Li Stalking Jack The Ripper, de Kerri Maniscalco, pela primeira vez há alguns anos e achei bem decepcionante. Mas como a passagem do tempo e a mudança de perspectiva pode fazer muita coisa por uma experiência de leitura frustrada, resolvi dar uma segunda chance em 2025 e não me arrependi da decisão. Não só tive uma experiência muito mais satisfatória com o livro, como também encontrei uma das minhas histórias (e séries) favoritas.
🔪 Sobre o que é?
Uma jovem fascinada por medicina forense, ciência e morte que decide investigar uma série de assassinatos que começam a aterrorizar Londres, em 1888, e que passariam a ser atribuídos ao infame Jack, o Estripador. O livro - o primeiro em uma série - é uma releitura ficcional dos assassinatos de Whitechapel, na qual acompanhamos a perspectiva de Audrey Rose, uma jovem que cultiva um interesse genuíno pelo assunto, mesmo sabendo que isso desafia tudo o que se espera de uma moça respeitável da época. Junto com Audrey estão o Dr. Jonathan Wadsworth, seu tio e também renomado professor universitário e médico legista, e seu assistente, o charmoso e intrigante Thomas Cresswell (e eu adiciono também que ele tem uns ares de Sherlock Holmes, se o personagem de Conan Doyle fosse parte do elenco jovem de uma história de detetives).
Com uma atmosfera sombria, livro mistura mistério, suspense e um pouco de crítica social, explorando o contraste entre razão e moralidade, ciência e repressão, especialmente no que diz respeito ao papel das mulheres naquele contexto histórico. Mais do que apenas descobrir quem é o assassino, a narrativa se concentra na jornada de uma protagonista que tenta entender o mundo e a si mesma em meio a tanto horror.
🔪 O que mais gostei?
Provavelmente, a ambientação e a forma como a autora conseguiu me transportar para Whitechapel no outono de 1888, com toda a atmosfera de medo é suspeitas. Ao ler sobre o caso real de Jack, o Estripador, achei impossível não sentir uma sensação de desolação e desespero pela situação muito real e apavorante daquelas pessoas, em especial as vítimas daquele monstro. De certa forma, Kerri Maniscalco conseguiu capturar um pouco dessa sensação, mas por meio da destemida Audrey Rose, não nos sentimos tão impotentes diante da tragédia. A personagem consegue fazer o que nos não podemos.
Claro, é ficção e a gente sabe que a realidade dos fatos é muito pior. Mas não é um pouco sobre isso que trata a literatura e suas infinitas possibilidades? Poder brincar de detetive e encontrar a solução para mistérios até hoje ocultos? Gostei de como a autora conduz a história e tenta encontrar as respostas.
Também gostei que, mesmo tomando devidas liberdades e se utilizando de recursos que possam parecer meio anacrônicos àqueles que gostam de coisas "mais realistas" (e, a meu ver, menos divertidas), ainda assim é possível se identificar com Audrey - claramente uma jovem à frente de seu tempo.
O romance também é um ponto que merece destaque. Mesmo que não seja um ponto central do livro, é algo presente e que não deixou de me intrigar e interessar. Thomas Cresswell é aquele tipo de male lead que a gente adora e detesta ao mesmo tempo, mas a maior parte do tempo a gente adora.
🔪 O que pode ser motivo para não gostar?
Sinceramente, acho que o livro é exatamente o que se propõe a ser: uma história de mistério e detetive ambientada na era vitoriana, mas feita para uma audiência atual e, de preferência, jovem (o livro é classificado como Young Adult). Então, se você não se interessa por esse tipo de coisa, acho que justamente esses elementos podem ser motivos para não gostar. Mas acho que, nesse caso, o ideal é pesquisar um pouco sobre o livro antes de decidir ler.
Outro ponto que pode ser motivo para descontentamento é o fato de que o livro encerra com pontas soltas, que devem ser resolvidas nos próximos volumes da série. Se você gosta de livros únicos, então isso pode ser um problema.
🔪 Recomendo para quem?
Pessoas que gostam de histórias ambientadas em Londres durante o século XIX; pessoas que gostam de histórias de detetives; pessoas que se interessam pelo caso de Jack, o Estripador e gostariam de ler ficção tendo o caso como pano de fundo e, muitas vezes, motivador da história; pessoas que já leram a trilogia The Madman's Daughter (Megan Shepherd) e gostam da protagonista; pessoas que gostam de histórias de mistério com um pouco de romance; pessoas que gostam de protagonistas femininas espertas, divertidas e determinadas - muitas vezes teimosas também.
🔪 Considerações finais:
Como mencionei no início do post, a primeira leitura que eu fiz não foi tão prazerosa. Em partes, acho que foi o momento pessoal, mas também acho que não ter muito conhecimento sobre o caso de Jack, o Estripador, desempenhou um papel na minha primeira impressão da história. Não acho que esse seja um problema para todos, mas foi para mim. Então, se eu puder deixar um conselho é que o leitor pesquise minimamente sobre o caso antes de ler.
Nota: ⭐⭐⭐⭐
