22 de agosto de 2018

Música para camaleões (Truman Capote) • BOOK REVIEW


Publicado em 1980, Música para camaleões foi o último trabalho concluído por Truman Capote. Logo no prefácio, o autor explica que a obra surge como resultado de um longo período de inatividade, ou quase isso, que se seguiu após a publicação de A Sangue Frio (1966), marco do jornalismo literário. Após o estrondoso sucesso de seu romance de não ficção, Capote dedicou os anos seguintes à revisitar textos arquivados com o intuito de utilizá-los em sua próxima obra, ao mesmo tempo em que publicou alguns textos em veículos de comunicação. Contudo, devido ao que ele denomina crises criativas e pessoais, pausou a produção de Súplicas Atendidas (obra que permaneceu inacabada e foi publicada postumamente em 1986) e passou a se dedicar ao que viria a se tornar Música para camaleões.


Dividido em três partes, o livro reúne textos com características do gênero romance de não ficção, pelo qual o autor já se tornara conhecido e traz como diferencial o fato de que ele passou a se inserir na narrativa.

Agora, porém, eu me postava no centro do palco, e reconstituía, com rigor e minúcia, conversas corriqueiras travadas com pessoas do cotidiano (...). Depois de escrever centenas de páginas desse tipo de coisa bem simplória, acabei desenvolvendo um estilo. Tinha encontrado uma estrutura básica em que eu poderia incorporar tudo que sabia sobre a arte de escrever.
(Pág. 17)

A primeira parte, intitulada Música para camaleões, traz seis textos breves que são relatos de encontros e situações corriqueiras - porém com um 'quê' de fabulosas, já que Truman Capote era bem relacionado - vividos pelo autor. De forma geral, o que nos fascina nesses textos é a maneira como ele discorre sobre situações banais e que, aparentemente, não trazem nada de muito interessante. Capote dominava a arte da escrita e o fazia de forma primorosa.  Desta parte, gostei principalmente do texto Uma luz na janela, na qual o autor conta uma experiência que viveu após descer de um carro no meio da estrada durante uma madrugada e precisar contar com a hospitalidade de uma senhora muito simpática que o acolhe em sua casa. Tudo flui como se imagina, até que o desfecho traz uma reviravolta.

Já  a segunda parte, que ficou conhecida como Caixões entalhados à mão, é uma novela que o próprio autor chamou de "um relato de não ficção de um crime americano". Aqui temos uma situação semelhante à de A Sangue Frio, na qual Truman Capote viajou para uma cidade pequena localizada no Oeste dos Estados Unidos com o intuito de acompanhar a investigação de uma série de assassinatos esquisitos e que parecem estar conectados. Particularmente, é a parte de que menos gostei no livro e, sinceramente, não sei até que ponto sinto que valeu a pena ter lido. Meu problema com a novela é que ela assume uns aspectos tão absurdos que só resta ao leitor questionar se o que está relatado ali é não ficção ou apenas ficção. Basta uma pesquisa no Google para perceber que Truman Capote aderiu à criatividade durante a criação deste texto. E tudo bem, acho. A questão é que achei o texto longo e, aos poucos, comecei a perder o interesse pela investigação e por seu desfecho.

Por fim, Relatos por conversação, a terceira parte, vai trazer justamente isso. Ao todo são sete textos, nos quais Capote reproduz diálogos que travou com algumas pessoas. Creio que aqui se encontram os meus textos preferidos de todo o livro: Jardins Ocultos - onde ele retorna à New Orleans, sua cidade natal, e nos sentimos transportados para lá por meio de suas descrições e das conversas que tem com alguns residentes -, E então tudo veio abaixo - no qual ele conversa com Robert Beausoleil, um dos membros do culto de Charles Manson e considerado pelo autor como a chave para compreender o que levou aos crimes cometidos pela "família" - e Uma criança linda - que tem início em funeral em que o autor tem como companhia Marilyn Monroe. Neste último, gostei principalmente da maneira como ele tenta humanizar a atriz, mostrando um lado diferente daquele da femme fatale, do sex symbol e do infeliz esterótipo de "loira burra" perpetuado em muitos de seus filmes.

De forma geral, gostei da leitura de Música para camaleões. Por se tratar de uma coletânea de textos, é complicado formar uma opinião completa sobre o livro, tendo em vista que gostei muito de alguns textos e bem pouco de outros. Ainda assim, considero a leitura válida, principalmente por considerar Truman Capote um excelente escritor, capaz de envolver o leitor com suas palavras. Leitura recomendada!

Então, um belo dia comecei a escrever, sem saber que me acorrentara para o resto da vida a um amo nobre, mas impiedoso. Deus, quando nos dá um talento, também nos entrega um chicote, a ser usado especialmente na autoflagelação.
(Pág. 9)

21 de agosto de 2018

Analisando as estatísticas do meu Last.FM | Boletim Musical #01

De vez em quando, durante madrugadas de insônia, gosto de fazer boletins da minha vida musical lá no Twitter. A atividade é bem simples: basicamente compartilho estatísticas do  meu perfil no Last.FM, enquanto faço alguns comentários aleatórios sobre as descobertas reveladas pelos números de scrobbles. Porém, como nos últimos tempos tenho 1) tentado me desconectar mais cedo e 2) evitado o Twitter, resolvi aproveitar a minha vontade de fazer um boletim para estrear uma nova coluna no blog. E para que seja uma estreia com estilo, irei me utilizar de estatísticas desde janeiro, assim já posso ter uma prévia do que virá na retrospectiva musical 2018! 



ARTISTAS:

  1. Michael Jackson
  2. Taylor Swift
  3. Fleetwood Mac
  4. Scorpions
  5. James Bay
  6. The Weeknd
  7. Ariana Grande
  8. Shaewn Mendes
  9. The Jacksons
  10. Stevie Nicks

Está bem coerente com o que tenho escutado e o que achei mais interessante é que a maioria dos artistas na lista já estão na trilha sonora da minha vida há pelo menos dois anos. As únicas novidades são The Weeknd e Shawn Mendes. O primeiro é um forte candidato à categoria "grata surpresa do ano" e o segundo à categoria "finalmente entendi o hype". Aguardemos. No mais, Taylor Swift continua sendo a minha melhor amiga famosa, o Fleetwood Mac continua sendo a principal banda (apesar de que acho que os Scorpions vão passar na frente) e o Michael Jackson roubou o topo da lista, mas isso nem é surpresa porque é isso que reis fazem mesmo.

ÁLBUNS:

  1. Invincible (Michael Jackson, 2001)
  2. reputation (Taylor Swift, 2017)
  3. HIStory - Past, Present And Future (Michael Jackson, 1995)
  4. MTV Unplugged - Live in Athens (Scorpions, 2013)
  5. Starboy (The Weeknd, 2016)
  6. Dangerous Woman (Ariana Grande, 2016)
  7. Electric Light (James Bay, 2018)
  8. Xcape (Michael Jackson, 2014)
  9. Shawn Mendes (Shawn Medes, 2018)
  10. Dangerous (Michael Jackson, 1991)
Bom, confesso que já imaginava que o Invincible (2001) estivesse em primeiro lugar porque eu realmente escutei esse álbum exaustivamente há alguns meses. Passei anos fingindo que não existia  e, obviamente, me arrependi. Álbum muitíssimo bom e injustiçado. Tay-Tay não poderia ficar de fora; primeiro, porque o reputation (2017) é ótimo; segundo, porque é a minha trilha sonora de treino, logo escuto com frequência. O HIStory (1995) está sendo quase como uma releitura, pois apesar de já conhecer quase todas as músicas, acho que só agora passei a prestar atenção nelas e me dei conta do quão pessoais e confessionais elas são. No mais, a única surpresa real na lista é o acústico dos Scorpions, que só comecei a escutar há duas semanas e estou realmente chocada que já esteja na quarta posição no ranking. É excelente, super recomendo.

FAIXAS:

  1. Torture - The Jacksons
  2. Break of Dawn - Michael Jackson
  3. Dirty Diana - Michael Jackson
  4. Give in to Me - Michael Jackson
  5. Is It Scary? - Michel Jackson
  6. Africa - Toto
  7. Blood on the Dance Floor - Michael Jackson
  8. Speechless - Michael Jackson
  9. You Are My Life - Michael Jackson
  10. For All Time - Michael Jackson
Olha, nem sei o que dizer e acho que a "culpa" é da minha playlist Michael Jackson para dias tranquilos. Da lista, destaco For All Time, que é lindíssima, uma das mais apaixonadas e sinceras do MJ. Speechless merece toda a sua atenção, pois tenho certeza que irá te deixar sem fala (ba-dum-dum-tss). E I CAN'T EVEN com Is It Scary, pois que MUSICÃO e eu não acredito que ficou esquecida em um EP de remixes. Por fim, mas jamais menos importante, a única faixa de artista diferente: Africa, da banda Toto, a melhor música do mundo. Nunca poderia ficar de fora de uma lista de músicas mais escutadas por mim.

★

20 de agosto de 2018

As Garotas (Emma Cline) • BOOK REVIEW



As Garotas, de Emma Cline, foi publicado em 2016 e chegou ao Brasil no ano seguinte pela editora Intrínseca. O livro é ambientado na Califórnia durante o verão de 1969 e traz a história de Evie Boyd, uma adolescente de catorze anos. Filha de uma família abastada - sua avó era uma estrela de Hollywood -, a jovem leva uma vida privilegiada e bastante comum para alguém da sua idade e em suas condições, porém tudo começa a mudar após o divórcio de seus pais, a decisão de a mandarem para um colégio interno no próximo ano letivo e um desentendimento com a sua melhor amiga.

É neste contexto de transformações que ela conhece um grupo de garotas que despertam o seu fascínio - tanto por suas aparências (parecem descuidadas, abandonadas e vestindo trapos), quanto por transmitirem uma sensação de liberdade. Não demora muito para que Evie comece a desenvolver um relacionamento com essas garotas, lideradas por Suzanne, a mais velha, e passe a frequentar o rancho no qual elas vivem como parte de um culto liderado por Russel Hadrick.

O livro tem como inspiração os crimes cometidos pela família Manson e desde o início já sabemos que algo horrível irá acontecer. Isso ocorre porque quem nos conta a história é Evie nos dias atuais, que começa a recordar o verão de 1969 em uma tentativa de enxergar os indícios da tragédia que passaram despercebidos pelo seu eu adolescente e compreender os motivos que levaram aos crimes. Em partes, soa como se ela assumisse a sua parcela de culpa e tentasse se redimir de alguma forma.

Quando soube de As Garotas, imaginei algo um pouco diferente. Ainda que sem muita certeza do que iria encontrar, tinha em minha mente que a história seria sobre o culto e sobre os crimes e, neste aspecto, não poderia estar mais enganada. E ainda bem que isso aconteceu, porque o que encontrei acabou por me agradar muito mais. Ainda que a vida no rancho e a dinâmica de Evie com seus membros seja uma parte crucial, a história é muito mais do que isso. É sobre crescimento, amadurecimento e sobre o quão vulneráveis e manipuláveis adolescentes, especialmente meninas, podem ser. Principalmente se considerarmos o quanto essa fase da vida é marcada pela busca por aceitação e pertencimento. 

Todos, depois, achariam inacreditável que qualquer envolvido com o rancho pudesse ter continuado naquela situação. Uma situação tão obviamente ruim. Mas Suzanne não tinha mais nada: ela entregara completamente sua vida a Russel, e àquela altura, era como algo que ele podia segurar nas próprias mãos (...). Suzanne e as outras garotas tinham perdido a capacidade de fazer certos julgamentos (...). Elas não tinham uma grande altura da qual cair - eu sabia que o simples fato de ser uma garota incapacitava sua habilidade de acreditar em si mesma. 
(Pág. 264)

Toda vez que leio algo ou paro para pensar sobre Charles Manson e seu culto, fico chocada com o poder de influência que ele tinha e, ao mesmo tempo, não consigo compreender como aquelas pessoas se permitiram cativar por ele. Em seu livro, Emma Cline talvez tenha conseguido me fazer enxergar o mundo pela perspectiva dessas pessoas e, de certa forma, compreender o quão doentia suas mentes podem se tornar.

Outro aspecto que chamou a minha atenção foi a ambientação criada pela autora e a maneira como sua escrita nos envolve naquela atmosfera. Tudo é bastante visual, de um jeito meio cinematográfico. As descrições que Evie faz do rancho, de sua casa, de suas roupas e das pessoas com quem conviveu rapidamente me transportaram para o fim dos anos 1960, com suas músicas e movimentos artísticos e de contracultura tão icônicos. Adoro quando um livro me proporciona esse tipo de experiência. Mais um ponto que preciso destacar é Suzanne, a personagem que mais me intrigou durante toda a leitura. Por apenas a conhecermos pela perspectiva de Evie, bastante ingênua aos catorze anos, Suzanne permanece enigmática do início ao fim. Por vezes, parece dócil e divertida, tão ingênua quanto Evie; em outros momentos, é mesquinha, manipuladora e bem assustadora. É impossível chegar ao fim da leitura e entender as motivações da personagem e, principalmente, o porquê de ela ter assumido determinada atitude mais para o fim do livro. Talvez, assim como Evie, o leitor também não consiga condenar Suzanne completamente.

Por fim, acho importante mencionar que o livro tem um desenvolvimento que pode ser considerado lento para aqueles que buscam algo com mais ação. Como disse, o livro é sobre Evie recordando a sua adolescência e menos sobre os crimes que ocorreram naquele período. Em diversos momentos, a leitura me lembrou As virgens suicidas, de Jeffrey Eugenides, outro livro com desfecho trágico, mas que é muito mais do que isso e que traz significados escondidos nas entrelinhas. No livro de Eugenides, Cecilia Lisbon fala sobre a dificuldade de ser uma adolescente e é possível perceber algo parecido na história de Evie. As Garotas é um livro melancólico que termina de um jeito amargo e que te deixa pensando sobre a história durante dias. Leitura recomendada!

7 de agosto de 2018

Poirot Investiga (Agatha Christie) | Hercule Poirot, #02 • BOOK REVIEW


A edição em que eu li foi outra; em português e lançada na coleção Rainha do Crime.

Poirot Investiga, publicado em 1924, é o quinto livro escrito por Agatha Christie e o terceiro a trazer o famoso detetive belga Hercule Poirot. São catorze contos reunidos, nos quais mais uma vez acompanhamos as investigações de Poirot por meio da perspectiva de Arthur Hastings. Ao contrário do que ocorre com os romances em que os crimes costumam ser de assassinato, o que temos aqui é uma mistura de temáticas mais "leves" e que, de forma geral, não envolvem morte.

Em A aventura do Estrela do Ocidente, temos um caso de roubo de joia bem divertido e sobre o qual já escrevi melhor aqui. No segundo conto, A tragédia de Marsdon Manor, Poirot investiga um assassinato e achei o final surpreendente. A aventura do apartamento barato é um conto curioso, quase enigmático, e bastante confuso, mas que faz bastante sentido uma vez que as peças começam a se encaixar. O mistério de Hunter's Lodge é um caso solucionado à distância por um Poirot doente e acamado que envia Hastings em seu lugar, com a função de ser seus olhos e ouvidos. Achei O roubo de um milhão de dólares em obrigações do tesouro um pouco sem graça e previsível, porém intrigante. A solução está nos detalhes.

A aventura da tumba egípcia, apesar de não ter atingido as minhas expectativas, acabou por ser o melhor conto do livro, provavelmente por conta do cenário. Poirot e Hastings, após ler sobre as mortes de duas pessoas envolvidas em uma expedição arqueológica, vão até o Egito para investigar os acontecimentos. O roubo das joias no Grand Metropolitan é mais um caso de roubo de joias e, sinceramente, não gostei tanto. O mesmo digo sobre O Primeiro-Ministro sequestrado, que achei longo, confuso e com uma "pegada" mais de espionagem, que não é um dos aspectos que mais me agradam na obra de Agatha Christie. Em O desaparecimento do Sr. Davenheim, o caso é intrigante e me lembrou um pouco alguns aspectos de Assassinato no campo de golfe. 

A aventura do nobre italiano é também um dos meus preferidos. O conto começa com uma ligação misteriosa de um homem dizendo que está morrendo. Ao chegar ao local da morte, Poirot se atém à detalhes aparentemente irrelevantes, mas que logo se tornam a chave para a solução. Em O caso do testamento desaparecido, Poirot precisa ajudar uma jovem a encontrar o testamento deixado por seu tio antes que seja tarde demais. A dama de véu também é um caso em que os detalhes são essenciais para a solução, além de começar indicando um rumo e, de repente, se transformar em algo bastante diferente. Em A mina perdida e A caixa de bombons, Poirot conta para Hastings histórias do tempo em que trabalhou como investigador de polícia. Nesse último, irá relatar um caso no qual fracassou, revelando que até Hercule Poirot se engana.

***

De forma geral, gostei da leitura. É sempre complicado falar sobre livros de contos, já que de uns gostei mais e de outros gostei menos, ou quase nada. Uma das coisas que mais gosto quando estou lendo os casos do Poirot é poder compreender os processos de sua investigação, entender como suas células cinzentas funcionam e perceber como cada ponto da história tem seu nó. Porém, em Poirot Investiga isso quase não ocorre, já que os contos são curtos e suas soluções não demoram a surgir - na maioria das vezes, de forma abrupta e quase "mágica". O que mais me agradou foi a possibilidade de acompanhar a dinâmica entre Poirot e Hastings, compreendendo melhor o lado do narrador. Ainda que continue considerando Hastings um sujeito meio bobo e que mais atrapalha do que ajuda, compreendo que deve ser difícil lidar com alguém com uma personalidade tão forte e ego tão inflado como Poirot. Ao mesmo tempo, é bem legal perceber também que Poirot reconhece seus defeitos e valoriza a amizade de Hastings.

Por fim, não recomendaria Poirot Investiga como porta de entrada para aqueles que querem conhecer o trabalho de Agatha Christie. Também não acho que o livro seja um dos seus melhores trabalhos, devendo ser interessante apenas para quem já gosta da autora e de seus personagens.

5 de agosto de 2018

Power Ballads: uma playlist de rock para dias de angústia e melancolia

Tenho muito carinho pelas power ballads, um gênero bastante sentimental e que acho que merecia ser analisado com mais atenção. Aos não muito familiarizados com o termo, eis aqui uma breve explicação: as power ballads são aquelas músicas mais lentas e cheias de emoção das bandas de hard rock / glam metal que fizeram bastante sucesso principalmente na década de 1980. Não sei explicar muito bem o que me atrai nelas, mas muito me fascina a união de letras intensas e bregas, belos arranjos de guitarra e vocais dramáticos de vocalistas trabalhados na estética farofenta da época. Couro, botas, lenços e bandanas, cabelos longos calculadamente volumosos e cheios de laquê, gelo seco e gritos, muitos gritos. Tudo bem espalhafatoso mesmo, pois o importante é impactar.

Se a sonoridade regular das bandas pende mais para o lado tiro-soco-porrada do rock, evocando bastante agressividade, a mesma intensidade se mantém quando o tema é o famigerado coração partido ou a angustiante crise existencial. Se a raiva é retratada com berros e distorções, a dor se apresenta de forma semelhante, porém por meio de ritmos mais lentos, melodias mais tristes e tons melancólicos. E os gritos são um show à parte, já que ninguém é capaz de sofrer como o roqueiro dos anos 1980 que se depara com a desilusão. Ainda que um tanto ~rústica~, a poesia de suas letras, com metáforas sobre espinhos e menções à cartas de amor na areia, também contribui para esse efeito e mostra que dentro de cada marmanjo bate um coração, e esse coração sente dor e sangra.

A estética dos clipes, por outro lado, é quase sempre bastante questionável e grotesca, e só deve fazer sentido dentro do contexto em que foram concebidas. Praticamente todos envolvem elementos aleatórios e que pouco têm a ver com a ideia geral das músicas, como imagens da banda em shows ou bastidores e mulheres dançando com roupas esvoaçantes ou apenas em poses sensuais de loungerie. Com sorte, contam alguma historinha para acompanhar a música, mas mesmo nesses casos, não estão imunes aos já citados aspectos aleatórios.

Ignorando estes fatores, e pensando no sentimentalismo, decidi reunir vinte e seis power ballads em uma lista. Assim, sem mais delongas, senhoras e senhores, peguem seus fones de ouvido e uma caixinha de lenços, segurem na minha mão e apertem o play.


#01 Hysteria - Def Leppard
#02 Every Rose Has Its Thorn - Poison
#03 I Remember You - Skid Row
#04 Don't Cry - Guns N' Roses
#05 Still Loving You - Scorpions
#06 I Still Think About You - Danger Danger
#07 Is This Love - Whitesnake
#08 Love Walked In - Thunder
#09 Alone Again - Dokken
#10 I Want To Know What Love Is - Foreigner
#11 Just Take My Heart - Mr. Big
#12 Send Me An Angel - Scorpions
#13 Dust In The Wind - Kansas
#14 Bed of Roses - Bon Jovi
#15 November Rain - Guns N' Roses
#16 Quicksand Jesus - Skid Row
#17 Here I Go Again - Whitesnake
#18 Angel - Aerosmith
#19 Looking For Love - Whitesnake
#20 To Be With You - Mr. Big
#21 Angel - Judas Priest
#22 Nothing Else Matters - Metallica
#23 Wind of Change - Scorpions
#24 Patience - Guns N' Roses
#25 Dream On - Aerosmith
#26 Mama, I'm Coming Home - Ozzy Osbourne