🎧Guilty as sin?
Já faz pouco mais de um mês desde o lançamento do álbum, então acho que é hora de registrar uma primeira impressão honesta sobre The Tortured Poets Department, o 11º álbum da Taylor Swift.
Ouvir um álbum novo da Taylor nunca é uma experiência neutra. Existe expectativa e, no meu caso, uma certeza: se algo soou diferente do que eu imaginei, a culpa provavelmente é minha. A Taylor é imprevisível, afinal.
The Tortured Poets Department me pegou de surpresa, mas também entregou exatamente aquilo que Taylor sabe fazer muito bem: letras honestas, densas, maduras (na maioria dos casos) e, principalmente, emocionalmente desconfortáveis. Este é um álbum verborrágico e marcante justamente por esta característica, mas pelo menos para mim, este aspecto demorou para ser percebido por conta da roupagem de synthpop e chamber pop - cortesia da produção de faixas assinadas (mais uma vez!) por Jack Antonoff e Aaron Dressner
Ainda sobre a temática, dá para dizer que, com certeza, o álbum é sobre o término de um relacionamento - provavelmente o mais triste, doloroso e traumático na vida da Taylor. Aliás, vale mencionar que este é o primeiro trabalho da loirinha a trazer este foco desde o Red (2012). E se aos 22 anos, Taylor lidava com o fim de um relacionamento que marcou o fim de sua meninice e entrada na vida adulta (coming of age), em The Tortured Poets Department encontramos uma mulher de 34 anos frustrada e profundamente machucada. Aos 22, ela ainda era capaz de reconhecer que o momento era miserável e mágico na mesma medida, e mantinha a esperança por dias melhores aceitando que suas feridas seriam curadas e se tornariam aprendizados. Aos 34, Taylor parece incapaz de compreender como depois de tudo o que ela viveu e aprendeu ela ainda se encontra lidando com as mesmas dores da década anterior. Taylor Swift não está sequer à beira de um colapso nervoso, ela é o próprio colapso nervoso.
Então, ainda que o foco do álbum seja um término de relacionamento, é possível notar um tema mais profundo e que está no coração do álbum todo: a saúde mental. The Tortured Poets Department também é um álbum sobre esgotamento, luto emocional e o peso de continuar existindo sob tais condições.
Who’s Afraid of Little Old Me?
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So Long, London
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loml
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The Smallest Man Who Ever Lived
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Clara Bow
Um mês depois, algumas opiniões mudaram. Algumas percepções se ajustaram e outras se fortaleceram. Fortnight, por exemplo, segue sendo a música mais fraca do álbum, na minha opinião. Não importa o que a Taylor diga: soa como um single sem graça, que não faz jus ao restante do projeto. Por outro lado, My Boy Only Breaks His Favorite Toys é ótima e não tenho ressalvas. Down Bad e But Daddy I Love Him cresceram para mim e com o passar das semanas, ficou claro que elas são muito a cara da Taylor: dramáticas, autoconscientes e quase caricatas — no melhor sentido possível. Já Florida!!!… sinceramente, é dispensável. Chega a ser estranho que tenha entrado na versão standard enquanto músicas muito melhores ficaram reservadas para o disco 2.
O segundo disco tem uma sonoridade completamente diferente do primeiro. Apesar da Taylor afirmar que o projeto é um álbum duplo, fica difícil não enxergar essa segunda parte como uma coleção de faixas bônus — o que é triste, porque algumas das melhores músicas de todo o projeto estão ali.
Enquanto a parte 1 parece focada em acontecimentos recentes, The Anthology parece trazer uma proposta mais próxima de Midnights: reflexões fragmentadas, várias fases da vida da Taylor, histórias que não pertencem a um único momento. A faixa que encerra, The Manuscript, não só me faz acreditar que seja mesmo esse o caso, como parece dialogar de alguma forma como Dear Reader.
🤍Faixas favoritas em The Anthology:
Aqui, o brilho é inegável:
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The Albatross — a irmã mais nova de willow e ivy, com um clima evermore vivíssimo
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Peter — tenho absoluta certeza de que essa música é para o Harry Styles e eu morrerei nessa colina #delulu
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The Black Dog
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I Look in People’s Windows
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The Prophecy — essa dói. Bastante.
No fim, The Tortured Poets Department é um álbum que exige tempo, escuta e disposição para atravessar desconfortos. Talvez não seja o mais coeso da carreira da Taylor, mas é um dos mais honestos e, para mim, isso conta muito.
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