19 de fevereiro de 2019

The 80's Nostalgia - Vol. 3: mais uma seleção de músicas para sentir saudades da década que não vivi, mas considero pakas


#01 The Look - Roxette
#02 Hungry Like The Wolf - Duran Duran
#03 Wait - The Jacksons 
#04 Runaway - Bon Jovi
#05 Edge of Seventeen - Stevie Nicks
#06 Take Me Home Tonight - Eddie Money
#07 I Still Haven't Found What I'm Looking For - U2
#08 Never Ending Story - Limahl
#09 Forever Young - Alphaville 
#10 Part-Time Lover - Stevie Wonder 
#11 I Wanna Dance With Somebody - Whitney Houston
#12 The Best - Tina Turner
#13 Dancing In The Dark - Bruce Springsteen 
#14 Baby Be Mine - Michael Jackson 
#15 I Drove All Night - Cindy Lauper
#16 Heaven - Bryan Adams 
#17 I Want To Know What Love Is - Foreigner 
#18 Live To Tell - Madonna
#19 The Sun Always Shines on TV - a-ha
#20 So Far Away - Dire Straits

15 de fevereiro de 2019

As músicas de janeiro | Boletim Musical #03

FELIZ ANO NOVO! Gostaria de fazer um post reflexivo sobre a virada do ano, sobre os primeiros aprendizados de 2019 e sobre os acontecimentos de janeiro, que foi um mês bem gentil no departamento pessoal. Mas resolvi escrever sobre música. Enquanto a retrospectiva musical não sai,  pensei em fazer uma lista com as músicas que mais marcaram o meu início de ano.


🎧You Better Run (Liam Gallagher, As You Were, 2017)
Todo ano, logo após a virada, eu tenho a tradição de colocar meus fones de ouvido, ativar o shuffle e deixar que o ~destino~ escolha qual música ficará marcada como a trilha sonora do início de um novo ciclo. Como a minha virada para 2019 foi meio zoada - fato pouco surpreendente depois do caótico 2018 -, fiquei impressionada com o timing do modo aleatório ao me lembrar dessa música do Liam Gallagher, que encaixou perfeitamente com o momento e, de certa forma, me proporcionou um sopro misto de raiva e também vontade de continuar resistindo, acreditando que tudo vai passar e dias melhores virão. Adoro o refrão, principalmente o trecho em que ele canta angels, give me shelter / 'Cause I'm about to fall / Stone cold, Helter Skelter / I'm not afraid / I'm gonna face you off.

🎧Lust For Life (Lana Del Rey feat. The Weeknd, Lust For Life, 2017)
Não sei se demorei para entender o hype, ou se é porque agora eu adoro The Weeknd, mas o fato é que só recentemente reconheci o quão maravilhosa é essa música. Amo como as vozes da Lana e do Abel  soam bem juntas, adoro a melodia, ADORO DEMAIS a letra com referências que me fazem pensar em old Hollywood e Nelson Mandela (!) em de forma geral, amo a vibe da música como um todo. Tem um imediatismo, uma percepção de que vivemos apenas uma vez e a vida é curta, então é melhor viver cada dia como se fosse o último, sem arrependimentos, yada yada yada. And a lust for life keeps us alive.

🎧Oxygen (Dirty Heads, Dirty Heads, 2016)
Essa música, que música, melhor música. MUITO SUMMER GOOD VIBES - mesmo com a letra com um quê de melancolia. Eu amo quando uma música consegue me transportar para algum lugar e acho impossível ouvir Oxygen sem me sentir na praia, escutando as ondas do mar, sentindo cheiro de areia e brisa marítima. Aí, quando eu realmente ouvi a música nessas circunstâncias, ela me ganhou de vez. Agora vou fazer questão de escutar em todos os verões. People shouldn't change like the weather, man / People shouldn't change if they're innocent.

 🎧Chill (The Rasmus, Into, 2001)
Nos últimos meses do ano passado, me lembrei do quanto amo The Rasmus e como a banda marcou a minha adolescência. Ao descobrir que toda a discografia deles está disponível no Spotify, fiquei bem empolgada para conhecer os discos mais antigos, da época antes de eles serem ~góticos suaves~ e fazerem sucesso aqui no Brasil. Logo que ouvi Chill pela primeira vez, minha única reação foi amar imediatamente, pois que vibe gostosinha de fim de tarde preguiçosa de verão. Pouco absorvi da letra, que, sinceramente, nem sei sobre o que trata, além de parecer refletir algum tipo de fase de transição (?). São questões. Mas amo demais e não acredito que Lauri Ylönen, além de meu muso gótico, agora será meu muso praiero também.

 🎧Someone's Gonna Light You Up (The Rasmus, The Rasmus, 2012)
Mais uma de The Rasmus, essa aqui é da fase pós-gótica. Além de choque depois de descobrir que não, o disco de 2017 não era o primeiro no que eu achei que fossem quase dez anos de hiatus, confesso que demorei para realmente me deixar levar pelo disco. Mas quando me entreguei, foi de corpo-alma-e-coração e culpa é todinha dessa música, que virou a minha primeira favorita. Analisando agora, acho que isso aconteceu porque a música reúne alguns dos elementos que encantaram meu eu de 14 anos, que conseguiu enxergar toda uma sensibilidade por trás de todas aquelas roupas pretas, delineadores, crucifixos  e penas pretas de corvo (!!!!!). Adoro que a música consegue ser agressiva e sensível ao mesmo tempo. Adoro a letra fofinha que dialoga com Shot - exaustivamente exibida na MTV Brasil em meados de 2006/2007 e que merecia um clipe melhor - e amo a parte que Lauri canta It's gonna be okay, hush hush / And there will be a day when, don't rush / Someone's gonna light you up. ♥

🎧I'm With You (Bon Jovi, What About Now, 2013)
Essa música é a surpresa do mês, já que não sabia de sua existência até o momento em que coloquei um show aleatório do Bon Jovi para me fazer companhia enquanto lidava com afazeres domésticos. Uma coisa que eu realmente admiro na banda é a sua capacidade de adaptar seu estilo de acordo com a década. Essa música, por exemplo, é bem diferente das baladas que fizeram sucesso nos anos 80 e 90, soa como algo mais recente, ainda que não necessariamente igual aos rocks de hoje (menino Rock tá respirando com ajuda de aparelhos, coitado) e, de forma geral, é uma baladinha Bon Jovi não romântica (acho) bem gostosinha de escutar. Aliás, Jon Bon Jovi é um homão, não?

🎧I'm a Mess (The Rasmus, The Rasmus, 2012)
The Rasmus de novo! Tenho quase certeza de que quando escutei essa música pela primeira vez, enquanto assistia ao clipe, me senti um tanto incomodada e é bem possível que não tenha gostado. A verdade é que acho que meu cérebro bugou um pouco com a estética ~gótica moderna~ e a sonoridade mais pop com efeitos eletrônicos. Porém, uma vez que entendi que era essa a vibe do disco todo e pude apreciar as músicas pelo que elas são, amei demais I'm a Mess. Acho de uma sinceridade enorme que Lauri cante sobre reconhecer que ele é uma bagunça e que causa sim dor à quem ama. Na real, acho essa música toda bem triste. I don't know who I am / Am I even human? / Every night I sell my soul.

🎧Get Right (Weezer, Pacific Daydream, 2017)
Daí, eu lembrei que gosto de Weezer e fui conferir o lançamento mais recente - além do sensacional disquinho de covers que saiu em janeiro -, apenas para me apaixonar completamente por todas as músicas. Essa aqui foi a primeira que se destacou para mim e, logo que escutei, pensei em The O.C. - não me perguntem o porquê, pois não saberia responder; apenas acho que seria o tipo de coisa que encontraríamos no iPod da Marissa. Tudo nessa música é excelente e não vou dizer mais nada. Acho que todo mundo deveria ouvir.

🎧Beach Boys (Weezer, Pacific Daydream, 2017)
Mais uma do álbum do Weezer que adorei e não entendi porque teve gente que não gostou. Achei divertida, gostosinha, cheia de vibes de verão e, de forma geral, difícil de enjoar. Além disso, amei o trecho It's a hip hop world and we're just the furniture. 

🎧That's All I Need (Dirty Heads, Dirty Heads, 2016)
Impossível escutar essa belezinha e não sorrir! Que música boa e ensolarada! Mais uma que é ótima para dias de sol e piscina. Dirty Heads é uma das minhas descobertas musicais recentes favoritas e, se essa frente fria passar e me devolver o verão, pretendo escutar mais trabalhos da banda.

9 de janeiro de 2019

AS MELHORES LEITURAS DE 2018 | RETROSPECTIVA 2018


2018 chegou ao fim e, finalmente, podemos virar a página para dar início ao novo ano! Mas antes de começar com metas, listas e desafios, que tal relembrar os melhores momentos do meu 2018 literário? Em dezembro, postei as minhas dez leituras preferidas lá no Instagram, mas como gosto de ter registros um pouco mais elaborados decidi escrever este post para poder explicar melhor as coisas.

Não li tanto quanto gostaria, mas li o suficiente. E o melhor de tudo é que não aconteceu de eu odiar completamente alguma leitura; ou seja, 2018 foi um ano de 3 estrelas para cima! Agora, sem mais delongas, vamos aos felizardos escolhidos como os melhores livros que li no ano passado!

As leituras não estão em ordem de preferência, apenas as organizei de forma cronológica. 

Michael Jackson: The Magic, The Madness, The Whole Story (J. Randy Taraborrelli)
Sinto que falei bastante sobre esse livro e sobre seu assunto central ao longo de 2018. Nunca escondi de ninguém o quanto gosto de ler sobre personalidades marcantes do entretenimento e ler sobre aquele que considero o maior artista de todos os tempos foi uma experiência incrível. Não só porque gostei de saber sobre acontecimentos de sua vida, mas também porque me fez perceber o quanto gosto de tudo o que Michael Jackson representa e o quanto um artista como ele faz falta. Ainda quero falar melhor sobre a leitura, mas enquanto isso não acontece, já deixo aqui a minha recomendação. Leitura indispensável para quem é fã do Rei do Pop. 

Esse é aquele livro que, mesmo depois de meses, ainda está na minha mente. Tudo na leitura de As Garotas me fascinou e posso dizer com segurança que irei reler algum dia, já que senti uma vontade imediata de fazê-lo logo que virei a última página. Pensando bem, percebo que não tinha como eu não gostar do livro, uma vez que ele é um coming of age ambientado em sua maior parte nos anos 1960 e traz a história de uma menina que se envolve com um culto estilo Família Manson. É o tipo de história que você já começa a ler sabendo que vai ser trágica e, mesmo assim, não consegue não amar tudo a respeito dela.

Uma das minhas metas para 2018 era conhecer Stephen King "de verdade" e não poderia ter escolhido livro melhor! Joyland é um livro curto, mas que reúne tudo aquilo que fez muita gente se tornar fã do King - pelo menos é isso que entendi pesquisando na internet. É uma história com mistério, algum elemento sobrenatural, uma narrativa bastante envolvente, personagens interessantes e intrigantes, além de trazer também um quê de coming of age. Mais um que terminei de ler já sabendo que um dia irei reler.

Eu nem sabia que gostava de mitologia de fadas até ler essa belezinha que só descobri graças ao Kindle Unlimited. A história em si é bem simples e tem ares de contos de fadas moderno, mas tudo é tão fascinante! Logo no início, fui fisgada pela escrita gostosa de Holly Black, que me fez ficar presa à tela do Kindle, e não demorei muito para me sentir completamente imersa naquele universo. Ah, e eu amei os personagens!

Desde que vi o Vitor divulgando a capa do livro lá no Twitter, fiquei curiosa. Aí, quando duas amigas minhas começaram a ler, não perdi a oportunidade de ler junto e que bom que fiz isso, pois amei a leitura. Aqui, o que mais se destacou para mim foi a voz do Vitor. Ele escreve de um jeito dinâmico que envolve o leitor. A história de Jonas e Arthur é uma delicinha de acompanhar e, ainda que o livro aborde temas tristes, ele o faz de forma leve e divertida. Torço muito para que tenha alguma continuação e, principalmente, para que o Vitor escreva mais sobre Bart e Tod.

O desfecho da trilogia que começa em A Rebelde do Deserto foi tudo o que eu imaginei e ainda mais. Até agora fico meio alucinada com a quantidade de informação que a autora colocou no último livro, desde o universo em que a história acontece, passando pela mitologia dos gênios, até o desfecho cheio de reviravoltas. Raramente acontece de eu chegar ao fim de uma trilogia - principalmente young adult - sentindo vontade de ler mais e mais histórias com os mesmos personagens, mas aqui isso aconteceu. Não queria dizer adeus para Amani, Jin, Shazad e toda a magia de Miraji. Recomendo bastante a leitura para quem gosta de fantasia estilo Aladdin e com bastante aventura.

A Incendiária (Stephen King)
Mais um livro do King! Confesso que não havia percebido o quanto gostei de A Incendiária até chegar ao final e começar a sentir saudades dos personagens. A história é cheia de ação, mas, de forma bem curiosa, muitas vezes a narrativa assume um ritmo mais lento. No início, isso me incomodou, mas depois percebi que o livro não era apenas uma história de ficção científica meio Stranger Things, mas sim uma história sobre um pai e uma filha. Os personagens são muito reais, tanto Charlie e Andy, quanto seus antagonistas. Rainbird é assustadoramente fascinante. Recomendo bastante a leitura também!

A Redoma de Vidro (Sylvia Plath)
Ainda que tenha falhado miseravelmente em minha meta dos livros para ler em 2018, consegui, pelo menos, lidar com as pendências de 2017! E ainda bem que o fiz porque A Redoma de Vidro se tornou um dos meus livros preferidos da vida. Já tinha visto pessoas comentando sobre o quão forte era o impacto dessa leitura e, apesar de ter duvidado um pouco, logo me dei conta de que o fiz em vão. Mais uma vez, não tive chances de não gostar do livro, uma vez que aqui também temos uma história coming of age; e, nesse caso, me lembrou O apanhador no campo de centeio (um dos meus livros preferidos também!) em alguns momentos. Porém, sinto que Sylvia Plath foi além, já que também mostra todo o processo em que a protagonista vai, aos poucos, sendo consumida pela depressão. É um livro forte, incômodo e que me deixou muito desconfortável. Mas adorei ter lido. Recomendo para todos.

Minha Lady Jane (Cynthia Hand, Brodi Ashton e Jody Meadows)
Fiquei curiosa em relação a esse livro desde que comecei a vê-lo pelo booktube. Aí, assim que o vi por um preço em conta na Loja Kindle, comprei e salvei para um momento oportuno. E isso aconteceu em outubro, justamente quando começamos a viver um período muito intenso aqui no Brasil e tudo que eu precisava era uma leitura leve, descontraída e que me envolvesse. E foi justamente isso que Minha Lady Jane fez. Aqui temos uma versão alternativa da história real de Lady Jane Grey, também conhecida como a Rainha de Nove Dias, que foi executada. Incomodadas e com a intenção de fazer justiça à Lady Jane, as autoras ambientaram a história em um contexto de fantasia - existem pessoas que se transformam em animais! - e, não só conseguiram dar à protagonista uma história digna, como também o fizeram de forma divertidíssima e mirabolante. Eu amei os personagens, eu amei o senso de humor e, principalmente, eu amei como esse livro me deixou com vontade de me informar mais sobre os Tudor.

Sobre a Escrita (Stephen King)
Foi aqui que percebi que Stephen King é, de fato, especial e merecedor de todos os elogios que recebe. Ainda não terminei a leitura, mas optei por considerá-la de 2018 e uma das melhores porque a metade que já li foi o suficiente para eu perceber que esse livro é um dos favoritos da minha vida e que irei voltar à suas páginas muitas vezes no futuro. Além de contar um pouco de sua história, King compartilha com seus leitores os seus aprendizados ao longo de sua trajetória como escritor e o resultado é uma aula inspiradora tanto para quem quer escrever, quanto para quem está à procura de algum incentivo. Nem preciso dizer que a leitura é recomendadíssima também, né?

2 de janeiro de 2019

summer vibes, vol. 3


#01 Houdini (Foster The People)
#02 Feels Like Summer (Weezer)
#03 High Hopes (Panic! At The Disco)
#04 I'm a Mess (Bebe Rexha)
#05 Youngblood (5 Seconds To Summer)
#06 Girls Like You (Maroon 5)
#07 Don't Go Breaking My Heart (Backstreet Boys)
#08 IDGAF (Dua Lipa)
#09 2 Souls on Fire (Bebe Rexha, Quavo)
#10 New Romantics (Taylor Swift)
#11 Temporary Fix (One Direction)
#12 Sex on Fire (Kings of Leon)
#13 Jack And Wilson (Hozier)
#14 That's All I Need (Dirty Heads)
#15 Beach Boys (Weezer)
#16 Chill (The Rasmus)
#17 Save Tonight (Eagle-Eye Cherry)
#18 Get Right (Weezer)
#19 Oxygen (Dirty Heads)
#20 Carry Yourself (Razorlight)
#21 Wake Me Up - Acoustic (Aloe Blacc)
#22 Wanderlust (James Bay)
#23 Pumped Up Kicks (Foster The People)
#24 New Rules (Dua Lipa)
#25 bloodline (Ariana Grande)
#26 1999  (charli xcx, Troye Sivan)
#27 Party For One (Carly Rae Jepsen)
#28 Youth (Shawn Mendes, Khalid)
#29 Mr. Brightside (The Killers)
#30 Solo Tu (Rouge)
#31 Train (Mehcad Brooks)
#32 Human (Rag'n'Bone Man)
#33 Unstoppable (The Score)
#34 Delicate (Taylor Swift)
#35 All These Years (Camila Cabello)
#36 Black Days (The Rasmus)
#37 Nothing Breaks Like a Heart (Mark Ronson, Miley Cyrus)
#38 Heart of Gold (Rick Price, Jack Jones)
#39 Lust for Life (Lana Del Rey, The Weeknd)
#40 Hurt You (The Weeknd, Gesaffelstein)
#41 Good Years (ZAYN)
#42 I Got You (Bebe Rexha)

21 de dezembro de 2018

reputation (Taylor Swift, 2017) | TayloReview #01

21. O álbum que você mais ouve


Em 10 de novembro de 2017, Taylor Swift nos agraciou com o seu sexto álbum de estúdio, reputation, e desde então, meu coração bate em preto e branco e meus sentimentos se escrevem em fonte de jornal. Pelo que pude observar, lançamentos musicais do mundo pop costumam ser ansiosamente aguardados e com reputation não foi diferente; principalmente, se considerarmos todo o contexto da narrativa swiftiana naquele período. Após meses isolada da imprensa, descansando sua imagem, abandonando as redes sociais e se recuperando do Famousgate - o maior escândalo pop de 2016 -, nossa melhor amiga famosa ressurgiu das cinzas e entregou o único álbum que poderia ter feito em tais condições. Acho que podemos concordar que reputation não é o melhor álbum de sua carreira, mas é o álbum que ela precisava fazer. E o fez de forma louvável, com músicas gostosas, contagiantes e que continuam a nos mostrar o seu talento como letrista. Em seu review do álbum, Bruno Di Maio, classificou reputation como um "primo dark do 1989" e eu gosto dessa definição. Sonoramente falando, o álbum continua a beber das fontes do pop e do synthpop e acho que o maior diferencial é o electropop, que o faz soar mais atual em relação ao seu antecessor.

Mas, mais que isso, gosto de pensar que em 1989, Taylor olha para o mundo como alguém cheia de sonhos, que ainda carrega alguma ingenuidade da juventude e desconhece o impossível. Ela parece não se levar tão a sério e quer apenas se divertir. Tudo é marcado por cores em tons pastel e neon. Festas e amizades. Um álbum amado pelos fãs, aclamado pela crítica e premiado por quem premia discos. No auge de seus 26 anos, Taylor Swift, que já havia sido a pessoa mais jovem a ganhar um Grammy de álbum do ano, se tornou também a primeira mulher a levar o troféu para casa duas vezes. Ela estava no topo e fez questão de ressaltar para todos que a diminuíram, desacreditaram e tentaram levar o crédito por seu trabalho que chegou ali por mérito próprio e com muito esforço. Parecia o ponto final na história de perseguição que protagonizou por tantos anos; mas como sabemos, foi apenas o desfecho de um capítulo e o pior ainda estava por vir.


Não vou entrar nos pormenores do Famousgate, a internet está aí para quem quiser relembrar, mas basta saber que o ocorrido alterou o curso da carreira da Taylor. Pouco antes do escândalo, ela começou com suas sutis alterações de visual - que, como logo percebi, costumam indicar para onde o novo som está caminhando - e os fãs estavam em polvorosa especulando o que viria. Meu palpite era que Taylor nos daria um disco de pop rock meio anos 90. Inclusive, ainda sonho com isso. De qualquer forma, nossos planos foram frustrados e nossa amiga foi reintroduzida na narrativa da qual nunca quis fazer parte, o que resultou em seu completo desaparecimento durante meses. Até que ela resolveu retornar com o álbum mais desconexo de sua carreira.

Particularmente, tenho um carinho especial pelo reputation, já que foi o primeiro disco que acompanhei desde o lançamento do primeiro single. A Taylor dessa fase também é a minha preferida. É uma Taylor que despencou do topo, que viu seu mundo desabar e resolveu continuar. Gosto da postura que ela adotou, se mostrando uma pessoa que aprendeu com seus erros, mas que também não se arrepende de tê-los cometido. E também não se sente mal por pensar assim e muito menos irá pedir desculpas por isso. Basicamente, a Taylor Swift de reputation viu o fundo do poço e, por não ter mais nada a perder, ligou o f*da-se para o que vão pensar dela - uma vez que percebeu que não pode controlar o que as pessoas fazem de sua imagem -, matou a old Taylor e se permitiu dizer adeus aos filtros de "boa moça". Como resultado, encontramos uma pessoa amadurecida e, ainda que magoada, fortalecida e bastante humana. De forma geral, acho que o grande trunfo do reputation é capturar este período de transição pelo qual ela está passando, no qual reconhece que está na hora de entregar as chaves do reino pop para outra pessoa, e nos preparar para o que está por vir. 


Ao todo, reputation traz quinze faixas que, em sua maioria, irão tratar de temas já recorrentes na obra de Taylor Swift, como sentimentos e relacionamentos. A novidade se encontra na maneira como ela aborda esses temas, apresentando uma perspectiva do presente, na qual os sentimentos e situações retratados são aqueles que ela estava vivendo no momento em que estava compondo. Assim, é quase seguro dizer que não há música dedicada a algum ex-lover (ainda que algumas possíveis referências possam existir), o que, por sua vez, não é o foco do álbum. Há também algumas doses ocasionais de indiretas para a mídia e àqueles que lhe atacaram nos últimos tempos, o que poderia ser encarado como imaturidade, mas, por outro lado, não é como se ela pudesse fazer um álbum inteiro e "se esquecer" de responder as críticas que recebeu, né? Quanto à maneira como as faixas foram organizadas, há uma teoria entre os fãs de que a primeira metade nos mostraria a nova Taylor, uma versão da cantora que não é necessariamente a verdadeira, mas é a que ela adotou nessa nova fase. A segunda metade nos apresentaria a old Taylor, aquela que amamos, queremos de volta e sabemos que não morreu, está apenas adormecida. Não faço a menor ideia se isso é real e já que nessa fase a Taylor não está dando entrevistas, acho que nunca saberemos. Sinceramente, não sei o que pensar. 

No mais, ressalto novamente que tenho muito carinho por reputation, que se tornou o álbum mais executado no meu Spotify no último ano e já ocupa a sexta posição no top 10 of all time do meu Last.Fm. Se isso não for poder, eu não sei mais o que é. Assim, sem mais delongas, é hora de um breve faixa-a-faixa. Are you ready for it?

TRACK BY TRACK 


🐍...Ready For It?
Nem vou mentir: nas primeiras vezes que escutei, achei essa música estranha e com uma estrutura pouco convencional e bem esquisita. Porém, não demorou muito para me apaixonar completamente pelo refrão e hoje, já acho que é muito icônica. Definitivamente, a melhor faixa de abertura de um álbum da Taylor.
Trecho digno de nota: And he can be my jailer, Burton to this Taylor / Every lover known in comparison is a failure / I forget their names now, I'm so very tamed now / Never be the same now

🐍End Game
Feat. com Ed Sheeran e Future que achei bem qualquer coisa quando o álbum saiu e hoje sigo meio indiferente. De forma geral, achei bem genérica e duvido que alguém ainda ache inovador colaborações de artistas pop com artistas de outros gêneros, mas segue o baile. Quando penso nessa música, penso que 1) Tay Tay é bem versátil e 2) a teoria dos fãs sobre old e new Taylor faz sentido. No mais, não pulo a faixa, mas fico contando os minutos para a próxima.
Trecho digno de nota: I don't wanna hurt you, I just wanna be / Drinkin' on a beach with you all over me / I know what they all say / But I ain't tryna play

🐍I Did Something Bad
Provavelmente, a melhor música do álbum todo (são questões). O que mais gosto aqui é a sinceridade de quem não poderia se importar menos com o que dizem sobre suas atitudes e muito menos se acham que o que fez não foi algo legal. Afinal, se é algo ruim, então porque ela se sente tão bem? Muito triste que a era reputation está chegando ao fim e essa belezinha não foi single.
Trecho digno de nota: If a man talks shit, then I owe him nothing / I don't regret it one bit, cause he had it coming
Trecho digno de nota 2: They're burning all the witches, even if you aren't one / So light me up

🐍Don't Blame Me
Minha primeira favorita do álbum, tanto pela sonoridade bem diferente e com ares de Lana Del Rey e Hozier (?), quanto pela forma como ela fala sobre como ama. Taylor Swift está completamente apaixonada e não acha justo que a culpem por seus sentimentos e por não querer escondê-los. Afinal, não é isso que a gente faz quando amamos muito? Muito triste que a era reputation está chegando ao fim e essa belezinha não foi single [2].
Trecho digno de nota: And, baby, for you I would fall from grace / Just to touch your face / If you walk away / I'd beg you on my knees to stay / Don't blame me, love made me crazy /If it doesn't, you ain't doing it right / Lord, save me, my drug is my baby / I'd be using for the rest of my life

🐍Delicate
Essa foi ganhando o meu coração aos poucos, de um jeitinho todo especial e ~delicado~. O que mais gosto aqui é a vulnerabilidade da Taylor. É uma música que mostra o isolamento e a solidão que acompanham a fama e, no caso da Taylor, como deve ser difícil manter qualquer tipo de relacionamento quando se faz tanto sucesso a ponto de a sua reputação te preceder. A batida é uma delicinha e é o tipo de música que dá pra escutar em loop sem cansar.
Trecho digno de nota: My reputation's never been worse, so / You must like me for me


🐍Look What You Made Me Do
Eu simplesmente ODIEI essa música quando escutei pela primeira vez e só fui considerar a possibilidade de que ela não fosse um completo show de horrores depois de assistir ao clipe - que, por sinal, é um baita clipe -, que me fez considerar a possibilidade de que tudo não passava de uma zoeira, um pastiche. Hoje, não sei muito bem se gosto dela ou se apenas me acostumei depois de tantas execuções no Spotify. De qualquer forma, o que temos aqui é Taylor Swift entregando ao povo o que povo quer: polêmica, indireta e referências que possibilitem interpretações e criações de teorias. Tudo isso sem perder a chance de se colocar em uma posição de vítima - um ato absurdamente calculado, diga-se de passagem. No fim, acho que dá pra dizer que essa música é do tipo ruim-boa: de tão péssima, fica excelente.
Trecho digno de nota: "I'm sorry, the old Taylor can't come to the phone right now" / "Why?" / "Oh, 'cause she's dead!" ICÔNICO

🐍So It Goes...
Essa é uma daquelas que achei pouco memoráveis até me dar conta de que já sabia cantar a letra do começo ao fim. Ainda assim, sempre demoro para perceber quando é ela que está tocando. Na letra, Taylor fala sobre um encontro de duas pessoas em um bar e os flertes que levam a uma noite de sexo casual, acho. Ela não fala isso diretamente, mas faz referências a estar sozinha com a pessoa no escuro, batom espalhado no rosto do boy e arranhões nas costas dele. You go, girl! Good for you!
Trecho digno de nota: You know I'm not a bad girl, but I do bad things with you

🐍Gorgeous
Amei desde a primeira vez que escutei, pois é o tipo de música que me faz ter a certeza de que a old Taylor não morreu e apenas tirou umas férias. Aqui, nossa melhor amiga famosa vai falar de como é difícil lidar com a situação de encontrar a famigerada crush e perder completamente controle e o foco, se tornando incapaz de agir de forma normal. É tudo bem besta, mas quem nunca?
Trecho digno de nota: You've ruined my life, by not being mine / You're so gorgeous / I can't say anything to your face / 'Cause look at your face

🐍Getaway Car
Essa aqui também foi uma das minhas primeiras preferidas do álbum. Gosto de como aqui tudo é bem visual. Assim, toda vez que escuto, assisto a um filme na minha cabeça, no qual Taylor fala de um relacionamento que, desde o início, ela já sabia que não ia dar certo. Não fica muito claro o porquê, mas fica claro que o relacionamento não era algo considerado certo. Teorias especulam que o ex-lover da música seria o Tom Hiddleston, com quem nossa amiga teria escapado de uma festa quando ainda namorava Calvin Harris. Muito triste que a era reputation está chegando ao fim e essa belezinha não foi single [3].
Trecho digno de nota: We were jet-set, Bonnie and Clyde / Until I switched to the other side / It's no surprise I turned you in / 'Cause us traitors never win

🐍King of My Heart
Há poucas semanas, eu diria que essa era a música mais desnecessária do álbum, uma vez que absolutamente nada nela havia chamado a minha atenção. Porém, um belo dia, ela me ganhou. Acho que é um daqueles casos em que a gente tem que esperar o momento certo. De qualquer forma, se ainda não havia ficado claro até aqui, Taylor mostra mais uma vez que está apaixonadíssima pelo boy, que chegou aos poucos e, de repente, se transformou no dono do seu coração. É tudo bem fofo.
Trecho digno de nota: Is this the end of all the endings? / My broken bones are mending / With all these nights we're spending / Up in the roof with a school girl crush / Drinking beer out of plastic cups / Say you fancy me, not fancy stuff / Baby, all at once, this is enough

🐍Dancing With Our Hands Tight 
Tá, essa aqui eu meio que ignoro e não tenho muita opinião a respeito. É boa, combina com a sonoridade e as temáticas do álbum. De forma geral, sinto que aqui ela está falando, mais uma vez, sobre como é difícil se relacionar quando os holofotes estão sempre apontados para você. Sei lá, acho que é isso.
Trecho digno de nota: I'm a mess, but I'm a mess that you wanted

🐍Dress
Mais uma bem visual, mas com letra misteriosa. Taylor fala sobre estar apaixonada por alguém que não quer que seja apenas um amigo. Ela discorre também sobre encontrar essa pessoa em eventos e multidões sem nunca levantar suspeitas. Acho que ela está falando do Joe Alwyn.
Trecho de letra: And if I get burned, at least we were electrified / I'm spilling wine in the bathub, you kiss my face and we're both drunk / Everyone thinks that they know us, but they don't know nothing about


🐍This Is Why We Can't Have Nice Things
Aqui, mais uma vez, Taylor Swift dá ao povo o que o povo quer; no caso,  uma música com indiretas para Kanye West. Tudo nessa letra mostra o lado ~vingativo~ de nossa amiga, que obviamente não perderia a oportunidade de transformar os limões de sua vida em limonada. Gostaria de apontar para a possibilidade de ela também estar dedicando a música à mídia. Muito triste que a era reputation está chegando ao fim e essa belezinha não foi single [4].
Trecho digno de nota: It was so nice being friends again / There I was giving you a second chance / But you stabbed me in the back while shaking my hand / And therein lies the issue / Friends don't try to trick you / Get you on the phone and mind-twist you

🐍Call It What You Want
Essa aqui foi uma das últimas a serem divulgadas antes do lançamento do álbum e foi com ela que eu me tranquilizei, sabendo que o reputation seria muito bom. A música é mais tranquila e acho que funciona bem, já caminhando para o desfecho do disco. A letra é também uma das mais sinceras e vulneráveis, na qual Taylor discorre sobre estar vivendo um momento muito ruim em sua vida, mas  coloca os fatos em perspectiva e sinaliza que tudo isso pouco importa porque no fim do dia, Joe Alwyn (acho que podemos considerar que todas as letras loucamente apaixonadas do álbum são para ele, certo?) a ama por quem ela é, com todas as suas qualidades - positivas e negativas - e isso a deixa feliz. É bem fofa, uma das minhas preferidas.
Trecho digno de nota: Bridges burn, I never learn / At least I did one thing right / I did one thing right / I'm laughing with my lover, making forts under covers / Trust him like a brother, you know I did one thing right / Starry eyes sparklin' up my darkest night


🐍New Year's Day
Uma baladinha simples de piano, mas carregada de significados. Taylor encerra o disco encerrando também um capítulo de sua vida e indicando o início de algo novo. Ao mesmo tempo, ela fala sobre a importância de se apegar às memórias em momentos de dificuldades, o que soa um pouco como um pedido aos fãs - meio como se dissesse, "hey, eu sei que estou distante e sei que nem tudo no disco soa como eu, mas eu preciso desse espaço e desse tempo para mim. Vocês podem me esperar?". Por fim, ela fala também sobre estar com alguém que não só participa da sua festa de ano novo, quando tudo está lindo, mas também te ajuda a limpar toda a bagunça no dia seguinte. Novamente, é muito fofo. Se for rolar um clipe de turnê para encerrar a era reputation - e tem que rolar! - a música tem que ser essa, Tay Tay!
Trecho digno de nota: Please don't ever become a stranger whose laugh I could recongnize anywhere

                                                                                                                                

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