26 de maio de 2024

The Tortured Poets Department (Taylor Swift, 2024) | TayloReview #06

08. Um álbum triste
🎧Guilty as sin?

Já faz pouco mais de um mês desde o lançamento do álbum, então acho que é hora de registrar uma primeira impressão honesta sobre The Tortured Poets Department, o 11º álbum da Taylor Swift.

Ouvir um álbum novo da Taylor nunca é uma experiência neutra. Existe expectativa e, no meu caso, uma certeza: se algo soou diferente do que eu imaginei, a culpa provavelmente é minha. A Taylor é imprevisível, afinal. 

The Tortured Poets Department me pegou de surpresa, mas também entregou exatamente aquilo que Taylor sabe fazer muito bem: letras honestas, densas, maduras (na maioria dos casos) e, principalmente, emocionalmente desconfortáveis. Este é um álbum verborrágico e marcante justamente por esta característica, mas pelo menos para mim, este aspecto demorou para ser percebido por conta da roupagem de synthpop e chamber pop - cortesia da produção de faixas assinadas (mais uma vez!) por Jack Antonoff e Aaron Dressner 

Ainda sobre a temática, dá para dizer que, com certeza, o álbum é sobre o término de um relacionamento - provavelmente o mais triste, doloroso e traumático na vida da Taylor. Aliás, vale mencionar que este é o primeiro trabalho da loirinha a trazer este foco desde o Red (2012). E se aos 22 anos, Taylor lidava com o fim de um relacionamento que marcou o fim de sua meninice e entrada na vida adulta (coming of age), em The Tortured Poets Department encontramos uma mulher de 34 anos frustrada e profundamente machucada. Aos 22, ela ainda era capaz de reconhecer que o momento era miserável e mágico na mesma medida, e mantinha a esperança por dias melhores aceitando que suas feridas seriam curadas e se tornariam aprendizados. Aos 34, Taylor parece incapaz de compreender como depois de tudo o que ela viveu e aprendeu ela ainda se encontra lidando com as mesmas dores da década anterior. Taylor Swift não está sequer à beira de um colapso nervoso, ela é o próprio colapso nervoso.

Então, ainda que o foco do álbum seja um término de relacionamento, é possível notar um tema mais profundo e que está no coração do álbum todo: a saúde mental. The Tortured Poets Department também é um álbum sobre esgotamento, luto emocional e o peso de continuar existindo sob tais condições.

Ah, sim, e temos também uma possível reviravolta: aparentemente quase todas as músicas parecem girar em torno de Matty Healy. A informação não é exatamente necessária para a apreciação do álbum, mas achei válido mencionar, já que é um aspecto que contribuiu bastante para o elemento surpresa que mencionei no início do post. Em todo caso, tenho certeza que uma análise mais aprofundada (além da passagem do tempo) será capaz de enxergar o que de Joe Alwyn transpirou nas letras. Digo isso porque acho impossível que um relacionamento fast-food claramente fadado ao fracasso possa ter deixado marcas mais profundas do que o relacionamento com quem a Taylor achou que iria se casar e passar o resto de sua vida. Eu sei que a narrativa oficial agora é a de que Taylor e Matty tiveram essa história mal resolvida desde os tempos de 1989, mas eu sei também que ela adora ter um controle de narrativa e, por isso, um retcon não está fora do campo das possibilidades.


🤍Faixas favoritas:
✒️ TOP 5 -  essas são as que se destacaram para mim na semana do lançamento:
  1. Who’s Afraid of Little Old Me?

  2. So Long, London

  3. loml

  4. The Smallest Man Who Ever Lived

  5. Clara Bow

Um mês depois, algumas opiniões mudaram. Algumas percepções se ajustaram e outras se fortaleceram. Fortnight, por exemplo, segue sendo a música mais fraca do álbum, na minha opinião. Não importa o que a Taylor diga: soa como um single sem graça, que não faz jus ao restante do projeto. Por outro lado, My Boy Only Breaks His Favorite Toys é ótima e não tenho ressalvas. Down Bad e But Daddy I Love Him cresceram para mim  e com o passar das semanas, ficou claro que elas são muito a cara da Taylor: dramáticas, autoconscientes e quase caricatas — no melhor sentido possível. Já Florida!!!… sinceramente, é dispensável. Chega a ser estranho que tenha entrado na versão standard enquanto músicas muito melhores ficaram reservadas para o disco 2.



Depois do que a Taylor fez com as "3 a.m." tracks no lançamento do Midnights, em 2022, é impressionante como ela conseguiu nos surpreender novamente. Exatamente duas horas depois do lançamento de The Tortured Poets Department, Taylor Swift informou em suas redes sociais que se tratava de um álbum duplo e avisou que a segunda parte, intitulada The Anthology, estava disponível em todas as plataformas.

O segundo disco tem uma sonoridade completamente diferente do primeiro. Apesar da Taylor afirmar que o projeto é um álbum duplo, fica difícil não enxergar essa segunda parte como uma coleção de faixas bônus — o que é triste, porque algumas das melhores músicas de todo o projeto estão ali.

Enquanto a parte 1 parece focada em acontecimentos recentes, The Anthology parece trazer uma proposta mais próxima de Midnights: reflexões fragmentadas, várias fases da vida da Taylor, histórias que não pertencem a um único momento. A faixa que encerra, The Manuscript, não só me faz acreditar que seja mesmo esse o caso, como parece dialogar de alguma forma como Dear Reader.

🤍Faixas favoritas em The Anthology:

Aqui, o brilho é inegável:

  • The Albatross — a irmã mais nova de willow e ivy, com um clima evermore vivíssimo

  • Peter — tenho absoluta certeza de que essa música é para o Harry Styles e eu morrerei nessa colina #delulu

  • The Black Dog

  • I Look in People’s Windows

  • The Prophecy — essa dói. Bastante.

No fim, The Tortured Poets Department é um álbum que exige tempo, escuta e disposição para atravessar desconfortos. Talvez não seja o mais coeso da carreira da Taylor, mas é um dos mais honestos e, para mim, isso conta muito.


Este post é parte do desafio:




***
Observação (27/10/2026): realmente, The Tortured Poets Department é um álbum para ser digerido com calma e o tempo parece ter só contribuído para ele soar ainda melhor. Não farei promessas, mas acho que eventualmente irei fazer um post atualizado sobre o álbum, com track by track. E The Anthology definitivamente soa como um projeto separado e, provavelmente, merece o próprio post. Repito: não farei promessas, mas deixo aqui registrada a intenção.