30 de dezembro de 2019

A trilha sonora do meu 2019 | RETROSPECTIVA 2019


Antes de começar a distribuição dos troféus, é sempre bom lembrar que: 
  1. Não escutei todos os lançamentos de 2019.
  2. O post é sobre o que escutei em 2019 e, por isso, a retrospectiva irá incluir coisas que não foram  lançadas durante o ano. 
  3. Mais uma vez, as categorias estão um pouco diferentes das edições anteriores. Algumas sumiram, outras surgiram e algumas foram modificadas.
Agora podemos prosseguir com a premiação.




Escutei pouco, mas gostei e deveria ter prestigiado mais em 2019: Dedicated (Carly Rae Jepsen, 2019) e Norman Fucking Rockwell! (Lana Del Rey, 2019)
Achei que ia amar, mas foi só ok: No. 6 Collaborations Project (Ed Sheeran, 2019) 
Foi bom enquanto durou: DNA (Backstreet Boys, 2019)


O orgulhinho do ano:
Michael Jackson, seus fãs e seu legado
O reencontro do ano: Ariana Grande
Finalmente entendi o hype: Greta Van Fleet *
A voz do ano: Taylor Swift
A banda do ano: Weezer


Bate-bola das músicas

A primeira música do ano (ritual do shuffle): You Better Run (Liam Gallagher)
A música do ano: Dream a Little Dream of Me (Mickey Thomas)
A mais tocada: ME! (feat. Brendon Urie of Panic! at the Disco) (Taylor Swift)
As good vibes do ano: Cornelia Street (Taylor Swift), Rescue (James Bay) e Adore You (Harry Styles)
A música rockeira do ano: Black Smoke Rising (Greta Van Fleet)
Grata surpresa: Speechless (Naomi Scott); ocean eyes (Billie Eilish); Easy Silence (Dixie Chicks); Blinding Lights (The Weeknd)
Troféu Taylor Swift 2019: The Man
Troféu Michael Jackson 2019: Give In To Me
Completamente ignorada durante anos para só ser realmente apreciada em 2019: Listen To Your Heart (Roxette)


Aqueles que voltaram para aquecer o meu coração: ...Baby One More Time (Britney Spears, 1999), Christina Aguilera (Christina Aguilera, 1999) e Millennium (Backstreet Boys, 1999)

Os melhores álbuns dos anos 80 que só conheci em 2019: True Blue (Madonna, 1986), Into The Fire (Bryan Adams, 1987), Look Sharp! (Roxette, 1988) e Dream a Little Dream Original Soundtrack (1989)

Menção honrosa para álbuns que não se encaixam em nenhuma das categorias anteriores, mas que ouvi e amei bastante em 2019: Into (The Rasmus, 2001), The Rasmus (The Rasmus, 2012), Beauty Behind The Madness (The Weeknd, 2015), Dirty Heads (Dirty Heads, 2016), Pacific Daydream (Weezer, 2017) e Caution (Mariah Carey, 2018)


Top 10 melhores álbuns de 2019:


10 º Romance (Camila Cabello)
9º Super Moon (Dirty Heads)
8º Hapiness Begins (Jonas Brothers)
7º Love + Fear (Marina)
6º Teal Album (Weezer)
5º Fine Line (Harry Styles)
4º Black Album (Weezer)
3º Head Above Water (Avril Lavigne)
2º Lover (Taylor Swift)
1º thank u, next (Ariana Grande)




Observação (01/10/20): enquanto começo a me preparar para as retrospectivas de 2020, lembrei que havia deixado um esboço da minha retrospectiva musical de 2019 salvo na pasta de rascunhos. Já estava tudo pronto e eu só precisava elaborar uns parágrafos como fiz nos anos anteriores. Quase doze meses depois, não lembro mais de muitos detalhes e nem estou com vontade de buscar na memória, então decidi postar assim mesmo, apenas os nomes das músicas, dos artistas e dos álbuns nas categorias em que os havia colocado. Gostei desse formato assim, mais simples. Talvez eu faça da mesma forma esse ano.

* Observação 06/03/25: enquanto estou transferindo alguns dos posts do meu antigo blog para este espaço, aproveito para reler o que escrevi e muitas vezes me surpreender positivamente; mas tem as vezes em que levo um susto. Neste caso, nada, absolutamente nada, me faz compreender o porquê de eu ter colocado Greta Van Fleet na retrospectiva. 



28 de dezembro de 2019

O Apanhador no Campo de Centeio (J.D. Salinger)

O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger, é considerado um marco na literatura do século XX. Publicado em 1951, quando o autor tinha 32 anos, o livro se destacou por retratar a adolescência de uma maneira diferente da vista até então. Salinger, por meio da narrativa de seu protagonista, foi capaz de captar todas as angústias, os anseios e as incertezas típicas dessa fase da vida em uma época em que isso não era comum. 

Holden Caulfield, um adolescente de 16 anos, inicia sua história em um lugar para o qual foi "pra relaxar um tiquinho" e decide explicar ao leitor os acontecimentos que o levaram a essa situação. Assim, somos conduzidos por uma série de eventos em sua vida desde o momento em que foi expulso pela quarta vez de um colégio interno até o instante em que ele começa a narrativa. E é ao acompanhar o fim de semana de Holden pelas ruas da cidade de Nova York no início dos anos 1950 que o leitor, por meio das reflexões do personagem, é exposto aos temas centrais da obra de Salinger: o fim da infância, a perda da inocência e a transição para a vida adulta - e toda a avalanche de emoções conflitantes, convicções e contradições que surgem durante esse período de mudanças intensas.

Apesar de se manter como um dos livros mais lidos e aclamados ao longo das décadas, O apanhador no campo de centeio é até hoje uma das obras que mais divide opiniões e gera controversas. Isso ocorre, principalmente, por conta do protagonista que, muitas vezes, é enxergado apenas como um adolescente "reclamão". Contudo, um leitor com olhar mais atento e uma sensibilidade mais aguçada, não tarda a perceber que, por meio de sua narrativa ácida e cheia de sarcasmo, Holden - e, consequentemente, Salinger - está tecendo críticas à uma sociedade com valores falidos e marcada pela hipocrisia dos "fajutos", os adultos aos quais ele culpa por esses problemas. Em diversos pontos da história, o protagonista é questionado a respeito do que está fazendo com sua vida e do que espera para seu futuro e, mesmo sendo claro o fato de que ele não sabe e está completamente perdido, Salinger oferece ao leitor uma das respostas mais originais à pergunta e, ao mesmo tempo, nos permite um vislumbre do verdadeiro Holden e de toda a sua vulnerabilidade.

Também intrínseca na narrativa está a questão da saúde mental, muitas vezes negligenciada pelos críticos mais ávidos de Holden Caulfield. Ele não só encontra dificuldade para se adaptar ao fim da infância, mas também está vivendo um período de luto com o qual não sabe lidar. A percepção da morte e a dificuldade de aceitá-la, a desilusão com um mundo pós-guerra, a pressão das responsabilidades da vida adulta e o medo de se tornar um "fajuto" colocam o protagonista à beira de um colapso. E é essa uma das razões para o seu comportamento indignado e incompreendido.

Originalmente publicado para o público adulto, O apanhador no campo de centeio também se tornou popular entre os adolescentes - que muitas vezes se enxergam no protagonista - e se consolidou como um dos maiores clássicos da literatura universal por conta de sua atemporalidade. Um dos maiores destaques do livro está no fato de que ele melhora a cada releitura e, quanto mais velhos ficamos, mais profundos se tornam os seus significados. O livro também pode ser considerado um precursor da literatura YA contemporânea e o legado de Salinger vive em obras de autores como John Green, David Levithan e Stephen Chbosky.


Esta leitura também faz parte do desafio The Rory Gilmore Reading Challenge.



   

18 de dezembro de 2019

As músicas que (talvez) mais ouvi em 2019 | RETROSPECTIVA 2019


2019 se aproxima do fim e hoje eu venho compartilhar as músicas que embalaram o meu ano. Mais uma vez irei ressaltar que a exatidão da lista não é 100%,  mas utilizei as estatísticas do Last.FM e a playlist de mais tocadas do Spotify para chegar à essa bela seleção. E, claro, respeitei as regrinhas que eu mesma criei para a brincadeira: não posso repetir artistas e não posso repetir músicas que aparecerem nas listas dos anos anteriores. Agora, sem mais delongas, vamos aos greatest hits do meu 2019!


ME! (Taylor Swift feat. Brendon Urie)
Primeiro single do Lover, acho que acabou se tornando o greatest hit do meu 2019 mais pela saudade que estava de coisas novas da Taylor e pela empolgação pelo novo material do que pela música propriamente dita. Não que eu não tenha gostado de ME!, até porque adorei, só acho que música foi perdendo um pouco do brilho inicial depois que ouvi exaustivamente por semanas e, depois do lançamento do álbum, encontrei outras favoritas. Ainda assim, ouçam ME! pois é uma ótima música e eu adoro a participação do Brendon Urie.

Someone's Gonna Light You Up (The Rasmus)
Eu AMO essa música e realmente ouvi muito. Esse ano resolvi continuar me reconectando com The Rasmus e corri atrás do tempo perdido ouvindo todos os trabalhos lançados pela banda desde 2008. Foram muitas músicas novas descobertas que viraram favoritas, mas acho que nenhuma se tornou um vício como essa. Gosto que, mesmo em uma fase diferente, essa música remete um pouco ao som que tanto encantou meu eu adolescente. AMO DEMAIS que rola uma referência à letra de Shot. Adoro quando artistas dialogam com eles mesmo em momentos diferentes de suas carreiras. Obrigada pelo mimo, Lauri.

I Fell In Love With The Devil (Avril Lavigne)
A balada gótica e trevosa - e minha favorita - do novo álbum da Avril. Amei essa música no momento que ouvi pela primeira vez e, desde então, sonhei com a possibilidade de se tornar um single. E o sonho virou realidade. Obrigada também pelo mimo, Avril. Gosto muito da letra com metáforas para falar de um relacionamento tóxico.
Mais um caso de amor instantâneo. Adoro tudo nessa música: a batida no começo, a letra, a atmosfera geral, aquele Ari chan (?) no refrão e aquela coisa meio letárgica mais para o final. Essa música é PERFEITA

The Look (Roxette)
Porque eu não sou eu se não tiver uma música de antes de eu nascer na lista de mais tocadas. Ouvi bastante todo o álbum Look Sharp!, mas essa aqui deve ter ganhado porque também coloquei no segundo volume da minha playlist de anos 80. É uma ótima música

Dream a Litte Dream (Mickey Thomas)
Minha versão preferida dessa música! Eu AMEI Dream a Little Dream, o filme se tornou um dos meus preferidos dos anos 80 e a trilha sonora se tornou uma das minhas favoritas da vida. É óbvio que ouvi demais e é óbvio que essa música estaria nessa lista. Jamais poderia ser diferente. EU AMO ESSA MÚSICA.

Lights Up (Harry Styles)
Amei o single de retorno do Harry, pois não aguentava mais de saudades dele e estava bem curiosa para saber o que viria no segundo álbum. A música não me decepcionou e acho que o que mais gosto nela é que ela foi crescendo para mim quanto mais eu a ouvia. Acho tudo nela feito com muito cuidado e a produção é ótima. A letra também é um ponto forte porque acho que aqui começamos a ter acesso à um lado mais vulnerável do Harry que não tínhamos conhecido até então.

Rescue (James Bay)
Favorita instantânea. Ouvi, me apaixonei e continuei ouvindo em loop. O James Bay é um dos meus favoritos, adoro todo o sentimento que ele coloca em seu trabalho e tenho certeza de que suas músicas se tornarão atemporais. Essa música é um belo exemplo do porquê de eu pensar dessa forma. A letra é uma das que mais gosto dele e sua voz, como sempre, está linda. Eu amo o James Bay.

Oxygen (Dirty Heads)
Praia, verão, mar. O que mais eu posso pedir? Essa música é PERFEITA e me deixa na mais completa paz. Uma das minhas favoritas da vida.

Real Life (The Weeknd)
Uma das melhores músicas do The Weeknd. Como acontece com praticamente todas as músicas dele que já ouvi, aqui o que me ganhou foi a atmosfera. Adoro a batida, adoro a voz dele, adoro o refrão. Adoro tudo sobre essa música.

***

Menção honrosa:
Cosas De La Vida (Eros Ramazzotti)
Porque eu adoro essa música, ouvi bastante em 2019 e ela merece estar nessa lista. Ouçam essa música, ela é ótima.



Observação (12/07/20): essa lista estava salva na minha pasta de rascunhos desde dezembro, mas só escrevi o post agora. Confesso que já tinha desistido de postar, mas mudei de ideia quando vi que a lista já estava pronta. Criei, meio que sem querer, essa tradição aqui no blog e pretendo manter de alguma forma. Nem que seja com posts escritos sete meses depois, rs.

6 de outubro de 2019

Lover (Taylor Swift, 2019) | TayloReview #02

26. Um álbum que é sempre divertido de ouvir

Assim como praticamente todos os fãs do mundo, eu estava muito ansiosa para ouvir o novo álbum da Taylor Swift. Além da espera aparentemente infindável e da curiosidade natural, tinha também aquela expectativa inevitável: Lover é o sucessor de reputation, e era impossível não se perguntar qual seria o “próximo capítulo” da narrativa da nossa melhor amiga. Agora acho que já ouvi o suficiente do novo trabalho para finalmente compartilhar as minhas opiniões sobre ele.

🦋O contexto

Quando a Taylor começou a soltar alguns easter eggs, muita gente apostou que o próximo álbum seria mais “docinho”, rosa, com uma estética mais leve. E, naturalmente, os fãs também começaram a imaginar que finalmente teríamos um sucessor “direto” de 1989 — até porque quem acompanha a linha do tempo da Taylor sabe que reputation acabou se tornando, em certo sentido, um álbum “acidental”.

Ela costuma compor a partir da própria vida. Então, depois de 1989, seria plausível esperar um álbum que falasse sobre tudo o que ela viveu naquela fase… mas aí aconteceu o verão americano de 2016, e ela foi praticamente forçada a sumir do mapa. Como resultado, veio reputation no fim de 2017: uma era mais sombria, mais reservada e com ela bem afastada dos holofotes. Por isso, todos ficaram curiosos para entender o que viria depois.

Depois de mais de um mês ouvindo Lover exaustivamente, dá para concluir com 100% de certeza que este álbum é o extremo oposto do anterior. Ele de fato se aproxima muito mais do espírito de 1989 e soa, em vários momentos, como um sucessor daquela fase — embora eu não goste tanto de pensar assim, porque a era reputation também foi uma parte importante do caminho que trouxe Taylor até aqui  Ainda assim, é válido destacar que é possível ouvir ecos das eras anteriores.

No geral, Lover é um álbum totalmente Taylor Swift: ele celebra cada fase, cada aspecto de sua personalidade, cada nuance de suas personas. Conseguimos enxergar uma Taylor prestes a completar 30 anos em paz consigo mesma.  Gostei bastante do álbum, embora eu tenha algumas ressalvas.

🦋track by track

📀I Forgot That You Existed: na primeira vez que ouvi, achei curioso que ela tenha escolhido essa música para abrir o álbum. Mas agora consegui entender que não tinha faixa melhor para dar o tom do disco. É uma música simples, leve e debochada. Se você ainda é do time que acha que a Taylor só fala de ex-amores e de pessoas que “atrapalharam” a vida dela, esta provavelmente é a música que vai satisfazer sua expectativa... só que com uma reviravolta: aqui ela diz que passou tempo demais pensando nessas pessoas e que, de repente, as esqueceu. O sentimento não é ódio. É indiferença. Ao mesmo tempo, tem uma ironia divertida: se ela esqueceu, por que escrever uma música sobre isso? A graça está aí. Ela canta com uma risadinha, é sarcástica, e funciona muito bem como abertura.
🩷Trecho: It isn't love, it isn't hate, it's just indifference

📀Cruel Summer: essa chega derrubando tudo. A introdução já vem acelerada e intensa. Para mim, sonoramente, é como se fosse um filhotinho de Out of the Woods com Getaway Car. Quando a tracklist saiu, todo mundo ficou curioso: seria sobre 2016? Sobre mídia? Sobre o Kanye? Pode até ter ecos daquela época, mas aqui eu enxergo a música como um retrato do relacionamento dela com o Joe Alwyn. Ela fala de viver algo bom no meio do caos e, ao mesmo tempo, de não querer expor esse relacionamento para não alimentar especulações. Um trecho que me marcou muito é quando ela fala sobre não querer manter segredos para sustentar a relação. É triste pensar que ela tenha passado por isso. Mas, como essa música saiu anos depois, a gente sabe que ela está feliz e bem resolvida. É bom ver que teve um final feliz.
🩷 Trecho: And I screamed: "for whatever it's worth I love you, ain't that the worst thing you've ever heard"?


📀Lover: 
a faixa-título é, para mim, indiscutivelmente a música mais romântica que a Taylor Swift já escreveu. Ela mesma já disse isso em entrevistas e afirmou que é uma das músicas de que mais se orgulha na carreira. O que eu mais gosto é como ela soa atemporal. Apesar de ser recente, parece clássica, quase como algo dos anos 50. A introdução me faz pensar em Elvis Presley e naquela estética de música de casamento. Tem um momento em que ela canta e parece literalmente um brinde no meio de uma cerimônia. É lindíssima.
🩷Trecho: I take this magnetic force of a man to be my lover

📀The Man: uma das músicas mais poderosas do álbum — e uma das minhas favoritas. Aqui ela fala sobre como é mais difícil conquistar certas coisas sendo mulher. Ela lista tudo o que já conquistou: sucesso, influência, reconhecimento… e mostra como características que seriam aplaudidas em um homem costumam ser usadas contra ela. Entra a velha história do “ela namora demais” (mas se fosse um homem, seria “pegador”). Entra também o discurso de que ela usa tudo para se promover — como se homens não fizessem o mesmo e fossem chamados de “visionários” e “estrategistas”. Musicalmente é um pop delicioso, com refrão que gruda. E eu adoro a referência ao Leonardo DiCaprio.
🩷Trecho: If I was a man, then I'd be THE MAN

📀The Archer: mesmo não sendo um single oficial, os fãs gostaram muito. Essa música tem referências fortes aos anos 80, e é uma das mais bonitas e vulneráveis do disco. Aqui a Taylor fala sobre inseguranças, sobre fama, sobre se perguntar quem ficaria ao lado dela de verdade. Dá para imaginar que ela está conhecendo alguém (talvez o próprio Joe) e, ao mesmo tempo, carregando a bagagem de ser Taylor Swift™: a reputação, as especulações, os ataques. Tem um trecho que sugere que essa pessoa juntou os pedaços dela, mas ela ainda tem medo de ser abandonada. E tem uma frase forte: “todos os meus inimigos entraram na minha vida como amigos”. Isso diz muito sobre como deve ser difícil confiar em alguém quando se é tão famoso.
🩷Trecho: I've been the archer, I've been the prey. Who could ever leave me, darling? But who could stay?

📀I Think He Knows: essa soa mais atual dentro do pop, sem beber tanto da fonte oitentista. No começo achei estranha para um álbum da Taylor, mas fui gostando. É sobre aquela tensão gostosa: você gosta de alguém, percebe que é recíproco, mas ainda fica no “será?”. Eu gosto de pensar que essa música é uma versão adulta de Enchanted, com uma energia mais atrevida.
🩷Trecho: He got that boyish look that I like in a man. I am an architect, I'm drawing up the plans. It's like I'm seventeen, nobody understands

📀Miss Americana & The Heartbreak Prince: foi a primeira música do álbum que me conquistou de cara. Ela tem uma atmosfera que me lembra Lana Del Rey; um sonho americano meio quebrado, meio melancólico. A letra é bem metafórica, cheia de símbolos, e ela constrói uma narrativa visual — você escuta e vai “assistindo” um filme. Eu confesso que ainda não absorvi totalmente o significado, mas sinto que é uma das músicas mais profundas dela. Parece uma crítica ao estilo de vida americano, à política, à ideia de popularidade e competição como regra. Eu amo.
🩷Trecho: American stories burning before me, I'm feeling helpless, the damsels are depressed, boys will be boys then, where are the wise men? Darling, I'm scared


📀Paper Rings: eu tinha achado legal logo que ouvi pela primeira vez, mas com o tempo (e conversando com amigas que amaram) eu mudei de ideia: hoje acho uma das mais fofas e divertidas do álbum. A letra é sobre amar tanto alguém que você não liga para a formalidade ou para o luxo. Ela fala que gosta de coisas bonitas, mas casaria com essa pessoa até com anéis de papel. E aqui tem uma nuance que eu amo: em inglês existe diferença entre wedding (o evento, a festa) e marriage (a vida a dois, o convívio). Ela deixa bem claro que o que ela quer é o marriage, o dia a dia com a pessoa, e não a cerimônia perfeita. Musicalmente, tem uma energia pop-rock oitentista deliciosa. Espero que ela explore mais esse tipo de som no futuro.
🩷Trecho: I hate accidents, except when we went from friends to this, uh huh, that' right, darling, you're the one I want in paper dreams, in picture frames, in dirty dreams

📀Cornelia Street: minha obsessão atual. Eu amei desde a primeira vez e fui amando ainda mais com o passar do tempo. É aquele pop narrativo que a Taylor sabe fazer como ninguém. Ela descreve ter alugado um lugar em uma rua chamada Cornelia Street. Ninguém sabe ao certo onde seria, mas fãs já encontraram ruas com esse nome em Londres, Nova York e Nashville — todas cidades importantes na vida dela. Eu acho incrível como ela cria esse “lugar” simbólico. A história é sobre o começo de um relacionamento em meio a uma fase conturbada, e ela canta com aquela sensação de medo de perder: “se acabar, eu nunca mais vou conseguir andar pela Cornelia Steet”. É lindo e doloroso.
🩷Trecho: Barefoot in the kitchen, sacred new beginings that became my religion


📀
Death by a Thousand Cuts: eu pesquisei e vi que foi inspirada pelo filme Alguém Especial. Achei curioso porque a Taylor é conhecida por escrever sobre términos, porém, nesta fase, ela está claramente apaixonada. Então parece quase como uma música para os fãs que gostam desse lado dela. A introdução é estranha, mas eu gosto. E a letra é excelente: ela descreve o fim de um relacionamento como um luto. Como se fosse uma morte causada por cortes; um corte de cada vez, mil cortes pequenos, e a dor permanecendo.
🩷Trecho: You said it was a great love, one for the ages. But if the story is over why am I still writing pages?

📀London Boy: se ainda havia dúvida de que ela está apaixonada pelo Joe, aqui ela confirma. A música é divertida, leve e cheia de referências a Londres. Ela cita lugares, usa expressões britânicas, fala de sair com os amigos dele. É bobinha no melhor sentido: gostosa de cantar, chiclete, e vai ganhando espaço no coração com o tempo.
🩷Trecho: But something happened, I heard him laughing. I saw the dimples first and then I heard the accent

📀Soon You’ll Get Better (feat. Dixie Chicks): a música mais dolorosa e vulnerável que a Taylor já lançou, na minha opinião. Eu confesso: eu quase sempre pulo porque me deixa muito angustiada. Ela fala sobre a mãe dela e o câncer. A força de colocar isso no álbum é enorme. A participação das Dixie Chicks é muito simbólica, porque a mãe dela ama a banda. A letra descreve hospital, medo, esperança, e aquela sensação terrível de dizer “vai ficar tudo bem” enquanto, por dentro, você não tem certeza de nada. Tem uma parte em que ela menciona recorrer à Deus — algo comum quando a gente chega no limite. E isso me pega muito: Taylor tem dinheiro, tem acesso aos melhores médicos… e mesmo assim há coisas que fogem completamente do controle. A música é linda, sensível e triste.
🩷Trecho: Holy orange bottles, each night I pray to you. Desperate people find faith, so now I pray to Jesus too.

📀False God: uma das faixas mais diferentes do álbum. Tem saxofone, clima jazzy, e uma atmosfera bem sensual. Ela mistura metáforas de amor e religião, e mostra de novo o talento da Taylor para escrever de um jeito inesperado.
🩷Trecho: I know heaven's a thing, I go there when you touch me. Honey, hell is when I fight with you

📀You Need to Calm Down: uma das músicas mais importantes do disco, e uma das mais relevantes na carreira recente da Taylor. Nos últimos anos ela foi criticada por não se posicionar politicamente. Aqui ela fala do ódio na internet e, principalmente, da intolerância contra pessoas LGBTQIA+. Ela aponta o absurdo disso de um jeito direto e, ao mesmo tempo, meio irônico (“são sete da manhã…”). Também fala sobre essa mania de colocar mulheres artistas umas contra as outras. A mensagem é: dá para todo mundo existir, não precisa competir.
🩷Trecho:  I ain't trying to mess with your self-expression but I've learned the lesson that stressin' and obsessin' 'bout somebody else is no fun


📀Afterglow:
sinceramente, acho que essa poderia ter ficado de fora do álbum. Não me chama muita atenção. A letra é interessante: fala sobre brigas em relacionamento, sobre orgulho, sobre como às vezes é mais importante “ganhar” a discussão do que resolver. Taylor aqui admite “eu errei”. Musicalmente, não é muito memorável para mim.
🩷Trecho: Why'd I have to break what I love so much?

📀ME! (feat. Brendon Urie): eu ainda acho divertida, e gosto do clipe. Mas depois de ouvir o álbum inteiro, ela acaba perdendo um pouco da magia. E permanece a sensação de que a Taylor escolhe como single as faixas que menos se parecem com o restante do álbum. Em todo caso, a mensagem é bonitinha: você é único, especial, ninguém vai existir alguém como você. 
🩷Trecho: Livin' in winter, I am your summer

📀It’s Nice to Have a Friend: eu não entendo muito bem o porquê dessa faixa estar no álbum. Ela conta uma historinha de duas pessoas que se conhecem na escola, crescem, e se casam. É fofinha, e a sonoridade é bem diferente (quase com um clima vintage, meio anos 60). Mas, num álbum tão longo e tão cheio de picos, ela aparece perto do final e traz uma “queda” na energia. Às vezes eu pulo.
🩷Trecho: absolutamente nenhum, pouca coisa se destaca nesta música.

📀Daylight: finalmente a faixa que encerra o álbum! E é uma das melhores, sem dúvidas. A Taylor chegou a dizer em entrevistas que considerou chamar o álbum de Daylight e acho que faria sentido; depois de reputation, que foi tão sombrio, Lover é colorido, alto astral, luminoso. No começo, essa faixa passou um pouco batida para mim, já que o álbum todo era novidade e eu estava mais focada em outras músicas. Mas hoje eu gosto muito dela. Gosto de como ela desacelera, fecha a experiência, e traz uma mensagem madura. O trecho que mais me marca é quando ela fala sobre deixar para trás aquilo que não serve mais, abandonar as sombras e seguir em frente. No final ela diz algo ainda mais forte: que não quer ser definida por medos, obstáculos e problemas… mas sim pelo que ama. Isso é muito bonito. Porque, no mundo de hoje, parece que o ódio ocupa espaço demais. Nas redes sociais, nas notícias, nas conversas. A gente gasta energia com aquilo que detesta, com aquilo que nos irrita. E ela chama atenção para o oposto: o que nos define é justamente aquilo que a gente ama. De certa forma, ela admite que também se deixou levar pelo ódio em momentos anteriores (e, considerando tudo o que ela viveu, é compreensível). Mas aqui ela vira a chave: “agora eu quero ser definida por aquilo que eu amo”. E aí ela lança Lover, um álbum inteiro celebrando isso.
🩷Trecho: You gotta step into the daylight and let it go


🦋Conclusão: valeu a espera?

No geral, eu gostei muito de Lover. Eu acho que é um álbum que a Taylor queria fazer e precisava fazer. Como fã, é muito bom ver que ela está mais leve, romântica, forte e madura depois de tudo o que viveu.

Meu único “porém” é que eu acho um álbum longo. Mas, ao mesmo tempo, eu entendo: ela escreveu as músicas, gosta delas, e quis colocar todas no mundo. Consigo respeitar isso.

De qualquer forma, acho que ainda é cedo para ter opiniões muito definitivas sobre o álbum. Daqui a alguns meses (quem sabe até anos?), talvez eu mude de opinião e acabe amando tudo incondicionalmente. Às vezes o álbum precisa de tempo para ocupar mais espaço no coração da gente.

🦋Faixas favoritas:
TOP 5: acredito que pelo menos essas cinco faixas merecem atenção
  1. Cornelia Street
  2. Miss Americana & The Heartbreak Prince
  3. The Archer
  4. Death by a Thousand Cuts
  5. False God
                                                                                                                                

Este post é parte do desafio:


28 de agosto de 2019

HEY, KIDS! TAYLOR IS FUN!: uma playlist atualizada com as minhas músicas favoritas da Taylor Swift


#01 Welcome To New York
#02 Only The Young
#03 ME!
#04 Gorgeous
#05 Wonderland
#06 ...Ready For It?
#07 I Did Something Bad
#08 Blank Space
#09 Haunted
#10 I Knew You Were Trouble
#11 Should've Said No
#12 I Wish You Would
#13 You're Not Sorry
#14 Red
#15 Lover
#16 Come Back...Be Here
#17 Teardrops On My Guitar - Pop Version
#18 Don't Blame Me
#19 Miss Americana & The Heartbreak Prince
#20 Wildest Dreams
#21 All Too Well
#22 Haunted - Acoustic Version
#23 We Are Never Ever Getting Back Together
#24 Begin Again
#25 Sparks Fly
#26 Enchanted
#27 Love Story
#28 Mine
#29 King of My Heart
#20 Cornelia Street
#31 Style
#32 22
#33 A Place In This World
#34 The Man
#35 New Romantics
#36 Delicate
#37 False God
#38 Out Of The Woods
#39 Getaway Car
#40 Call It What You Want
#41 The Archer
#42 Ours
#43 Bad Blood
#44 This Is Why We Can't Have Nice Things
#45 You Need To Calm Down
#46 Shake It Off
#47 Long Live


***

Observação (14/10/20): essa versão da minha playlist de músicas favoritas da Taylor Swift começou a surgir em abril de 2019, logo após o lançamento de ME!, mas as principais alterações surgiram após o lançamento do Lover, em agosto. A última faixa acrescentada foi Only The Young, lançada no começo de 2020. Aqui, mais uma vez, destaquei as faixas que mais gostei do novo trabalho junto com novas favoritas dos álbuns anteriores. Apesar de ser a versão mais longa da playlist (47 músicas!), gostei do resultado. Gostei também da capa, na qual optei por retratar as três versões pop da Taylor e a versão Red, já que o Lover é também uma celebração de todas as Taylors. Decidi fazer esse registro hoje porque já são quase três meses de folklore e já começo a sentir vontade de alterar a playlist mais uma vez com faixas novas.

6 de julho de 2019

road trippin': uma playlist para a estrada (julho/2019)


#01 Kings Highway (Tom Petty and the Heartbreakers)
#02 Craving (James Bay) 
#03 Red (Taylor Swift) 
#04 My Girl (Michael Jackson) 
#05 Home (Edward Shape & The Magnetic Zeros) 
#06 Ready To Run (One Direction) 
#07 Wonderwall (Oasis) 
#08 Send Me an Angel - Acoustic Version 2017 (Scorpions) 
#09 Learning To Fly (Pink Floyd) 
#10 Heroes (David Bowie) 
#11 In My Blood (Shawn Mendes) 
#12 Castle on the Hill (Ed Sheeran) 
#13 Tiny Dancer (Elton John) 
#14 Blue Denim (Stevie Nicks) 
#15 Sweet Home Alabama (Lynyrd Skynyrd) 
#16 Mr. Jones (Counting Crows) 
#17 Gimme Shelter (The Rolling Stones) 
#18 A Place With No Name (Original Version) (Michael Jackson) 
#19 Summer Of '69 (Bryan Adams) 
#20 Sparks Fly (Taylor Swift) 
#21 Pompeii (Bastille) 
#22 Little Talks (Of Monsters and Men) 
#23 Radioactive (Imagine Dragons) 
#24 Walking in the Wind (One Direction) 
#25 The End of Innocence (Don Henley) 
#26 My Father's Eyes (Eric Clapton) 
#27 Piano Man (Billy Joel) 
#28 While My Guitar Gently Wheeps (The Beatles) 
#29 Daniel (Elton John) 
#30 I'll Be There (The Jackson 5) 
#31 Stand by Me (Ben E. King) 
#32 Oh Yoko! (John Lennon) 
#33 Africa (TOTO) 
#34 I Won't Back Down (Tom Petty) 
#35 Heart of Gold (Neil Young) 
#36 California Dreamin' (Rick Price & Jack Jones) 
#37 Go Your Own Way (Fleetwood Mac) 
#38 Learning To Fly (Tom Petty and the Heartbreakers) 
#39 Hard Sun (Eddie Vedder) 
#40 Scar Tissue (Red Hot Chilli Peppers) 
#41 All Star (Smash Mouth) 
#42 Wake Me Up (Avicii) 
#43 All Along The Watchtower (Eddie Vedder & The Million Dollar Bashers) 
#44 Rock On - Ver. 09 (Michael Damian) 
#45 Wanderlust (James Bay) 
#46 American Pie, Pt.1 (Don McClean) 
#47 For What It's Worth (Liam Gallagher) 
#48 Goodbye Yellow Brick Road (Elton John) 
#49 English Rose (Ed Sheeran) 
#50  Octupus's Garden (The Beatles) 
#51 Budapest (George Ezra) 
#52 Free Fallin' (Tom Petty) 
#53 Heaven (Bryan Adams) 
#54 My Father's Gun (Elton John) 
#55 Rio Grande (Freedom Fry) 
#56 Where The River Flows - Studio Edit (Scorpions) 
#57 Road Trippin' (Red Hot Chilli Peppers) 
#58 Society (Eddie Vedder) 
#59 Rescue (James Bay) 
#60 California Snow (Weezer)

4 de junho de 2019

RELEITURA: A Noiva Fantasma (Yangsze Choo)

Quando li A Noiva Fantasma pela primeira vez, em 2015, lembro de não ter gostado e de ter me sentido enganada de alguma forma. Depois de um tempo, percebi que isso tinha acontecido porque criei expectativas - coisa que tento não fazer, mas que nem sempre consigo evitar. Tudo me levou a crer que encontraria um livro mais sombrio, algo bem distante da fantasia YA que o livro realmente é.


Uma vez que superei a experiência frustrante, comecei a sentir vontade de reler, pois algo me dizia que poderia aproveitar melhor já sabendo como seria a história. Agora que realizei a releitura, digo que estava certa na suposição, pois a segunda experiência com o livro foi completamente diferente, principalmente da metade para a frente, já que não lembrava de nada além do final.

Sobre a narrativa, dá para dizer que a autora fez um bom trabalho ao envolver o leitor na atmosfera da história. Tudo é muito fluído, com um ritmo que mantém o leitor envolvido do início ao fim e torna a leitura bastante imersiva. Dessa vez, em nenhum momento senti que a leitura estava se arrastando.

A protagonista, Li Lan, é um pouco ingênua e me lembro de este aspecto ter me incomodado; contudo, ao revisitar a história, compreendi que esse comportamento faz sentido se considerarmos o contexto em que ela está inserida. Uma jovem super protegida do século XIX se comportaria daquela forma e em alguns momentos, é possível perceber que ela tenta, à sua maneira, lutar contra as convenções sociais da época. Se antes havia considerado o final absurdo, agora encaro a escolha de Li Lan como algo bastante subversivo e coerente para alguém em sua posição. Ao acompanharmos sua jornada, percebemos que a personagem evolui e não só descobre quem é, mas também começa a questionar a vida que viveu até então. O romance também havia sido um problema durante a primeira leitura, porém um olhar mais atento e sem expectativas me fez enxergar sentido nele. Agora, gosto do casal e adorei a evolução do relacionamento.

Nas duas experiências, o personagem mais interessante para mim foi o Er Lang. No Goodreads, a autora comentou que adoraria escrever um livro sobre ele, mas que não era o seu foco no momento. Espero que ela mude isso algum dia, pois quero muito saber mais sobre o personagem. 

Por fim, gostei de conhecer um pouco sobre uma cultura diferente. A tradição da noiva fantasma era algo de que nunca tinha ouvido falar e achei bastante curiosa. Foi interessante ler uma história ambientada na Malásia colonial, um contexto que mistura as diferentes culturas locais com a cultura inglesa. Percebi que não conheço muitas histórias ambientadas durante esse período e fiquei intrigada o suficiente para pesquisar mais sobre o assunto. Leitura recomendada!

30 de maio de 2019

Se não eu, quem vai fazer você feliz? (Graziela Gonçalves)


O livro é uma mistura de autobiografia e livro de memórias em que Graziela Gonçalves conta um pouco de sua história, como conheceu o Alê, conhecido por todos nós como Chorão, e como foi a história que eles viveram juntos.

Gostei muito de como ela construiu o cenário de Santos nos anos 80 e 90, pois consegui ser transportada para aquela época. Outro ponto importante da ambientação é que consegui entender o contexto em que o Charlie Brown Jr. surgiu e perceber a influência da cidade na obra do Chorão.

A maneira como Grazi fala sobre como conheceu o Alê é muito gostosa de acompanhar. Adorei o trecho em que mesmo tendo a música como parte muito importante de sua vida e de seus anos de formação, ela nunca, nem em seus sonhos mais impossíveis, havia imaginado que ocuparia a posição (ou seria papel?) de musa inspiradora. Amei conhecer as histórias por trás das letras das músicas do Charlie Brown Jr. É lindo pensar que o romance dos dois está imortalizado por elas.

Ao falar sobre o Chorão, Grazi não poupa palavras e é bastante sincera. Enaltece suas qualidades, mas não omite seus defeitos. Achei curioso o fato de ela reconhecer que abriu mão de muitos de seus sonhos para seguir os sonhos do Alê. Foi triste ler sobre como ela se sentiu vazia depois que ele faleceu, não apenas pela dor da perda e do luto, mas também por perceber que não sabia mais quem ela era sem o Alê.

No final, ela comenta como a abandonaram depois da morte do Chorão - pessoas que antes eram tão próximas se tornaram estranhas. Além disso, tentaram não apenas "apagar" a sua importância para a banda, mas também a culparam parcialmente pela morte do Alê. Ela explica que escreveu o livro para contar a história que os dois viveram juntos, em que sonharam juntos, e também para compartilhar um lado do Chorão não muito perceptível por trás daquele jeito de brigão que ele tinha. Através dos olhos da Grazi, enxergamos o Alê: um cara sensível, inseguro e vulnerável que se escondia por trás daquela postura.

Terminei a leitura apaixonada pela história deles, com vontade de visitar Santos e, definitivamente, com vontade de conhecer mais do trabalho do Charlie Brown Jr. Leitura recomendada!

24 de abril de 2019

A trilha sonora do meu 2018 | RETROSPECTIVA 2018


Este post ficou esperando uma finalização, adormecido na minha pasta de rascunhos, desde dezembro e já estou com vergonha de ter vergonha por não ter postado antes do Carnaval (risos). Então, antes tarde do que nunca, eis a retrospectiva musical 2018 e a distribuição dos troféus!

Disclaimer: acho importante frisar que 1) não escutei todos os lançamentos de 2018 e 2) o post é sobre o que escutei em 2018. Por isso, a retrospectiva irá incluir coisas que não necessariamente foram lançadas durante o ano. Mais uma vez, as categorias estão um pouco diferentes das edições anteriores e criei algumas novas. Agora, teremos um troféu Taylor Swift e um troféu Michael Jackson, já que ambos estão sempre na trilha sonora da minha vida e merecem demais essa minha homenagem.

Escutei pouco, mas gostei e quero prestigiar mais em 2019


Camila (Camila Cabello, 2018). Depois do sucesso estrondoso de Havana, em 2017, fiquei bem empolgada para escutar o álbum de estreia da Camila Cabello. Ele chegou em janeiro do ano passado e me lembro de ter escutado durante alguns dias após o lançamento...até que parei de escutar sem nenhum motivo aparente. Espero conseguir prestigiar mais em 2019 ou, talvez, dar mais atenção para a Camila assim que seu próximo álbum estiver entre nós.

Expectations (Bebe Rexha, 2018). Não sabia muito bem quem era Bebe Rexha até aquele feat. com o Louis Tomlison; desde então, fiquei sabendo que a moça já tinha alguns singles e collabs com outros artistas e que faria a sua estreia com um álbum em 2018. Escutei logo que saiu, me apaixonei pela faixa de abertura, gostei de mais algumas e prometi que dedicaria atenção ao álbum com mais calma (acho que outros lançamentos importantes rolaram na mesma época), apenas para me atrapalhar e esquecer de cumprir a promessa. Por fim, acabei colocando algumas das faixas do álbum na minha playlist de verão 2019 como um lembrete para conferir o álbum todo em algum momento.

Bloom (Troye Sivan, 2018). Assim como aconteceu com Blue Neighbourhood (2015), não tenho nada de negativo para dizer em relação ao segundo álbum do Troye Sivan. Tudo aqui é bem produzido, as melodias são gostosas e a vibe geral do disco é 10/10. Eu realmente não sei o porquê de não ter escutado tanto. Por favor, não sejam como eu e prestigiem o trabalho do Troye Sivan.

Achei que ia amar, mas flopou

Blue Madonna (BØRNS, 2018). Depois de ter a minha cabeça explodida pelo Dopamine (2015), um dos melhores álbuns que escutei nos últimos anos e, definitivamente, um dos meus preferidos da vida (!), nem preciso dizer que tinha altas expectativas em relação ao seu sucessor. Principalmente depois do lançamento do primeiro single, Faded Heart, e da notícia de que teria um feat. com a Lana Del Rey (!). Contudo, fiquei apenas nas expectativas, pois o álbum não chegou aos pés do anterior e, de forma geral, achei bem qualquer coisa. Não sei se não entendi o ~conceito~, se rolou algum tipo de ~experimentalismo~, se as músicas são ruins ou se o problema estava comigo. É possível que seja uma mistura disso tudo. Só sei que achei que ia amar muito e flopou no meu coração.

Foi bom enquanto durou 


Egypt Station (Paul McCartney, 2018). Não sabia que o Paul ia lançar álbum novo em 2018 e só descobri quando faltava pouco mais de um mês. Isso foi ótimo, pois não precisei esperar muito e não dei espaço para as expectativas - não que seja viável evitar expectativas em um caso como esse. Quando o álbum chegou, escutei intensamente no fim de semana do lançamento, assisti ao especial no Spotify e amei tudo (menos Back in Brazil, pois sem condições essa música) como se não houvesse amanhã. Aí, o baile seguiu e eu deixei pra lá. Uma pena, porque mesmo que eu não seja capaz de dizer se o álbum é genuinamente bom (tenho zero capacidade de exercer senso crítico com quem marcou minha vida desde a infância), ele é bem bom sim e merecia mais consideração de minha parte. Escutem. É nostálgico. Vale a pena.

A descoberta do ano


The Weeknd. Olha, não tenho noção de quanto tempo faz desde que comecei a sentir que todo mundo conhecia The Weeknd e eu perdi as contas de quantas notas mentais escrevi para me lembrar de conferir qual era a dele. Além da inexplicável surpresa ao descobrir que se tratava de uma única pessoa - e não uma banda ou dupla, como poderia jurar que fosse -, cujo nome real é Abel Makkonen Tesfaye, fiquei maravilhada com as músicas, que têm uma sonoridade que, por falta de palavra melhor, irei chamar de única. É toda uma vibe, sabe? Tem que sentir. Felizmente, escutei apenas um dos seus cinco discos e tô bem empolgada para conhecer os outros, que pretendo economizar, pois sou exatamente esse tipo de pessoa.

O orgulhinho do ano


Taylor Swift. Ser exaustivamente odiada, julgada e criticada por mais de um ano pelo mundo todo é horrível demais e minha melhor amiga famosa lidou com essa situação de forma magistral e louvável. Se em 2017 ela se manteve reclusa, não concedeu entrevistas e só deu as caras em videoclipes e imagens promocionais do reputation, em 2018 tudo isso foi potencializado. O que vimos foi uma artista talentosa, dedicada aos seus fãs, que ama o seu trabalho e é 100% profissional. Como resultado, ao invés de polêmicas na imprensa e na internet, veio uma das turnês mais lucrativas do ano, a presença constante nas paradas musicais e a Reputation Stadium Tour na Netflix (um baita presente de fim de ano para os fãs, diga-se de passagem). Ela pode até não ter se exposto, mas esteve em evidência na área em que atua, mostrando que é, sem sombra de dúvidas, um dos principais e mais poderosos nomes na indústria musical. Adoro essa faceta da Taylor, que me encheu de orgulho e inspiração em 2018. ♥

O reencontro do ano


The Rasmus. Não tinha parado para pensar no impacto da banda finlandesa na minha vida até o momento em que, do nada (!), lembrei dela e fui me informar sobre como andava. Rapidamente, descobri que ainda estavam juntos, haviam lançado disco novo, estavam em turnê e haviam passado pelo Brasil há pouco mais de duas semanas (tô triste até agora por ter perdido esse rolê). Aí, vi que tinha uma bônus track (ainda existe isso, gente?) recente e fui escutar e aaaaaaaaaaah the feels. Daquele momento em diante - creio que em meados de outubro -, fiquei completamente obcecada pela banda, assisti inúmeras entrevistas pelo YouTube (pelo menos as que estão em inglês) escutei o disco mais recente exaustivamente, relembrei os hits antigos e que marcaram a minha adolescência trevosa e, de forma geral, me deixei abraçar por tudo o que a música dos caras - e as letras maravilhosamente simples e profundas do Lauri Ylönen - têm para oferecer. 2018 foi um ano diabolicamente péssimo, mas serei grata por pelo menos me devolver um amigo (Lauri, no caso) que nem sabia que sentia falta. Curiosamente (ou não, porque a vida tem dessas), faziam exatos dez anos desde que eu havia parado de acompanhar o trabalho dos caras e eles voltaram para a minha vida justamente quando eu mais precisava escutar o que eles tinham para me dizer. The Rasmus, que banda. ♥

Finalmente entendi o hype


Shawn Mendes. Como sabemos, o moço flopou na minha vida em 2016, mas como adoro uma reviravolta, Shawn Mendes teve o seu arco de redenção. Não apenas amei o disco mais recente, como finalmente entendi o porquê de tanta gente gostar de suas músicas. Gente, é tudo muito apaixonante e não dá para não se render. Também gostaria de registrar que fiquei chocada ao descobrir que o jovem tem apenas 20 anos. Acho que tem um futuro promissor. Tô torcendo por você, Shawn!

Clássicão que só aconteceu na minha vida agora


Scorpions. Não sei o que eu estava fazendo da minha vida para ter ignorado os caras todos esses anos. Não é que eu nunca tivesse ouvido falar deles, mas tinha me contentado em conhecer apenas três ou quatro músicas de seu vasto repertório e, consequentemente, me privei de algo muito bom. A Sharon já tinha me dito que a banda é uma de suas preferidas e eu deveria ter enrolado menos para tentar entender o porquê. Não escutei muitos dos discos, mas como sei que todo ano me traz uma fase rockão-antigo-pé-na-estrada-e-sofrência, irei me preparar para contemplá-los no momento oportuno. 

A voz do ano

♥O melhor, o maior, o mais importante artista de 2018♥

Vossa Majestade Real, o Rei do Pop Michael Jackson👑. Não vou nem me explicar, pois pouco me surpreende que em um ano em que eu respirei MJ, ele se destaque como a principal voz. Se em 2017, me reencontrei com o meu artista preferido de todos os tempos, em 2018 passei a considerá-lo o meu melhor amigo platônico. Ao ler sobre a sua vida e sua arte (o pouco que pude, pois a vida desse ser humano é absurdamente rica em detalhes), pude compreender melhor as suas músicas e a sua mensagem para o mundo. Michael era especial, único. O mundo não o merecia, mas tivemos a sorte de tê-lo em nossas vidas. Ano passado, foi a Diamond Celebration, uma comemoração dos 60 anos do Rei do Pop, e foi lindo ver o quanto ele marcou e ainda marca a vida de pessoas ao redor do mundo todo, principalmente quando consideramos que muito do que ele fazia era sobre gentileza e amor. Quer legado mais importante e necessário para esse tempo de trevas que estamos vivendo? Te amo, MJ. ♥


***

Bate - bola das músicas 

A primeira música do ano (ritual do shuffle): Caroline (Fleetwood Mac)
A música do ano: Us (James Bay)
A mais tocada: Us (James Bay)
As ~good vibes~ do ano: Wanderlust (James Bay), Starboy (The Weeknd), no tears left to cry (Ariana Grande), Train (KING GVPSV) e One Way Street (Tito Jackson).
A power ballad roqueira e sentimental do ano: Still Loving You (Scorpions)
Resgatada pelo shuffle (ou: esqueci que amava, mas o shuffle me lembrou): The Outsiders (R.E.M.)
Grata surpresa: Chill (The Rasmus) e Africa (cover do Weezer)
Troféu Taylor Swift do ano 🐍: I Did Something Bad
Troféu Michael Jackson do ano👑: Is It Scary
Completamente ignorada durante anos para só ser realmente apreciada em 2018: Wind of Change (Scorpions)


***

São questões


sweetener (Ariana Grande, 2018). Logo que no tears left to cry foi lançada, fiquei bem empolgada pelo sucessor do Dangerous Woman (2016), um dos meus álbuns preferidos. Daí, veio the lights is coming, que achei péssima. Depois veio God is a woman, que é um baita musicão. Quando escutei o disco inteiro, fiquei com uma sensação mista de nossa-que-disco-bom-mas-nossa-que-disco-blergh, porque achei tudo bem desconexo e é quase como se fossem dois álbuns em um, com faixas mal distribuídas. Não sei se tive expectativas muito altas, ou se não compreendi direito o álbum e o tempo dirá que estou completamente errada (é possível que a vitória no Grammy 2019 já seja um indicativo disso...) . Contudo, não vou mentir, achei o álbum bem na média e bem diferente do que imaginava, definitivamente sem explorar todo o potencial da Ariana. Enfim, são questões.  Ah, e tem essa capa também. Achei horrível.

Disco de 2017 que só aconteceu na minha vida em 2018: 


As You Were (Liam Gallagher, 2017). Não que eu tivesse ignorado o disco quando foi lançado, mas só fui valorizar de verdade no ano passado. Depois de dois álbuns com o Beady Eye, banda que nunca gostei, parece que o Liam finalmente se encontrou em seu primeiro disco solo e o resultado é uma seleção de quinze faixas deliciosas, com a medida certa de nostalgia, com vibes gerais de anos 90 e menos especificamente de Oasis, de um jeito que dá para o Liam brilhar. Sem deixar de lado, claro, as referências aos Beatles e aos Rolling Stones. Pretendo escutar mais ao longo dos anos.

Discos de 2018 que não escutei, mas quero prestigiar em 2019 


Liberation (Christina Aguilera, 2018). Para ser sincera, escutei logo que saiu e pensei "uaaaaau, que coisa mais maravilhosa! Christina é muito foda! Melhor álbum do ano até o momento, etc, etc, etc", e aí, não dei mais bola. Contudo, ressalto que escutei o álbum uma vez e fui completamente impactada. Assim, mesmo me lembrando apenas do feat. com a Demi Lovato, considero que não escutei o álbum de verdade e, por isso, quero prestigiar em 2019.

Youngblood (5 Seconds of Summer, 2018). Olha, eu não fazia ideia do que era 5 Seconds of Summer, achava que fosse Sum 41 e sempre falava 30 Seconds to Mars. Obviamente, as bandas não tem nada em comum e eu sei que o Jared Leto é o vocalista do 30 Seconds to Mars, bear with me. Porém, acabei escutando Youngblood, a música, por recomendação do Spotify e gostei. Quando vi uma galera na internet dizendo que o som desse álbum (o terceiro da banda!) segue mais ou menos na linha do que o One Direction começou a fazer com o Made In The A.M. (2015), um dos álbuns da minha vida, nem pensei duas vezes antes de salvar Youngblood na minha biblioteca. Apenas aguardo o momento oportuno, pois estou determinada a amar esse álbum e se isso não acontecer em 2019, ficarei muito triste e frustrada.

Pray for the Wicked (Panic! at the Disco, 2018). A banda foi uma das mais marcantes dos meus anos de colégio e cursinho - ainda que eu amasse de um jeito meio guilty pleasure, pois naqueles tempos ainda acreditava nessa palhaçada - e, depois de um bom tempo sem acompanhar os discos recentes, acabei "esbarrando" no clipe de High Hopes no YouTube. Não confirmo e nem nego que fiquei um tanto emocionadinha e empolgada e, talvez, cante trechinhos diariamente. Logo, a única ação possível que enxergo é escutar esse álbum de forma intensa durante 2019.

Aqueles que voltaram para esquecer e abraçar meu coração:


reputation (Taylor Swift, 2017). Meu álbum oficial de treinos e que traz a minha versão preferida da nossa melhor amiga! Poderia escrever muitos e muitos parágrafos enaltecendo essa obra-prima do século XXI, mas como já fiz isso nesse post, vou parar por aqui. Apenas saibam que eu amo esse disco. Escutem o reputation, gente. E depois assistam ao especial na Netflix. ♥

Greatest Hits (Fleetwood Mac, 1988). Desde que me apaixonei completamente pelo Fleetwood Mac, em 2016, a banda sempre dá um jeito de deixar uma marca na trilha sonora da minha vida. No ano passado, escutei algumas coletâneas e essa daí foi a campeã. Apesar de não achar a melhor ou a mais completa (saiu uma de 50 anos em 2018, gente!), gosto da seleção. E amo que já começa impactando com Rhiannon - que música! Stevie Nicks, que mulher! 🌙

Dangerous Woman (Ariana Grande, 2016). Também foi um álbum que me marcou muito em 2016 e que, conforme os anos foram passando, foi ganhando ainda mais o meu coração. O que mais gosto é que ele me faz companhia em treinos, mas também naqueles dias em que a autoestima está no chão e preciso de algo que me faça sentir melhor, mais forte, mais bela, mais poderosa, etc, etc, etc.

O humilhado que agora é exaltado


Invincible (Michael Jackson 👑, 2001). Antes de mais nada, quero deixar registrado que eu nunca humilhei esse álbum, já que eu ignorei sua existência desde sempre. Não foram poucas as vezes que vi veículos de comunicação declarando esse trabalho uma bomba-um fiasco-o maior fracasso da carreira do Rei do Pop-blablabla e, por isso, preferi não escutar para conservar na memória apenas coisas boas a respeito da obra de Vossa Majestade. Só que, vejam bem, era humanamente impossível para Michael Jackson fazer algo ruim, entendem? E fracasso é muito medido por perspectiva, expectativa e vendas. No caso em questão, estamos falando do cara que foi O MAIOR ARTISTA DE TODOS OS TEMPOS, que rompeu com paradigmas e, de certa forma, criou o que conhecemos hoje como música pop. 'Cês entendem que as expectativas para qualquer coisa que ele fazia eram altíssimas e que seria impossível atingi-las com uma crítica que estava de bode dele, além de uma gravadora comandada por Tommy Motolla, que, segundo Vossa Alteza, era o demônio? Gente, a própria Sony tirou o álbum das lojas e cancelou a divulgação depois de três semanas! Quem é que pode culpar Michael Jackson por simplesmente largar tudo no que diz speito ao disco? No lugar dele, faria a mesma coisa. (Mais informações sobre esse rolê todo nesse vídeo aqui).

Deixando as tretas de bastidores de lado, basta escutar Invincible para perceber que ele estava completamente de acordo com o tipo de música que a gente viria a escutar alguns anos depois de seu lançamento. Ou seja, Michael Jackson, mais uma vez, lançou tendência! E ele fez isso de um jeito bem confessional, de forma que o álbum é um de seus trabalhos mais pessoais. Michael Jackson colocou A SUA ALMA no disco e as pessoas simplesmente ignoraram. Repito: o mundo não merecia esse homem. Apenas escutem o Invincible, pois ele merece demais ser prestigiado.

Menção honrosa


Brotherhood (3T, 1995). Nessa de respirar Michael Jackson, inevitavelmente esbarrei em 3T, o trio formado por Taj, Taryll e TJ, seus sobrinhos, filhos do Tito Jackson. O som é um R&B gostosinho, bem naquela vibe de boyband dos anos 90 e que dá para ficar escutando em loop. Sinceramente, nada tenho de negativo para dizer sobre Brotherhood, que traz faixas que parecem ter sido escolhidas a dedo por seus integrantes e pelo time de produtores - sendo um deles o ilustre tio dos meninos, que além de contribuir com uma composição, participa de duas faixas. Não escutei o disco tempo suficiente para colocá-lo em uma lista de favoritos do ano, mas inegavelmente foi um marco e queria deixar o registro aqui. Pretendo escutar mais vezes, principalmente naqueles dias em que estiver me sentindo mais nostálgica. Acho que vocês deveriam fazer o mesmo.

***

Top 7: os melhores álbuns de 2018


MAY 20TH (KING GVPSV, 2018)
Até hoje acho que a maneira como cheguei até esse disco bem aleatória. Primeiro, porque o tipo de som não é exatamente o que eu costumo escutar. Segundo, porque não é como seu eu acompanhasse o trabalho do elenco de Supergirl. Acontece que KING GVPSY é o ator Mehcad  Brooks e, por razões que desconheço, cheguei à sua carreira musical. Enfim, depois de curtir alguns singles fiquei na curiosidade para escutar o álbum todo e quando aconteceu, amei! Novamente, não sei explicar o porquê de ter gostado tanto, uma vez que o som é uma mistura de alguns estilos com música eletrônica (acho). O resultado é algo meio transcendental que me faz pensar em natureza, deserto, mar, algo místico e good vibes...sei lá. Talvez seja a voz do Mehcad mesmo. Realmente, não sei.
Faixas preferidas: Tears Away, Train, e Cigarettes and Red Wine.

Shawn Mendes (Shawn Mendes, 2018)
Depois de decidir que Shawn Mendes não era para mim, só resolvi escutar o disco mais recente por indicação da minha amiga Alessandra, que conhece o meu gosto musical e achou que eu poderia gostar. Ela estava certa. O que mais me impressionou é que o disco, apesar de ser pop, tem uma mistura de referências que funcionou muito bem. Como resultado, temos uma seleção bem ~elegante~ e que, creio, mostra o amadurecimento do cantor. Além disso, é o tipo de trabalho que dá para ficar escutando em loop por horas sem enjoar. Contudo, preciso falar dessa capa. Não dá pra defender essa capa.
Faixas preferidas: In My Blood (que hino! e que acerto de faixa para abrir o disco! já chega com tudo!); Youth (mais uma vez, que hino!) e Perfectly Wrong (baladinha triste que faz a gente ficar triste também).

Electric Light (James Bay, 2018)
O James Bay é um dos meus cantores preferidos e sabendo que o Chaos and the Calm (2015) é um dos discos da minha vida, nem preciso dizer que tinha altas expectativas para seu sucessor. Se a minha única crítica em relação ao primeiro álbum é que o tempo todo prevalece uma sensação de que James não se sentia seguro para se soltar e mostrar todo o seu potencial, não dá pra dizer isso sobre Electric Light. Aqui a gente tem uma ideia bem real do tipo de artista que é o James Bay. Aqui, ele se permitiu arriscar e trouxe referências como David Bowie, Mika (!), Hozier e, sei lá, Justin Bieber (???), mas sem deixar de lado seu lado ~rockeiro~. No fim, o álbum funciona muito bem e é cheio de personalidade. Outro ponto que quero destacar é que parece que James está muito mais feliz e, como fã, fico feliz, pois o moço sofria demais no disco anterior. Tenho certeza de que mesmo já gostando muito do Electric Light, com o passar dos anos irei amar até que se torne um dos meus favoritos.
Faixas preferidas: UsIn My Head, Wanderlust, Sugar Drunk High e Stand Up.


Starboy (The Weeknd, 2016)
A estreia de The Weeknd na trilha sonora da minha vida veio com o seu terceiro álbum. Gostaria de dizer algo profundo sobre o trabalho, mas a verdade é que Abel ganhou meu coração pela sonoridade geral de suas músicas combinada com sua voz MARAVILHOSA. Só depois é que fui perceber que as letras, além de melancólicas e chorosas, se mantém quase que totalmente na mesma temática da difícil vida de artista famoso que sofre muito, mas também transa muito. E bebe muito. E vai muito em festas. E tem muito dinheiro para gastar com carros. Enfim, quando percebi o conteúdo geral das músicas, já era tarde e o estrago estava feito. Sigo amando o álbum - e praticamente tudo que já escutei de The Weeknd - e torço muito para que o moço faça uso apenas de uma persona e que ele não sofra tanto quanto parece sofrer. Mas sério, escutem The Weeknd. É sim tudo isso que dizem por aí.
Faixas preferidas: Starboy, Ordinary Life e I Feel It Coming.

Invincible (Michael Jackson, 2001)
Depois de todo o rant que fiz acima, irei ser breve. Nesse álbum, encontramos tudo o que Michael Jackson sempre representou e fez em seus discos solo, só que com aquele quê de anos 2000. Seria a entrada de Vossa Majestade no novo milênio e, infelizmente, acabou por ser seu único trabalho na década. Aliás, é seu último trabalho lançado em vida! Tem músicas dançantes, outras para balançar a cabeça enquanto escutamos, baladinhas românticas e, claro, músicas para chamar atenção para os problemas do mundo e convencer quem está escutando a levantar o traseiro do sofá e fazer alguma coisa a respeito. Também é interessante notar que aqui podemos ter uma dimensão do alcance vocal do MJ, que normalmente cantava em tons mais altos, o que nos leva a pensar que ele tinha uma voz mais aguda. Porém, quando ele queria, usava sua voz mais grave e, na real, não soava tão distante da voz de seus irmãos. Mas como todos somos suscetíveis a erros, Vossa Alteza, humano como todos nós, também cometeu alguns em Invincible. O disco pode, por vezes, soar um pouco repetitivo nas batidas de algumas faixas e, nada, absolutamente NADA, justifica 2000 Watts. No mais, é um belo trabalho e o próprio Michael dizia que o enxergava como tão bom quanto - ou até melhor que - Thriller. Olha, são questões. Ainda assim, o disco é bom, foi bem injustiçado e merecia mais do mundo.
Faixas preferidas: Break of Dawn, Heaven Can Wait, You Rock My World, Speechless, The Lost Children (uma das músicas mais Michael Jackson do Michael Jackson, a alma dele tá aí) e Whatever Happens (essa música!, essa música!, essa música!).

MTV Unplugged: Scorpions In Athens (Scorpions, 2013)
Se 2018 foi o ano em que Scorpions finalmente aconteceu na trilha sonora da minha vida, a culpa é todinha desse álbum. Foram muitas as caminhadas em que esse acústico me acompanhou e posso dizer, sem dúvida alguma, que é uma das coisas mais belas que já ouvi. Mesmo conhecendo pouquíssimo do repertório da banda, sei o suficiente para dizer que é conhecida por fazer um som mais pesado e ~farofento~ de um jeito clássico. Por isso, adorei a repaginada das músicas com arranjos mais suaves. Verdade seja dita, eu adoro um álbum acústico e acho que jamais poderia não gostar desse dos Scorpions. O mais legal vai ser conhecer as versões originais de músicas que só escutei nesse registro ao vivo. Ah, além do show, a banda também lançou algumas versões acústicas gravadas em estúdio e, claro, ficaram lindas.
Faixas preferidas: Follow Your Heart, Send Me an Angel, Where the River Flows e Wind of Change - a participação do Morten Harket deixou a música ainda mais especial. 


O melhor, o maior, o mais importante álbum de 2018


Dark Matters (The Rasmus, 2017)
Se alguém me dissesse que em 2018 eu voltaria a escutar The Rasmus, eu jamais acreditaria. Mas a vida tem dessas e, vez ou outra, acaba por nos surpreender. Depois de escutar Holy Grail, faixa bônus que a banda lançou para comemorar um ano do Dark Matters, e me surpreender com a sonoridade diferente, mas ao mesmo tempo muito familiar, resolvi conferir o álbum todo - que só chegou no Spotify em 2018, btw -, e ainda bem que o fiz. Não sei bem explicar toda a avalanche de sentimentos que esse álbum me proporcionou, mas saibam que foram emoções muito intensas. Com uma sonoridade claramente influenciada por artistas e gêneros que fazem sucesso nas rádios dos EUA - resultado da mudança de Lauri Ylönen para Los Angeles há alguns anos -, a banda conseguiu fazer um álbum de rock muito bom, que soa atual e, ao mesmo tempo, resgata algo da fase gótica suave dos discos de 2003 e 2005 - porém, com uma sonoridade mais leve. Adorei perceber que, por trás dos efeitos eletrônicos e algumas melodias que puxam mais para o pop, a essência melancólica tão marcante nas músicas da banda ainda permanece. As letras continuam maravilhosas e cheias de metáforas. Gosto principalmente daquelas com noite, lobos, céu, lágrimas e escuridão. The Rasmus, que banda. ♥
Faixas preferidas: TODAS, mas principalmente Empire (que música!), Black Days, Dragons into Dreams, Paradise e Teardrops.