17 de junho de 2013

O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald)

Em O Grande Gatsby, Nick Carraway narra uma série de acontecimentos que marcaram a sua vida no verão de 1922, quando se mudou de sua cidade natal no oeste dos Estados Unidos para Long Island. Vivendo em um chalé simples, mas rodeado por mansões na vizinhança, logo no início de sua narrativa, Nick se impressiona com o luxo e a movimentação na casa de seu vizinho, Jay Gatsby, um homem sobre o qual todos ouviram falar, mas que ninguém conhece. Rola toda uma aura misteriosa a respeito desse sujeito.

Gatsby é famoso na região pelas festas absurdamente badaladas e luxuosas que oferece em seu "pequeno" castelo para todos aqueles que quiserem comparecer aos eventos. Ao contrário do que acontece com todos os que aparecem nas festas de Gatsby, Nick recebe um convite assinado pelo próprio anfitrião, que insiste para que ele compareça à próxima festa. Curioso e com um certo receio, Nick resolve ir e, ao chegar lá, se surpreende ao descobrir que praticamente ninguém conhece Gatsby e muitos sequer o viram.

Além do vizinho peculiar, excêntrico e completamente desconhecido, Nick vai nos apresentar à Daisy, sua prima distante e rica que casou com um homem igualmente rico; Tom, o marido de Daisy; e Jordan Baker, uma jogadora de golfe famosa e amiga de longa data de Daisy. Já no começo da narrativa, descobrimos que a vida matrimonial de Tom e Daisy não é tão perfeita quando parece, mas sim rodeada de segredos. E o único que parece ter conhecimento dos segredos é Nick, o narrador/observador. 

***

Conhecido por retratar a chamada Era do Jazz em suas obras, Fitzgerald publicou O Grande Gatsby em 1925, um período em que os Estados Unidos viviam a prosperidade econômica, antes do grande crash da bolsa de valores em 1929. Apesar de retratar a vida luxuosa e cheia de glamour da alta sociedade, a obra também faz uma sutil crítica ao materialismo e a superficialidade presentes na vida das pessoas dessa elite.

No que diz respeito à narrativa do livro não posso mentir. Na primeira vez que li, no ano passado, levei semanas para vencer os três ou quatro capítulos iniciais, que se arrastavam em uma narrativa lenta, sem muitos acontecimentos e que parecia não levar a lugar algum. Felizmente, as coisas melhoraram quando Gatsby entrou na história e me apaixonei pelo livro. Recomendo a leitura à todos que gostam de conhecer os clássicos, ou que tenham a curiosidade de conhecer Fitzgerald, ou que estejam curiosos para assistir ao filme.✦

Esta leitura também faz parte do desafio The Rory Gilmore Reading Challenge.


6 de junho de 2013

A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra (Robin Sloan)

Comprei um Kobo. Em abril finalmente resolvi abandonar as minhas concepções não muito claras a respeito dos e-readers e comprei um Kobo. Mas esse post não tem nada a ver com o meu Kobo, apenas com a minha primeira leitura realizada com ele. Desde que fiquei sabendo da existência de A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra, de Robin Sloan, fiquei curiosa para conhecer a história ali narrada e seus personagens. Com a minha nova aquisição em abril pensei com meus botões e decidi que este seria o melhor livro para estrear o Kobo. Minhas expectativas eram muita altas. Em relação a ambos, livro e e-reader. Apenas um deles correspondeu às expectativas: o Kobo.


Gostaria de deixar bem claro que não detestei a leitura. De forma alguma. O livro é divertido, interessante e até me fez rir com algumas passagens, mas ainda assim não me ganhou. Sabe quando você abre o freezer, naquele dia em que a temperatura se iguala à do deserto do Saara, e encontra aquele pote de sorvete lindo te esperando e aí, você vai todo alegre e serelepe abrir o pote só para se frustrar ao descobrir que, na verdade, era feijão? Pois então, foi mais ou menos assim que me senti em relação ao livro de Robin Sloan. Queria sorvete de flocos e ganhei feijão congelado. 

O livro traz a história de Clay Jannon, um jovem web-designer desempregado que se vê obrigado a mudar de carreira por conta da recessão econômica que atingiu os EUA em 2008. Ele conseguiu um emprego como funcionário da Livraria 24 horas do Mr. Penumbra, um velhinho estranho e misterioso. Clay fica responsável pelo turno que vai das 22h até às 6h, o que, a princípio, acha incrível já que ninguém deve frequentar livrarias durante este horário. Entre as regras do novo emprego, duas chamam a atenção de Clay: 1) ele deve manter um registro de todas as pessoas que entrarem na loja e esse registro não deve conter apenas o nome do cliente, mas uma descrição física do mesmo, assim como as roupas que estiver vestindo; 2) não deve, sob hipótese alguma, mexer nos livros que ficam no alto de uma estante.

Logo na primeira noite de trabalho, Clay percebeu que, ao contrário do que pensava, a livraria tinha clientes durante o horário de seu turno. Clientes que fugiam do normal, pois todos tinham uma aparência estranha - alguns meio paranoicos - e sempre pegavam livros da seção que Penumbra o proibira de mexer, a qual Clay passou a de chamar de "registro pré-histórico", pois eram livros muito, muito, muito, muito antigos. A loja, além de funcionar como um livraria e um sebo, parece ter uma função parecida com a de uma biblioteca, pois esses clientes alugavam os livros do registro pré-histórico e, depois de alguns dias, os devolviam e pediam outros.

Mesmo sabendo que não estava autorizado a mexer naqueles livros, Clay resolveu desobedecer a regra...E eu vou parar por aqui, porque não quero estragar a narrativa para aqueles que se interessaram pelo livro. O que posso dizer é que Clay se interessa pelo que encontrou nos livros e embarca em uma "investigação" a respeito da livraria, do Mr. Penumbra e de seus clientes. E ele não faz isso sozinho, pois vai contar com a ajuda de um amigo bilionário e uma menina hacker que trabalha para o Google.

Agora, vamos aos motivos que me fizeram não gostar tanto de A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra quanto eu queria ter gostado. O primeiro deles é o rumo em que a história começa a caminhar; esperava que fosse seguir uma linha, mas me enganei e a coisa é completamente diferente do que eu imaginei que seria. Estava esperando algo meio Agatha Christie e se você pensou o mesmo, pode ser que se frustre também. Na verdade, o que encontrei foi algo entre o RPG - assunto sobre o qual não entendo e não posso falar - e algo que realmente não sei definir. Outra coisa que me incomodou foi a superficialidade dos personagens. Eu gosto de personagens bem construídos, daqueles que a gente conhece a história e se sente próximo, sabe? No entanto, a história de Robin Sloan não precisa de personagens muito aprofundados e, se parar para pensar, até que a superficialidade deles foi boa para o andamento da narrativa. Mas ainda assim, não gostei.

Ainda assim, o livro trouxe algumas questões convidativas à reflexão, como, por exemplo, o conflito entre o conhecimento antigo (armazenado em livros) e o conhecimento novo (internet) e a forma como hoje mudamos a nossa forma de buscar informações - o bom e velho "ah, joga no Google" -, assim como as obtemos de forma bastante superficial. Outra questão que me atraiu foi a discussão a respeito de uma possível substituição dos livros físicos pelos e-books; achei isso incrível, já que estava lendo no Kobo.

Em linhas gerais, para mim, A Livraria 24 do Mr. Penumbra foi um bom entretenimento e nada além disso. Gostaria de ter amado este livro como muita gente amou, mas não foi o que aconteceu. Não rolou química entre o livro e esta que vos escreve. No entanto, ainda recomendo a leitura para aqueles que se interessaram pela história; pode ser que outros achem interessante justamente aquilo que não me agradou.

4 de junho de 2013

A Pirâmide Vermelha (Rick Riordan) | As Crônicas dos Kane, livro #1



A Pirâmide Vermelha é o primeiro livro da trilogia As crônicas dos Kane, de Rick Riordan ( mesmo autor de Percy Jackson e os Olimpianos). Assim como acontece nas outras séries do autor, aqui também vamos lidar com mitologia; dessa vez, a egípcia. 

Carter e Sadie Kane - com 14 e 12 anos, respectivamente - são irmãos que foram criados separadamente após a morte misteriosa de sua mãe. Enquanto Sadie foi para Londres morar com os avós maternos e levar uma vida mais próxima do que pode ser considerado normal, Carter ficou com seu pai, Julius, um egiptólogo - que é tipo um arqueólogo especializado em Egito -, vivendo em Los Angeles. Por conta de sua profissão, Julius estava sempre viajando e, consequentemente, arrastando o filho para toda sorte de sítios arqueológicos.

De acordo com a decisão tomada no tribunal, Julius só poderia ver a filha duas vezes AO ANO - gente, o que é isso? - e é justamente em uma dessas visitas que a narrativa de A Pirâmide Vermelha começa. É véspera de natal e Julius e Carter vão buscar Sadie na casa dos avós para passarem um adorável momento familiar - só que não, porque Carter e Sadie são praticamente estranhos um para o outro e a garota não é muito próxima do pai - e Julius decide levá-los ao...Museu Britânico, para ver a seção de artefatos egípcios. Numa das raras ocasiões que tem para estar na companhia dos dois filhos. No Natal. É. (Legal esse Julius ¬¬').

Ao chegar ao museu, Julius se dirige à sala em que se encontra a Pedra da Roseta, um artefato egípcio muito importante para a compreensão dos hieróglifos. Ele pede aos filhos que esperem no corredor e que não entrem na sala. Mas é claro que Carter e Sadie desobedecem e acabam encontrando pai realizando um ritual que acaba por libertar cinco deuses do Antigo Egito: Osíris, Horus, Isís, Néftis e Set. Quando isso acontece, Julius encontra tempo apenas para gritar aos filhos que fujam, antes de ser aprisionado por Set, o deus do caos, em circunstâncias que prefiro não revelar.

A partir de então, a vida de Carter e Sadie Kane vai mudar completamente e nós, leitores, somos convidados a acompanhar as suas aventuras/desventuras, aprendendo sobre a cultura e os mitos egípcios, enquanto os irmãos lutam contra o tempo para derrotar Set libertar seu pai.

No que diz respeito à narrativa, ela é contada em primeira pessoa pelos irmãos Kane, de forma alternada: dois capítulos do Carter e dois capítulos da Sadie, se revezando. Achei isso bem interessante, mas, em alguns momentos, encontrei dificuldade para saber quem era o narrador. Mesmo Carter e Sadie tendo personalidades bem diferentes, nas narrativas isso não fica muito claro. Mas nem por isso a narrativa deixa de fluir bem.

Recomendo a leitura para aqueles que, como eu, adoram uma aventura infantojuvenil cheia de ação, mistérios, magia e reviravoltas. Certamente irei ler as sequências.✦

15 de maio de 2013

Quem é você, Alasca? (John Green)



Quem é você, Alasca? é o primeiro de John Green, publicado em 2005, e nos traz a história de Miles, um adolescente introspectivo e sem muitos amigos - um wallflower. Ele gosta muito de ler biografias e memorizar as últimas palavras de pessoas importantes. A sua preferida é uma frase dita pelo padre e escritor do Renascimento François Rabelais: "Vou em busca do Grande Talvez". Intrigado, Miles decide ir para um colégio interno longe de casa, à procura de seu Grande Talvez.

No colégio, o protagonista logo faz amizade com seu roomate, Chip - que prefere ser chamado de Coronel -, e por meio dele, conhece Alasca, por quem se apaixona quase a primeira vista. Alasca é aquilo que poderíamos chamar de uma pessoa "de lua"; em alguns momentos é extremamente divertida, extrovertida e comunicativa; em outros, se torna completamente autodestrutiva, introspectiva e se afasta de tudo e de todos. Sempre à procura do significado do Labirinto mencionado por Simón Bolívar antes de morrer, Alasca é um mistério para Miles. Um mistério que ele tenta decifrar durante o livro.Vale mencionar que a narrativa não foca somente na relação (?) entre Miles e Alasca. O leitor também é convidado a conhecer o cotidiano do colégio. Por meio das aulas com Mr. Hyde, Miles e o leitor passam a levantar questões a respeito de fé e religião - meio no estilo O apanhador no campo de centeio - ; acompanhamos também a vida dos adolescentes fora do colégio, seus conflitos, dúvidas e descobertas.

Quem é você, Alasca? é voltado para um público mais adolescente. Mas isso não quer dizer que não tenha uma certa profundidade. Muito pelo contrário, ao lê-lo muitas vezes me peguei recordando os tempos em que o único que me entendia era Holden Caulfield - do já mencionado O apanhador no campo de centeio - e concluí que assim como As vantagens de ser invisível, esse era mais um livro que gostaria de ter lido quando era mais nova.

Recomendo a leitura de Quem é você, Alasca? para aqueles que gostaram dos livros que falei acima e para aqueles que gostam de histórias de adolescentes com mais profundidade, no estilo The O.C., por exemplo. Acho interessante mencionar que, mesmo que tenha sido escrito por John Green e que os personagens principais sejam adolescentes, Quem é você, Alasca? é bem diferente de A culpa é das estrelas. Claro que a escrita divertida e sarcástica do autor se faz presente em ambas as narrativas, mas, a meu ver, acho bem mais fácil se identificar com os personagens da estreia de John Green.✦

8 de maio de 2013

O Diário de Anne Frank (Anne Frank)

Minha história com O Diário de Anne Frank data desde os tempos do colégio, quando à aulas de História e, por alguma razão completamente desconhecida, resolveu colocar na cabeça que o diário acima mencionado tratava, na verdade, de relatos horrendos e assustadores do que acontecia em campos de concentração. Por essa concepção errônea, acabei me privando de ler um dos mais influentes livros do século XX.

A edição em que li é uma anterior lançada pela mesma editora.


Caso alguém não saiba, Anne Frank foi uma menina judia alemã que vivia em Amsterdã, na Holanda, junto com seus pais e sua irmã mais velha, Margot. O motivo de ter abandonado a sua terra natal se deu porque, em 1933, o nazismo já estava ascendendo na Alemanha e a família Frank teve que se mudar para a Holanda, onde viveram bem e em segurança até 1942, quando foram obrigados a abandonar a vida que conheciam para viver em um esconderijo atrás de um armazém que, mais tarde passou a ser chamado de Anexo Secreto. O motivo para a brusca mudança se deve à ocupação nazista na Holanda. Além dos quatro integrantes da família Frank, ainda estavam abrigados lá a família Van Dan - pai, mãe e o filho, Peter - e o dentista Albert Dussel (os nomes dos integrantes do Anexo Secreto foram mudados no diário, com exceção da família Frank).

Durante dois anos, essas oito pessoas viveram ali, em situações precárias e, por precárias eu quero dizer, REALMENTE precárias, em que não podiam usar o banheiro durante o dia, o que os obrigava a fazer suas necessidades biológicas em vasos e/ou baldes, que ficariam no local até que alguém pudesse sair para se livrar de tudo; passavam meses comendo apenas batatas e/ou couves, muitas vezes já estragadas; entre outras que prefiro não contar para não estragar a leitura de quem ainda não conheceu o diário. No período de dois anos, Anne Frank relatou em seu diário a situação que estava vivendo no Anexo Secreto, acrescentando informações sobre o que estava acontecendo no mundo, de acordo com o que escutava no rádio.

Além dos relatos da guerra e do cotidiano do Anexo Secreto, o leitor também tem acesso aos pensamentos mais íntimos da garota de 13 anos que amadureceu muito rápido durante um período de dois anos. Em meio a comentários sobre a sua sexualidade, a descoberta do amor e as confissões e desabafos a respeito do que pensava de sua família - especialmente de sua mãe, com quem, claramente, tinha muitos problemas -, fica claro que Anne tinha uma personalidade muito forte e era incompreendida por aqueles que a rodeavam. 

No início de 1944, o primeiro ministro holandês, que estava exilado na Inglaterra, fez um pronunciamento no rádio pedindo a todos os holandeses que mantivessem uma documentação - cartas e diários - do que estava acontecendo no país durante aquele período para que, depois da guerra, pudessem ser recolhidos como material histórico. Ao saber disso, Anne resolveu organizar as anotações em seu diário, acrescentando informações de valor histórico, com a intenção de publicar um livro quando a guerra chegasse ao fim.

Todos sabem o desfecho dessa história: Anne Frank não sobreviveu para ver a sua história publicada, porque em 1944, soldados nazistas encontraram o Anexo Secreto e prenderam as oito pessoas que ali viviam. Posteriormente, Anne e Margot foram separadas dos pais e enviadas para outro campo de concentração, onde acabaram morrendo de tifo em 1945. O Diário de Anne Frank sobreviveu graças à Miep Gies, a esposa de um dos donos do armazém que escondia o Anexo Secreto; ela encontrou o diário de Anne e o escondeu até o final da guerra, quando, só após saber da confirmação da morte de Anne, o entregou a seu pai, Otto Frank, que publicou o diário da filha em 1947. 

Como pude constatar ao fim de minha leitura, O Diário de Anne Frank não é o relato das atrocidades que aconteceram nos campos de concentração. Mas isso não o torna menos triste e, de certa forma, perturbador. Anne era uma menina de 13 anos como muitas outras, cheia de sonhos que jamais se realizaram. Hoje, além de me arrepender profundamente por ter demorado tanto para ler o relato de Anne Frank, compreendo o motivo de o livro ainda vender tanto. As futuras gerações precisam ter consciência do que foi o período em que este livro foi escrito - marcado pela violência das guerras, pela intolerância, pelo nazismo -, para que jamais deixem a humanidade chegar a tal ponto. Precisam entender que hoje sabemos quem é Anne Frank, mas que nas valas comuns dos campos de concentração, muitas e muitos outros Annes Franks foram enterrados, suas vidas findadas e suas histórias jamais conhecidas.

Finalizo este texto recomendando a leitura de O Diário de Anne Frank à todos. Mesmo que não seja o tipo de leitura que vocês gostam, acho que vale a pena sim sair da zona de conforto, porque este diário merece atenção. É o tipo de leitura que incomoda, mas que faz bem.