi assim tão diferente. Tive muita dificuldade para ter disciplina para ler, mas todas as vezes em que parei para fazer isso, não consegui desgrudar do livro. Então, é isso. Obrigada, Stephen King por me lembrar que sou leitora e que livros são tudo de bom.


Ah, sim, o livro é Depois, lançado pela Suma em 2021. Inclusive, comprei na semana do lançamento e paguei caro, então já fica aqui a recomendação: se o livro for ficar parado na estante por um tempo, deixe para comprar depois e aproveite uma promoção 😉

Sobre o que é?
Um menino chamado James Conklin, que tem uma habilidade bastante peculiar: ele vê gente morta e consegue falar com elas. Até aí, tudo mais ou menos bem; mas a situação muda um pouco quando existe a possibilidade de usar essa habilidade para algum benefício - seja pessoal, seja para outras pessoas. De forma geral, é uma história sobre aprender o que é certo e o que é errado e sobre encontrar a coragem de encarar aquilo que te dá medo.

Quer saber de uma coisa, a pior parte de crescer é como isso faz com que a gente cale a boca.

O que eu mais gostei?
São alguns os pontos que mais me agradaram. Primeiro, a habilidade do King de nos envolver em suas histórias; aqui, tudo realmente flui muito bem e, apesar da minha falta de disciplina, esse é um livro que dá para ler bem rápido (tem só 192 páginas!), é bastante visual também, a sensação é a de estar assistindo à um filme. A narrativa é feita pelo próprio James, anos mais tarde, que resolve nos contar sobre acontecimentos da sua infância e da sua adolescência e as situações nas quais acabou de envolvendo por conta de sua habilidade. Acho que esse é um recurso que já foi utilizado pelo autor outras vezes, mas eu realmente não ligo muito - pelo contrário, acho que esse é um dos meus tipos favoritos de narrativa.

Outro ponto que preciso mencionar: easter eggs! Ainda não me dispus a pesquisar, mas as referências à It - A Coisa não passam batido àqueles que conheçam a história do Clube dos Otários e a história de Derry, mesmo que aqui a história aconteça, na maior parte, em Nova Iorque. As referências não chegam a ser spoilers e nem acho que possam atrapalhar a experiência de quem não teve contato com o calhamaço; funcionam mais como uma gracinha do autor para aqueles que já estão familiarizados com o Kingverse. Como It é um dos meus livros favoritos, adorei!

O que pode ser motivo para não gostar?
O final. Acho que dá pra dizer que Stephen King também é conhecido por nem sempre fazer finais legais para suas histórias. Nesse caso, não é exatamente sobre como os grandes conflitos se resolvem, acho até que as soluções foram bem apresentadas. É mais sobre uma revelação no final que, sinceramente, faz a gente pensar "tá... mas por que precisava disso?". Não foi algo que me incomodou, só achei meio aleatório; em todo caso, acho que o autor deve ter os motivos dele para colocar essa parte no final. Ah, sim, e pode ser também que algumas pessoas achem previsível. Eu não achei.

Recomendo para quem?
Para quem já é leitor de Stephen King ou de livros no estilo dos dele; para quem quer conhecer o autor, mas fica com receio de pegar um daqueles calhamaços; para quem gosta daqueles filmes da Sessão da Tarde que passavam nos anos 80 e 90 e trazem aquelas crianças super espertas.

Considerações finais
O livro provavelmente não é o melhor do autor e é difícil saber se chamaria atenção se tivesse sido escrito por outra pessoa. Em todo caso, é um livro honesto e que entrega o que promete. Não mudou a minha vida, mas nada impede de mudar a vida de outra pessoa. De qualquer forma, é uma leitura que prende a atenção do início ao fim, então não acho que seria uma perda de tempo. Recomendo!

Nota: ⭐⭐⭐½

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PS: tecnicamente, o primeiro livro que concluí em 2023 foi Tales of The Shadowhunter Academy, da Cassie Clare, mas como ele já me acompanhava desde o ano passado, resolvi desconsiderar.

11 de fevereiro de 2022

Aconteceu naquele verão: doze histórias de amor (organização de Stephanie Perkins) • BOOK REVIEW

Comecei a ler esse livro nessa época no ano passado, aí como depois de um mês eu não havia concluído, resolvi pausar e deixar para concluir no próximo verão. No caso, agora. Mas perdi a vontade de ler e como só faltavam 3 contos, resolvi marcar como leitura concluída mesmo. Em todo caso, aqui estão os meus comentários sobre os contos que eu li:

Cabeça, escamas, língua e cauda (Leigh Bardugo)
Gostei de como esse conto começou, de como a narrativa já vai envolvendo desde o início e, ao mesmo tempo, já cria uma atmosfera com elementos de fantasia. Porém, conforme a leitura foi avançando, meio que fui perdendo o interesse e todo o encanto se perdeu. Aos poucos foi ficando previsível também e fiquei com a sensação de que algo ficou faltando. O desfecho foi bem corrido também.

O fim do amor (Nina Lacour)
Já não consigo me lembrar muito desse aqui, então acho que não foi muito marcante para mim. Não há nada que eu tenha achado particularmente ruim, mas também não foi super memorável. No geral, foi 'meh'. Porém, quero destacar que gostei de a história acontecer em um acampamento de verão, respeitando a proposta da coletânea.

O último suspiro do Cinemorte (Libba Bray)
Uma das minhas histórias favoritas! Adorei a narrativa, adorei que a história acontece em um cinema, adorei as referências pop, adorei o casal e adorei ainda mais a reviravolta que acontece mais ou menos na metade e muda completamente o tom da história. É bem Sessão da Tarde, super divertido. Fiquei curiosa para ler outras coisas da autora.

Prazer Doentio (Francesca Lia Block)
Outro favorito! Aqui temos uma história de verão que acontece nos arredores de Los Angeles (acho) durante o fim dos anos 70 ou início dos anos 80. É meio difícil de saber exatamente a época em que a história acontece, mas as referências musicais dão algumas dicas. Aqui também acontece algo que eu adoro, que é quando um narrador adulto conta algo que aconteceu durante a sua juventude, décadas antes. Essa é uma história que me manteve curiosa o tempo todo porque precisava saber como terminaria e achei bem surpreendente. Como a autora não usa nomes para os personagens e apenas os identifica com iniciais, fiquei pensando se não seria algo sobre a própria vida dela. Também quero conhecer outros trabalhos dela.

Em noventa minutos, vá em direção à North (Stephenie Perkins)
Esse eu comecei a ler, mas perdi o interesse e resolvi pular. Aí, descobri que é continuação do conto da autora que foi publicado na coletânea de histórias de fim de ano (O presente do meu grande amor), mas já não lembro de nada daquela história, pois faz anos que li. Então, resolvi deixar para outro momento. Ou não. Sei lá.

Lembranças (Tim Federle)
Acho que, de todos os contos, esse foi o que mais me passou a vibe de verão. A história acontece em um parque de diversões e não é exatamente sobre o início de um relacionamento, mas sim sobre o fim de um. Gostei dos personagens e de como o autor conseguiu desenvolvê-los tão bem em tão poucas páginas. A narrativa é bem envolvente e fluída também e em nenhum momento senti que o conto ficou longo. Tudo aqui é na medida certa e, mesmo a gente já sabendo desde o início como vai terminar, adorei acompanhar a história.

Inércia (Veronica Roth)
Confesso que já comecei a ler esse conto com as expectativas baixas porque não gostei de Divergente e nem da escrita da autora. Ainda assim, fui com o coração aberto e me surpreendi...até certo ponto. Gostei muito que esse conto tem uma coisa meio ficção científica, com personagens que conseguem conectar suas consciências e se comunicar enquanto revisitam lembranças em comum. Gostei também que esse conto toca em temais mais sérios, do tipo que não esperava encontrar em uma coletânea de histórias de amor de verão. Estava indo tudo bem até quase o final e eu estava prestes a considerar esse um dos melhores contos, mesmo que longo, mas aí as últimas páginas meio que estragaram tudo. Acho que se a autora tivesse encerrado um pouco antes, deixando o final meio agridoce, teria sido melhor. No fim, só me lembrou do porquê de eu nunca ter me dado ao trabalho de terminar a série Divergente.

Amor é o último recurso (Jon Skovron)
Esse aqui eu meio que já esqueci os detalhes, mas lembro de ter gostado. O que mais me encantou foi a escrita do autor a forma como a história foi narrada.

É isso, não sei se um dia vou concluir, mas fica aqui o meu registro. Achei os contos bem ok e, para ser sincera, não sei se teria lido se já não tivesse lido e gostado da coletânea anterior. Dos contos que li, os que mais gostei foram o da Libba Bray, o do Tim Federle e o da Francesca Lia Block.

10 de fevereiro de 2022

RELEITURA: Bliss (Lauren Myracle) • BOOK REVIEW

Li Bliss pela primeira vez em 2014 e lembro de ter achado a leitura bem ok na época. Sem muita explicação, senti vontade de fazer uma releitura todos esses anos depois e, ainda que a minha opinião tenha se mantido, acho que gostei mais da experiência dessa vez.

O livro tem início no verão de 1969 e acompanha um ano na vida da protagonista, Bliss, uma adolescente de 14 anos filha de hippies e que, após ir morar com a avó em Atlanta, passa a frequentar uma escola de elite. Lá ela irá fazer novas amizades e aprender o que é ser uma adolescente normal para a época, ao mesmo tempo em que questiona muitos dos costumes que não fazem o menor sentido para ela. Ah, ela também vai precisar lidar com umas esquisitices do tipo sobrenatural, pois aparentemente a escola é assombrada e ela fica escutando uma voz assustadora dizendo coisas igualmente medonhas.

Entre as coisas que mais gostei está a ambientação no fim dos anos 60 e início dos anos 70, com referências à cultura, moda e acontecimentos da época. Logo nos primeiros capítulos, Bliss fica sabendo dos assassinatos Tate - La Bianca e as investigações do caso são tópico para as conversas da protagonista e seus amigos. Os capítulos são marcados por trechos de comerciais, séries de televisão e também do julgamento dos membros da Família Manson. Esses detalhes ajudaram a criar a ambientação, me fazendo entender o contexto em que a história estava acontecendo.

De forma geral, é um livro que me manteve intrigada, mesmo em uma segunda leitura. Já havia me esquecido de alguns detalhes que gostei de "descobrir" novamente. Porém, assim como aconteceu na primeira vez que li, achei a história um tanto previsível a partir de um determinado ponto e mesmo que não seja o suficiente para estragar a experiência, fico pensando se não foi o que me fez achar a história apenas ok. Ainda assim, não me arrependo pela releitura e recomendo o livro.

Só depois de anos é que fui descobrir que o livro é na verdade um prequel de Rhymes With Witches, publicado em 2005. Talvez isso explique algumas pontas que ficam soltas em Bliss, mas não sei se tenho tanto interesse assim na leitura. Acho que por enquanto um livro é o suficiente.

10 de janeiro de 2022

As leituras de 2021 | RETROSPECTIVA 2021 (parte 3)


2021 foi um ano difícil, praticamente uma extensão do ano anterior. Mas quando o assunto é leituras, não tenho do que reclamar. De forma geral, gostei de tudo o que li e até nas decepções consegui encontrar algo de positivo para fazer a leitura valer. Foi um ano marcado por histórias de fantasia, mistério, terror, romance e drama. Todas histórias envolventes e com personagens que se tornaram queridos e dos quais irei me lembrar com carinho. ❤


AS LEITURAS DE 2021


Livros

Haroun e o Mar de Histórias (Salman Rushdie) | The Southerns Book Club's Guide to Slaying Vampires (Grady Hendrix) | Helter Skelter (Vincet Bugliosi & Curt Gentry) | Anexos (Rainbow Rowell) | The Brightest Star in The North: The Adventures of Carina Smyth (Meredith Rusu) | The Invisible Life of Addie Larue (V.E. Schwab) | Gótico Mexicano (Silvia Moreno-Garcia) | City of Glass (Cassandra Clare) | City of Fallen Angels (Cassandra Clare) | City of Lost Souls (Cassandra Clare) | Elevation (Stephen King) | Crema (Johnnie Christmas & Dante Luiz) | Diga sim ao marquês (Tessa Dare) | Noite sem fim (Agatha Christie) | Before the coffee gets cold (Toshikazu Kawaguchi) | City of Ghosts (Victoria Schwab) | The Absolutely True Diary of a Part-Time Indian (Sherman Alexie) | Caraval (Stephanie Garber) | City of Heavenly Fire (Cassandra Clare) | If The Fates Allow: A Short Story (Rainbow Rowell) | Can This Be Christmas? (Debbie Macomber) | A Aventura dos Sete Cartões de Natal: uma aventura de Natal de Sherlock Holmes (Anthony Horowitz) | Morte no Nilo (Agatha Christie)

Mangás & Graphic Novels

Vampire Knight, volumes 12 - 19 (Matsuri Hino) | Pretty Guardian Sailor Moon, volumes 1 - 3 (Naoko Takeushi) | BECK: Mongolian Chop Squad, volumes 1 - 16 (Harold Sakuishi) | Laura Dean vive terminando comigo (Mariko Tamaki) | The Infernal Devices: Manga (Cassandra Clare & Hyekyung Baek) | Sheets (Brenna Thummler) | Book Love (Debbie Tung) | Boa Noite, Punpun - volume 1 (Inio Asano) | Tarot Café (Sang-Sun Park) | Mooncakes (Suzanne Walker)

Webtoons

Mystical | Crumbs | True Beauty | Rooftops & Roomates | Third-Shift Society | Twistwood Tales


O maior livro: City of Heavely Fire, com 775 páginas
O menor livro: Elevation, com 146 páginas
Os abandonados, mas que pretendo ler no futuro: Kitchen (Banana Yoshimoto), O Mar Sem Estrelas (Erin Morgenstern), The Invisible Circus (Jeniffer Egan) e A última festa (Lucy Foley)
Os inacabados que viraram pendências para 2022: Aconteceu naquele verão (vários autores), Antologia Poética (Florbela Espanca), The Neverending Story (Michael Ende)*, Bliss (Lauren Myracle)* e O elefante desaparece (Haruki Murakami)
Lidos das listas de leitura: Helter Skelter, para o Rory Gilmore Book Challenge; Noite Sem Fim e Morte no Nilo, para o Lendo Agatha Christie; Elevation, para o Lendo Stephen King.
Personagens favoritos: Henry e Addie, de The Invisible Life of Addie Larue; Koyuki, de BECK: Mongolian Chop Squad; Magnus Bane e Simon Lewis, de Os Instrumentos Mortais; Wendell, de Sheets.
As decepções do ano: Gótico Mexicano (Sylvia Moreno-Garcia) e Caraval (Stephanie Garber)

AS MELHORES LEITURAS DO ANO


Foi difícil fechar a lista com apenas dez melhores leituras, mas fiquei feliz com o resultado. São todas leituras 3 estrelas ou mais e que recomendo:

• The Southern Book Club's Guide To Slaying Vampires (Grady Hendrix) 
⭐⭐⭐⭐⭐

• BECK: Mongolian Chop Squad (Harold Sakuishi) 
⭐⭐⭐⭐⭐

• Helter Skelter (Vincent Bugliosi & Curt Gentry) 
⭐⭐⭐⭐⭐

• Before The Coffee Gets Cold (Toshikazu Kawaguchi) 
⭐⭐⭐⭐⭐

• Morte no Nilo (Agatha Christie) 
⭐⭐⭐⭐⭐

• Haroun e o Mar de Histórias (Salman Rushdie) 
⭐⭐⭐⭐

• A vida invisível de Addie Larue (V.E. Schwab) 
⭐⭐⭐⭐

• Sheets (Brenna Thummler) 
⭐⭐⭐⭐⭐

• The Absolutely True Diary of a Part-Time Indian (Sherman Alexie) 
⭐⭐⭐⭐

• Anexos (Rainbow Rowell) 
⭐⭐⭐


Menções honrosas para a série Os Instrumentos Mortais (Cassandra Clare), que terminei esse ano, e a minha releitura de A História Sem Fim (Michael Ende), que ainda não concluí, mas foi bem marcante em 2021.


--
* releitura

9 de outubro de 2021

COISAS QUE GOSTEI: Joyland (Stephen King)

Recentemente, os stories me lembraram que há 3 anos eu concluí a leitura de Joyland, do Stephen King. Na época, gostei tanto do livro que acabei por considerá-lo uma das melhores leituras daquele ano e desde então fico flertando com a possibilidade de uma releitura. O momento ainda não chegou, mas gosto de ficar folheando as páginas e lembrando de trechos que me marcaram. Hoje resolvi fazer uma listinha das coisas que mais gosto nesse livro.


🎡A capa
A gente até tenta não julgar um livro pela capa, mas é fato que esse é um fator importante quando vamos escolher o que ler, né? E essa capa foi a primeira coisa que me atraiu, até mais do que o autor. Adoro essa estética retrô que me faz pensar em cartaz de filme antigo. Acho que fica ainda mais legal depois de já saber a história.

🎡A narrativa
Não é segredo para ninguém que gosta do Stephen King a habilidade incrível que ele têm de prender o leitor às paginas e com esse livro não é diferente. Aqui, quem conta a história é o protagonista e ele nos envolve do início ao fim.

🎡História do passado
Eu disse que o protagonista é quem conta a história, né? Mas ele faz isso muitos anos depois, quando já está bem mais velho e decide recordar o início de sua vida adulta, quando trabalhou temporariamente em um parque de diversões.

🎡A ambientação
O cenário principal dessa história é o parque de diversões Joyland e durante toda a leitura eu conseguia me imaginar caminhando por suas atrações e brinquedos, encontrando os personagens e sentindo os cheiros do parque. É tudo bem cinematográfico e eu adoro.

🎡Um crime não solucionado
Na história, tem um crime que aconteceu há muitos anos no trem-fantasma e ninguém conseguiu solucionar, mas o protagonista vai tentar investigar à procura de uma solução.

🎡Tem fantasma
Mas é claro que tem um fantasma em uma história do Stephen King! Mas o que mais gosto aqui é que é uma história com fantasma, mas não necessariamente uma história de fantasma. Isso faz toda a diferença, já que assombração não é o ponto principal da história.

🎡Criança esperta
Um clichê que eu sempre gostei é o da criança esperta, muito comum nos filmes de Sessão da Tarde com os quais cresci. Não é todo mundo que sabe usar esse clichê, mas felizmente esse não é o caso do King. Aqui a gente conhece o Mike, que além de ser um garotinho adorável, também traz uma sabedoria e um jeito de enxergar a vida muito especiais e que o fazem parecer alguém bem mais velho, mas de um jeito coerente.

❤

4 de agosto de 2021

Before The Coffee Gets Cold (Toshikazu Kawaguchi) • BOOK REVIEW

Sinceramente, não consigo me lembrar com exatidão de como e nem quando ouvi falar sobre Before the Coffee Gets Cold, de Toshikazu Kawaguchi, pela primeira vez. Talvez tenha sido alguma recomendação do podcast Books Unbound. De acordo com o Goodreads, adicionei o livro à minha lista de leituras em dezembro de 2020 e, assim que vi que o livro estava em promoção na Loja Kindle no mês passado, comprei e comecei a ler no mesmo dia. E assim, meus caros, conheci um dos meus livros favoritos de 2021!


Sobre o que é?
É sobre uma cafeteria chamada Funiculi Funicula, localizada em Tóquio e que funciona há mais ou menos um século. Mas não é exatamente uma cafeteria convencional, apesar de desempenhar essa função também. Acontece que é possível viajar no tempo nessa cafeteria, tanto de forma metafórica, já que ela tem um ar mais retrô, quanto de forma mais literal. Existem algumas regras que precisam ser seguidas e a principal delas é que a viagem só dura o tempo que leva até o café esfriar na xícara e o viajante precisa se certificar de beber todo o café antes que ele esfrie, do contrário, algo pode dar muito errado. Assim, diante da pergunta o que você mudaria se pudesse voltar no tempo?, acompanhamos as histórias de quatro personagens: uma mulher que confronta um amor que a abandonou, uma esposa que recebe uma carta escrita por seu marido antes de ele ter sua memória afetada por Alzeimer, uma mulher que quer ver sua falecida irmã uma última vez, uma mãe que quer ver a filha que nunca conheceu. São histórias separadas, mas que se conectam por meio dos personagens e da cafeteria.

O que mais gostei?
A premissa realmente diferente de tudo o que já li. Gostei da ideia da viagem no tempo aparecer sem muita explicação, é uma coisa muito mais próxima da fantasia do que da ficção científica - há quem diga que é realismo mágico -, e que não tem a capacidade de mudar o presente, o que difere da maioria das histórias com essa temática. Não é possível corrigir algum erro com o intuito de obter uma realidade melhor no presente, as coisas no agora irão permanecer exatamente como estão e, justamente por isso, toda a ideia de viajar no tempo traz um atrativo distinto. Os personagens viajam no tempo porque precisam curar alguma ferida, ressignificar algum acontecimento, perdoar à si mesmos ou aos outros. É mais sobre revisitar o passado para poder seguir em frente no futuro. 

Gostei que a narrativa é bem envolvente e descritiva na medida certa, de forma que parece inserir o leitor no cenário. A sensação enquanto estamos lendo é a de que estamos sentados em uma das mesas da cafeteria enquanto assistimos o desenrolar das histórias. De forma geral, toda a atmosfera do livro me pareceu bastante palpável, ainda que completamente impossível de existir na realidade. Os personagens são bem realistas e é fácil de se identificar com seus conflitos, de se colocar em seus lugares. Durante toda a leitura fiquei questionando o que eu faria se estivesse na mesma situação que eles, se minhas reações seriam as mesmas ou completamente diferentes. 

O que pode ser motivo para não gostar?
Talvez o fato de que não temos muitas explicações sobre o porquê de a viagem no tempo acontecer, como ela é possível, qual é a razão de só acontecer na cafeteria Funiculi Funicula. Tem também as regras que precisam ser seguidas, mas que podem não fazer muito sentido se pensarmos de forma mais racional. Acho que o leitor que busca explicações lógicas para os elementos mais fantásticos pode ficar meio frustrado. É necessário ter em mente que essas histórias não são sobre viagem no tempo, ainda que este seja um elemento importante.

Recomendo para quem?
Para quem busca leituras leves e aconchegantes, mas que também tragam um pouco de drama e momentos emocionantes. Para quem gosta da temática viagem no tempo e todas as suas possibilidades. Para quem gosta de histórias ambientadas em cafeterias ou que tragam esse tipo de estabelecimento. Para quem busca uma leitura descontraída e envolvente na medida certa para um fim de semana. Para quem gosta de café. 

Considerações finais
Existe uma continuação, Before the Coffee Gets Cold: Tales from the Café, e eu já adicionei na minha lista de futuras leituras. Infelizmente, ainda não existem traduções para o português de nenhum dos dois livros.

26 de julho de 2021

SÉRIE: Vampire Knight (Matsuri Hino) • BOOK REVIEW

Esse ano decidi que queria ler e conhecer mais histórias em formato de quadrinhos, já que três das minhas leituras favoritas em 2020 foram nesse estilo: Locke & Key, de Joe Hill e Gabriel Rodriguez, Tom Sawyer, de Shin Takahishi, e Vincent, de Barbara Stock. Ainda pretendo falar sobre essas experiências por aqui, mas achei que seria justo falar primeiro sobre Vampire Knight, de Matsuri Hino. Faço essa escolha não só porque finalmente concluí a leitura da série, depois de uma década, mas também porque este foi o primeiro mangá que li na minha vida e, justamente por isso, tenho bastante carinho por essa história.




Como conheci?
Foi lá pelos idos de 2007 ou 2008. Se não me engano a série já vinha sendo publicada aqui no Brasil há um tempo pela Panini e a minha irmã estava lendo. Era o auge do emo e da vampiromania resultante de Crepúsculo e, por essa razão, a série de Matsuri Hino também era um grande sucesso. Na época, eu não era muito interessada em mangás, ou quadrinhos de forma geral, e meu conhecimento de cultura pop do Japão se resumia a alguns animes que eu assisti na infância. O que me chamou atenção em Vampire Knight foi a arte, que achei realmente linda e cheia de detalhes. Assim, peguei emprestado da minha irmã e li todos os volumes que foram lançados até 2010, quando a autora precisou fazer uma pausa por questões de saúde e acabou demorando uns anos até retomar a série. Nesse período, eu entrei na faculdade e virei o tipo de pessoa sem tempo até para respirar e acabei deixando o mangá de lado. Até tentei retomar a série nos anos que se seguiram, mas só consegui fazer isso de verdade em 2020.

Sobre o que é?
Em linhas gerais, é sobre a tentativa de humanos e vampiros existirem de forma pacífica. Na história, vampiros existem há muitos anos e têm meio que uma hierarquia em sua sociedade, que também é cheia de regras que possibilitam o convívio entre si e com os seres humanos. Conhecemos os sangues-puros, que são os mais raros e meio que a realeza; tem também os nobres e os vampiros comuns. Além desses três tipos, conhecemos os ex-humanos e os Classe E - este último tipo sendo os mais perigosos, já que são completamente movidos pela sede e atacam humanos. Para evitar que esse tipo de coisa aconteça, há uma associação de caçadores de vampiros que atuam de forma meio que aliada com os vampiros para proteger os humanos, porém todo mundo se odeia. Em todo caso, vampiros e caçadores agem em comum acordo de não deixar que os humanos saibam da existência de vampiros e possam seguir suas vidas de forma normal.

1 de julho de 2021

O 2º trimestre de 2021: leituras recentes

Entramos oficialmente na segunda metade de 2021 e sigo achando esse ano muito esquisito, sem muita variação do que foi o ano passado. Assim, mais uma vez, as leituras têm sido uma ótima fonte de consolo, distração, diversão, etc etc etc. Os últimos três meses foram marcados por histórias que gostei de acompanhar e que foram, de forma geral, bastante satisfatórias. Tirando as duas leituras 2 estrelas, não tenho do que reclamar. E até elas não achei que foram perda de tempo, às vezes acontece de a gente se decepcionar com algumas leituras e tudo bem. Recomendo todas elas!

Outro aspecto que percebi quando escrevia a lista de leituras é que esse ano estou realmente me empenhando em ler mais quadrinhos/mangás e quero continuar fazendo isso no segundo semestre. Até porque tem muita coisa legal no Prime Reading e no Kindle Unlimited, então quero explorar mais esses catálogos. Também anotei as dicas que alguns de vocês que me acompanham me deram nos stories e, se possível, vou tentar ler algumas. Enfim, as leituras do segundo trimestre de 2021:

 
The Invisible Life of Addie Larue, de V.E. Schwab | ★★★★

Um dos meus livros favoritos do ano! A ideia de uma jovem que vive em uma aldeia na  França do século 17 e que, para escapar de um casamento arranjado e um futuro nada promissor, acaba fazendo um pacto com um deus da floresta e acaba se tornando imortal é irresistível demais para mim. Adorei a ambientação da história e a escrita de V.E. Schwab realmente me encantou. É mágica e poética, muito bonita. Gostei que a narrativa não é linear e faz vários saltos entre épocas diferentes. Os personagens também são bem marcantes, principalmente os protagonistas. Acho que o Henry é o meu favorito e creio que todo leitor irá se identificar um pouco com ele. De forma geral, não tenho nada de muito negativo para falar sobre o livro e a principal ressalva que tenho é que em alguns momentos a narrativa realmente ficou arrastada e meio repetitiva, o que me fez perder um pouco de interesse. Eventualmente, o ritmo melhorou, mas tenho certeza de que uma edição poderia ter reduzido o número para algo razoável mantendo a essência da história. Sinto também que alguns pontos ficaram meio soltos, mas ao mesmo tempo fiquei com a impressão de que uma releitura pode trazer uma visão diferente. Terminei de ler já sabendo que iria revisitar a história em outra ocasião; adoro quando isso acontece!

Recomendo bastante a leitura, para que gostou de O Circo da Noite, de Erin Morgenstern, e Golem & O Gênio, de Helene Wrecker. 


Gótico Mexicano
, de Silvia Moreno - Garcia | ★★

O livro foi um dos mais populares, amados e recomendados do Goodreads em 2020 e era um dos que eu mais queria ler esse ano. Eu queria ter amado também, mas me decepcionei. Eu não sabia muito bem sobre o que seria a história e acho que isso contribuiu para a experiência; e, para ser justa, a leitura estava funcionando até pouco mais da metade. Gostei da ambientação no interior do México durante os anos 50 e de como a autora vai, aos poucos, construindo uma atmosfera de suspense e mistério bastante assustadora. É aquele tipo de história em que a gente não sabe o que está acontecendo durante boa parte do tempo e também não conseguimos confiar em ninguém. Contudo, depois do momento de reviravolta em que respostas começam a surgir a história começou a se perder para mim e meu interesse foi desaparecendo. Terminei a leitura meio na força do ódio apenas para saber como seria o desfecho.

Não acho que seja um livro ruim e gostei das escolhas que a autora fez. É algo diferente e com potencial, mas a execução, a meu ver, foi meio infeliz. Tudo meio corrido e sem espaço para um desenvolvimento. Também fiquei com a impressão de que a autora queria abordar vários temas, mas acabou só pincelando e quase nada teve um real aprofundamento. Isso me fez pensar se não teria sido mais interessante focar em apenas um aspecto e seguir só com ele. Por fim, um outro ponto que não me agradou - mas, nesse caso, é algo bem pessoal - foi a escrita de Silvia Moreno-Garcia. Não consegui me conectar, achei tudo muito seco e sem emoção. Em uma história em que a tensão, a angústia e o medo desempenham um papel - inclusive para compreender melhor os personagens e suas atitudes -  esse distanciamento acabou por prejudicar a experiência. Como disse, não achei um livro ruim, mas para mim não funcionou.


Cidade de Vidro, Cidade dos Anjos Caídos e Cidade das Almas Perdidas, de Cassandra Clare | ★★★½

Cassandra Clare e seu universo dos Caçadores de Sombras se tornaram uma espécie de porto seguro para mim, um lugar para o qual gosto de ir quando preciso de algum tipo de conforto enquanto acompanho histórias mirabolantes que nem sempre fazem tanto sentido e que trazem elementos e personagens que têm tudo para me agradar. Justamente por isso, não costumo prestar muita atenção ao que muita gente poderia considerar defeitos ou algo com potencial de tornar a obra algo menor. Acho que a Cassie criou um dos mais legais universos na literatura jovem de fantasia e se tiver que lamentar algo, que seja a minha pedância millennial de achar que séries YA não são dignas da minha atenção. Em todo caso, já tendo sido alertada por fãs ávidos das obras da Cassie, comecei a ler Os Instrumentos Mortais no ano passado com a plena consciência de que essa é a primeira série da autora e, por isso, é considerada por muitos a mais "fraca". Estou adorando. De fato, é notável a evolução da escrita da autora em seus trabalhos posteriores - só li a trilogia As Peças Infernais -, mas isso não quer dizer que seu primeiro trabalho não tenha encanto. Particularmente, adoro o fato de que é uma história que acontece nos tempos atuais, com personagens que têm celulares, andam de metrô e em alguns momentos lidam com situações bem corriqueiras do século XXI.


Sobre os três livros, gostei do encerramento da primeira fase com Cidade de Vidro e fiquei intrigada pelo que viria na segunda parte da série. Falando de forma muito sincera, não comprei o vilão e, de forma geral, achei a ameaça toda bem enfadonha. As histórias de Cidade dos Anjos Caídos e Cidade das Almas Perdidas já estão misturadas na minha cabeça, então não tenho muito o que comentar de forma individual sobre cada um, exceto que gostei mais do livro 4; sinto que manteve o ritmo do anterior. Já o 5º volume foi bastante arrastado e acho que só não demorei mais porque aproveitei os momentos de afazeres domésticos para ouvir o audiobook. Clary e Jace se tornaram a parte de que menos gosto na história e, apesar de eles nunca terem sido os meus favoritos, nunca tive motivos para desgostar deles. Por outro lado, adoro as partes com Simon, Izzy, Maya e Jordan. Morri de preguiça do gancho de Cidade das Almas Perdidas, mas pretendo concluir a série antes do final do ano. 


Sailor Moon (volumes 1 e 2), de Naoko Takeuchi | ★★★

No ano passado, movi céu e terra para conseguir completar a minha coleção de Sailor Moon, que comecei a comprar em 2014 e, desde então, apenas havia lido até o volume 4. Assim, como uma das minhas decisões para esse ano era continuar lendo quadrinhos e mangás e a minha coleção finalmente estava completa, me pareceu o momento oportuno para realmente me jogar nessa série. Apesar de ter assistido o anime na minha infância, não tenho tantas recordações da história e até já esqueci - ou nem sequer sabia! - alguns detalhes, de forma que tudo nessa experiência é praticamente novo. Ou assim espero a partir do momento que chegar no volume 5. Por enquanto, gostei de reler esses dois volumes para refrescar a memória; mais uma vez, não os achei excepcionais, mas, além do carinho pelos personagens e pela história, acho tudo muito lindinho e adorável. 


Ascensão, de Stephen King | ★★
 
Que livro esquisito! Acho que dá pra dizer que é um livro mais ~good vibes~ do King e, por isso, achei uma leitura válida. É uma daquelas histórias com uma premissa curiosa, mas que não entrega muitas explicações. No fim, a história funciona mais como um veículo para uma mensagem que o autor queria passar. Tem vários aspectos que podem ser vistos como metáforas para situações ou ações. Gostei da criatividade, me fez refletir. Mas acho que poderia ser mais longo, pois assim teria mais desenvolvimento dos personagens. Não achei (nem de longe!) a melhor coisa do Stephen King que eu li, mas não me arrependo de ter lido e nem sinto que perdi tempo. Gostei da narração do audiobook, que é feita pelo próprio autor. ❤️


Crema, de Johnnie Christmas & Dante Luiz | ★★★★

Que surpresa boa que foi essa graphic novel! Gostei da capa e já que estava disponível no Prime Reading, resolvi ler. Não sabia nada da história e acho que foi melhor assim; tudo foi uma surpresa bem envolvente. Gostei muito da ambientação no interior de Minas Gerais, do elemento sobrenatural e da vibe meio telenovela que a história traz. A arte é realmente bem bonita e me fez me sentir transportada para os cenários, fiquei com vontade de beber café toda hora também. O romance é bem fofo e gostei muito do casal, mas acho que poderiam ter desenvolvido um pouco mais pelo menos a parte do começo da relação, pois ficou parecendo um amor instantâneo. E acho que é nesse ponto que vem a minha única crítica: alguns momentos são muito corridos. Não chega a ser algo que atrapalhe a experiência, mas acho que teria sido legal ter um pouco mais de desenvolvimento de alguns personagens e de algumas situações. Queria saber mais do passado das duas protagonistas, principalmente da Esme. Ainda assim, adorei a leitura e recomendo! Eu também queria muito spin-offs com as histórias dos fantasmas de Bela Alvorada 😁


BECK - Mongolian Chop Squad (volumes 1 - 11), de Harold Sakuishi | ★★★★★

Provavelmente a minha leitura favorita dos últimos três meses, definitivamente uma das melhores de 2021! Comecei a ler esse mangá despretensiosamente pelo Prime Reading e me apaixonei completamente pela história, pelos personagens, pelo humor, por tudo! Adorei a ideia de acompanhar a formação de uma banda de rock, os perrengues do início da carreira, assim como os mistérios relacionados a alguns personagens. A ideia do cachorro é ótima, eu vivo intensamente o sonho rockstar junto com o protagonista, morro de rir das situações nas quais ele se coloca ou é colocado...enfim, BECK - Mongolian Chop Squad é tudo para mim!

Ainda pretendo falar mais sobre essa leitura, até porque ainda tenho uns bons volumes para ler - ao todo, são mais de trinta e estão todos no Prime Reading/Kindle Unlimited -, mas enquanto esse dia não chega, fiquem apenas com a minha recomendação de uma história que mistura coming of age, slice of life, comédia, romance, mistério e rock. Leiam BECK, é bom demais. 


Laura Dean vive terminando comigo, de Mariko Temaki & Rosemary Valero - O'Connell | ★★

Lembro que quando essa graphic novel chegou aqui no Brasil, fiquei bem empolgada para ler, mas acabei perdendo o interesse com o passar dos meses. Se não fossem os comentários positivos da Ariel Bissett no podcast Books Unbound, acho que teria deixado para lá. Em todo caso, quando veio o Prime Day trazendo a versão digital por menos de dez reais, resolvi aproveitar e li no dia seguinte mesmo, de uma vez, e... acho que teria sido melho ter deixado pra lá mesmo. Não é nem que a graphic novel seja ruim, só achei mais do mesmo. Não sou o público ao qual a história se direciona, mas mesmo assim tentei compreender o porquê de tanto sucesso e, sinceramente, não entendi. Acho que talvez ela ressoe mais com o público adolescente, que ainda está se descobrindo e iniciando as suas primeiras experiências com relacionamentos. Além da arte lindíssima, gostei da representatividade e também do fato de que a autora aborda uma relação tóxica. Por outro lado, também senti que vários outros pontos levantados na história ficaram largados pelo caminho. No fim, foi apenas uma leitura ok.

18 de março de 2021

O primeiro trimestre de 2021: mudanças, novas intenções e leituras recentes

Março já está chegando ao fim e eu ainda não senti a menor disposição para sentar e gravar um vídeo conversando sobre o que li desde que 2021 começou, assim como as (muitas!) leituras que ficaram pendentes do ano passado. Ciente de que não tenho nenhuma obrigação e que o meu diário de leitura virtual é apenas uma coisa que faço como diversão e para registrar as minhas leituras, decidi aceitar as coisas como elas são e tentar me adaptar a esse estranho e imprevisível ritmo com o qual tenho operado. O canal está lá e não pretendo desativar nada em um futuro próximo, mas também não faço mais promessas de retorno. O que tiver que ser, será. Acho que uma das principais lições que aprendi desde que o mundo virou do avesso é que a gente precisa sempre respeitar o nosso ritmo, assim como nossos momentos e nossos ciclos. A vida é cheia de fases, nossas prioridades mudam e a gente tenta encaixar nossas paixões em novas rotinas do jeito que dá e da maneira mais saudável.

Ainda não sei como irei registrar as minhas leituras em 2021, mas sei que quero fazer algo um pouco mais consistente do que fiz no ano passado. Gosto de poder voltar aos meus registros de tempos em tempos para ver se algo mudou em minhas opiniões ou apenas para refrescar a memória que, depois de trinta décadas, já começa a falhar. A escrita e os blogs sempre foram as ferramentas com as quais me sinto mais confortável, aquelas com as quais tenho mais familiaridade, e é justamente por essas razões que é à elas que recorro agora. O mundo não está seguro e o momento é de desconforto, não há razão para complicar ainda mais as coisas tirando a leveza daquilo que sempre foi uma fonte de prazer e inspiração. Não sei se vai dar certo, mas quero tentar. 

***

Por aqui, o primeiro trimestre de 2021 foi marcado pela sensação de que nada mudou e que ainda estamos em 2020, o que me deixou bastante inquieta, frustrada e derrotada. Por isso, busquei leituras envolventes e, de forma geral, escapistas. A maioria de fantasia ou com elementos mágicos e/ou sobrenaturais, assim como algum aspecto de romance. Encontrei um dos livros mais legais que já li e forte candidato para a lista dos melhores do ano, fiz uma leitura realmente assustadora e comecei algumas que pretendo continuar nos próximos meses. Ao todo, foram 5 livros e 9 mangás - nenhum avaliado com menos de 3 estrelas, o que considero um indicativo de que foi um bom período de leituras.


Haroun e o Mar de Histórias, de Salman Rushdie | ★★★★
O livro que escolhi sem muita cerimônia para iniciar o ano e não consigo pensar em uma obra melhor para isso. Aqui temos uma história de fantasia com um protagonista juvenil que sai em uma aventura e só isso já seria meio caminho andado para que eu gostasse do livro, mas Salman Rushdie foi além e entregou uma história cheia de metáforas e lições importantes, principalmente sobre a liberdade de expressão e o poder das histórias. Falei melhor sobre a leitura nesse post e nesse vídeo de leituras recentes.

O Jardim das Palavras, de Makoto Shinkai e Midori Motobashi (arte) | ★★★
Até agora não sei dizer exatamente o que achei desse mangá. Achei que faltou algo e que talvez por isso eu não tenha conseguido me conectar totalmente com a história, ou talvez o momento da leitura não tenha sido o mais favorável. Ou talvez essa seja uma daquelas histórias sobre as quais a gente não consegue ter uma opinião definitiva sobre tudo. Acho que irei reler em algum momento. O mangá é uma adaptação do filme de mesmo nome e acho que fui capaz de ter uma visão mais completa da história depois que assisti. Se tivesse que escolher, diria que prefiro o filme porque acho que as cores e a trilha sonora contribuem mais para a atmosfera melancólica e reflexiva da história. Porém, acho que para ter uma noção completa de tudo, seria interessante conhecer as duas obras, já que fiquei com a sensação de que elas se completam.

Vampire Knight, de Matsuri Hino (volumes 12 a 19) | ★★★★
Depois de mais de dez anos, finalmente terminei de ler essa série. Gostei de algumas coisas, detestei outras. Alguns aspectos continuaram muito legais e outros envelheceram muito mal. No geral, gostei da experiência e de acompanhar a história, por mais confusa que ela tenha ficado nos últimos volumes. Vou sempre me lembrar de tudo com muito carinho porque foi o primeiro mangá com que tive contato. Ainda estou me decidindo se irei escrever algo sobre essa série, mas em todo caso quero deixar registrado que meus personagens preferidos são o Zero, o Aidou e o diretor Kurosu.

The Southern Book Club's Guide to Slaying Vampires, de Grady Hendrix | ★★★★★
O livro foi lançado no primeiro semestre de 2020 e desde então, eu estava bem curiosa. Fiquei adiando a experiência e optei por conhecer o autor por meio de um livro anterior, My Best Friend's Exorcism, que acabou sendo um dos meus favoritos do ano passado e me fez colocar Grady Hendrix na lista de autores para ler mais em 2021. Depois de finalmente ler, preciso dizer que o hype é merecido. O livro é ótimo, não só por ser bastante envolvente, mas também por trazer camadas que vão além daquilo que estamos lendo. É um thriller de vampiro, mas é bem mais que isso. Um dos meus favoritos do ano, pretendo falar mais sobre ele no futuro.

Helter Skelter - The True Story of  the Manson Murders, de Vincent Bugliosi e Curt Gentry | ★★★★★
Gosto muito de ler e assistir coisas sobre os anos 1960 nos Estados Unidos, principalmente sobre o fim da década, os movimentos de contracultura, as músicas, a moda, etc. Assim, era apenas uma questão de tempo até que eu chegasse à Família Manson e ao livro que, até onde sei, é a obra mais completa sobre os assassinatos Tate-LaBianca e os julgamentos dos assassinos. Há anos queria ler o livro e todas as expectativas criadas foram atingidas, pois valeu cada instante da longa leitura. É um livro exaustivo em alguns momentos, mas é muito interessante e envolvente. Já escrevi sobre ele aqui e recomendo bastante para quem gosta de true crime ou se interessa pelo assunto.

Anexos, de Rainbow Rowell | ★★★
Depois de dois livros mais grotescos, precisei buscar algo mais leve na estante e finalmente reencontrei a Rainbow Rowell. Anexos foi uma leitura gostosinha, aquela comédia romântica que aquece o coração e a que faz a gente torcer pelos personagens. Adorei a forma como a autora estruturou a narrativa e também a ambientação no fim dos anos 1990. Esse foi o primeiro trabalho que li da autora que não é direcionado ao público jovem adulto e fiquei feliz ao perceber que sigo gostando do do estilo dela e de suas histórias. Fiz esse post com as coisas que mais gostei no livro e agora estou determinada a ler os outros trabalhos da Rainbow que ainda não li.

The Brightest Star in the North - The Adventures of Carina Smythe (Meredith Rusu) | ★★★
Comprei esse livro companion quando o filme mais recente da franquia Piratas do Caribe estava para estrear nos cinemas em 2017; por ser um prequel, a intenção era ler antes de assistir ao filme, mas só fui tirar o livro da estante no último fim de semana. Acho que foi melhor assim, já que a última parte é praticamente uma romantização do filme e, por isso, é cheia de spoilers. Em todo caso, gostei da leitura. Não por ser algo excelente, mas por ser exatamente aquilo que se propõe a ser: uma história de origem da personagem Carina Smythe. Aqui é possível compreender melhor as motivações dela e o que a leva ao ponto em que a conhecemos no início do filme, gostei de alguns diálogos e vou carregar várias citações para a vida. Foi uma leitura divertida, que me transportou para um universo que eu adoro e me deixou com vontade de pesquisar mais livros com piratas.