20 de fevereiro de 2020

Relendo "Harry Potter e a Pedra Filosofal" | Diário de Leitura #01

Fazia anos que queria iniciar uma releitura da série Harry Potter e quando senti vontade de ouvir o audiobook do primeiro livro, não deixei a oportunidade passar.

A narração de Stephen Fry acrescenta muito à experiência, me fez perceber os aspectos "britânicos" da história e pequenos detalhes, como o humor típico, que se perdem na tradução. Agora quero reler a série toda em inglês. Também quero acrescentar a releitura às metas de 2020.

A releitura aconteceu entre os dias 25 e 29 de dezembro de 2019
Para acompanhar o audiobook, li na minha edição física comemorativa de 20 anos Hufflepuff Edition
A edição da foto é a primeira lançada pela Rocco aqui no Brasil e foi ela que li mais vezes. Até hoje, essa é a minha capa preferida da série.

Sobre a experiência de leitura, não tenho muito para dizer além de que foi exatamente como eu imaginei que seria: um reencontro cheio de nostalgia que me fez lembrar da criança que fui, da adulta que quero ser e como a história é importante para mim e ainda tem muito para me ensinar. A sensação de conforto também se fez presente, como se depois de uma longa jornada eu tivesse retornado para casa. ♥

Quanto à história, me lembrava de quase tudo. Alguns detalhes que achei que tivesse esquecido retornaram à minha memória logo que começava a relê-los. É impressionante o quanto daquilo que nos encanta enquanto crianças permanece em nossa memória, meio adormecido e só esperando que algo o desperte. Tudo que fez a Michelle de 11 anos se apaixonar pela história ressoou na Michelle de quase 30. E sabendo como a série termina, pude prestar atenção em como a J.K. Rowling construiu tudo, como desde o início ela já deixou algumas pistas. Realmente é uma saga construída com cuidado e carinho. Estou empolgada pelas próximas leituras.

Destaques:

- No início, enquanto acompanhamos o Tio Valter em seu dia de trabalho, também ficamos sabendo que o mundo bruxo estava em festa. Havia me esquecido que os bruxos se vestem de um jeito particular e que andam assim pelas ruas do mundo trouxa também.

- Os fantasmas de Hogwarts! Havia esquecido de como eles são importantes na rotina da escola e até interferem nas aventuras do Harry!

- O professor Dumbledore é bem excêntrico! Rsrsrsrsrs

- O enigma do Snape na câmara com as poções parece ser um dos mais complicados que as crianças precisam enfrentar, mas não entendemos a lógica da solução porque a J.K. Rowling não explica. 😕

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30 de dezembro de 2019

A trilha sonora do meu 2019 | RETROSPECTIVA 2019


Antes de começar a distribuição dos troféus, é sempre bom lembrar que: 
  1. Não escutei todos os lançamentos de 2019.
  2. O post é sobre o que escutei em 2019 e, por isso, a retrospectiva irá incluir coisas que não foram  lançadas durante o ano. 
  3. Mais uma vez, as categorias estão um pouco diferentes das edições anteriores. Algumas sumiram, outras surgiram e algumas foram modificadas.
Agora podemos prosseguir com a premiação.




Escutei pouco, mas gostei e deveria ter prestigiado mais em 2019: Dedicated (Carly Rae Jepsen, 2019) e Norman Fucking Rockwell! (Lana Del Rey, 2019)
Achei que ia amar, mas foi só ok: No. 6 Collaborations Project (Ed Sheeran, 2019) 
Foi bom enquanto durou: DNA (Backstreet Boys, 2019)


O orgulhinho do ano:
Michael Jackson, seus fãs e seu legado
O reencontro do ano: Ariana Grande
Finalmente entendi o hype: Greta Van Fleet 
A voz do ano: Taylor Swift
A banda do ano: Weezer


Bate-bola das músicas

A primeira música do ano (ritual do shuffle): You Better Run (Liam Gallagher)
A música do ano: Dream a Little Dream of Me (Mickey Thomas)
A mais tocada: ME! (feat. Brendon Urie of Panic! at the Disco) (Taylor Swift)
As good vibes do ano: Cornelia Street (Taylor Swift), Rescue (James Bay) e Adore You (Harry Styles)
A música rockeira do ano: Black Smoke Rising (Greta Van Fleet)
Grata surpresa: Speechless (Naomi Scott); ocean eyes (Billie Eilish); Easy Silence (Dixie Chicks); Blinding Lights (The Weeknd)
Troféu Taylor Swift 2019: The Man
Troféu Michael Jackson 2019: Give In To Me
Completamente ignorada durante anos para só ser realmente apreciada em 2019: Listen To Your Heart (Roxette)


Aqueles que voltaram para aquecer o meu coração: ...Baby One More Time (Britney Spears, 1999), Christina Aguilera (Christina Aguilera, 1999) e Millennium (Backstreet Boys, 1999)

Os melhores álbuns dos anos 80 que só conheci em 2019: True Blue (Madonna, 1986), Into The Fire (Bryan Adams, 1987), Look Sharp! (Roxette, 1988) e Dream a Little Dream Original Soundtrack (1989)

Menção honrosa para álbuns que não se encaixam em nenhuma das categorias anteriores, mas que ouvi e amei bastante em 2019: Into (The Rasmus, 2001), The Rasmus (The Rasmus, 2012), Beauty Behind The Madness (The Weeknd, 2015), Dirty Heads (Dirty Heads, 2016), Pacific Daydream (Weezer, 2017) e Caution (Mariah Carey, 2018)


Top 10 melhores álbuns de 2019:


10 º Romance (Camila Cabello)
9º Super Moon (Dirty Heads)
8º Hapiness Begins (Jonas Brothers)
7º Love + Fear (Marina)
6º Teal Album (Weezer)
5º Fine Line (Harry Styles)
4º Black Album (Weezer)
3º Head Above Water (Avril Lavigne)
2º Lover (Taylor Swift)
1º thank u, next (Ariana Grande)


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Observação (01/10/20): enquanto começo a me preparar para as retrospectivas de 2020, lembrei que havia deixado um esboço da minha retrospectiva musical de 2019 salvo na pasta de rascunhos. Já estava tudo pronto e eu só precisava elaborar uns parágrafos como fiz nos anos anteriores. Quase doze meses depois, não lembro mais de muitos detalhes e nem estou com vontade de buscar na memória, então decidi postar assim mesmo, apenas os nomes das músicas, dos artistas e dos álbuns nas categorias em que os havia colocado. Gostei desse formato assim, mais simples. Talvez eu faça da mesma forma esse ano.


★


28 de dezembro de 2019

O Apanhador no Campo de Centeio (J.D. Salinger) • BOOK REVIEW

O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger, é considerado um marco na literatura do século XX. Publicado em 1951, quando o autor tinha 32 anos, o livro se destacou por retratar a adolescência de uma maneira diferente da vista até então. Salinger, por meio da narrativa de seu protagonista, foi capaz de captar todas as angústias, os anseios e as incertezas típicas dessa fase da vida em uma época em que isso não era comum. 

Holden Caulfield, um adolescente de 16 anos, inicia sua história em um lugar para o qual foi "pra relaxar um tiquinho" e decide explicar ao leitor os acontecimentos que o levaram a essa situação. Assim, somos conduzidos por uma série de eventos em sua vida desde o momento em que foi expulso pela quarta vez de um colégio interno até o instante em que ele começa a narrativa. E é ao acompanhar o fim de semana de Holden pelas ruas da cidade de Nova York no início dos anos 1950 que o leitor, por meio das reflexões do personagem, é exposto aos temas centrais da obra de Salinger: o fim da infância, a perda da inocência e a transição para a vida adulta - e toda a avalanche de emoções conflitantes, convicções e contradições que surgem durante esse período de mudanças intensas.

Apesar de se manter como um dos livros mais lidos e aclamados ao longo das décadas, O apanhador no campo de centeio é até hoje uma das obras que mais divide opiniões e gera controversas. Isso ocorre, principalmente, por conta do protagonista que, muitas vezes, é enxergado apenas como um adolescente "reclamão". Contudo, um leitor com olhar mais atento e uma sensibilidade mais aguçada, não tarda a perceber que, por meio de sua narrativa ácida e cheia de sarcasmo, Holden - e, consequentemente, Salinger - está tecendo críticas à uma sociedade com valores falidos e marcada pela hipocrisia dos "fajutos", os adultos aos quais ele culpa por esses problemas. Em diversos pontos da história, o protagonista é questionado a respeito do que está fazendo com sua vida e do que espera para seu futuro e, mesmo sendo claro o fato de que ele não sabe e está completamente perdido, Salinger oferece ao leitor uma das respostas mais originais à pergunta e, ao mesmo tempo, nos permite um vislumbre do verdadeiro Holden e de toda a sua vulnerabilidade.

Também intrínseca na narrativa está a questão da saúde mental, muitas vezes negligenciada pelos críticos mais ávidos de Holden Caulfield. Ele não só encontra dificuldade para se adaptar ao fim da infância, mas também está vivendo um período de luto com o qual não sabe lidar. A percepção da morte e a dificuldade de aceitá-la, a desilusão com um mundo pós-guerra, a pressão das responsabilidades da vida adulta e o medo de se tornar um "fajuto" colocam o protagonista à beira de um colapso. E é essa uma das razões para o seu comportamento indignado e incompreendido.

Originalmente publicado para o público adulto, O apanhador no campo de centeio também se tornou popular entre os adolescentes - que muitas vezes se enxergam no protagonista - e se consolidou como um dos maiores clássicos da literatura universal por conta de sua atemporalidade. Um dos maiores destaques do livro está no fato de que ele melhora a cada releitura e, quanto mais velhos ficamos, mais profundos se tornam os seus significados. O livro também pode ser considerado um precursor da literatura YA contemporânea e o legado de Salinger vive em obras de autores como John Green, David Levithan e Stephen Chbosky.


Esta leitura também faz parte do desafio The Rory Gilmore Reading Challenge.



   

18 de dezembro de 2019

As músicas que (talvez) mais ouvi em 2019 | RETROSPECTIVA 2019


2019 se aproxima do fim e hoje eu venho compartilhar as músicas que embalaram o meu ano. Mais uma vez irei ressaltar que a exatidão da lista não é 100%,  mas utilizei as estatísticas do Last.FM e a playlist de mais tocadas do Spotify para chegar à essa bela seleção. E, claro, respeitei as regrinhas que eu mesma criei para a brincadeira: não posso repetir artistas e não posso repetir músicas que aparecerem nas listas dos anos anteriores. Agora, sem mais delongas, vamos aos greatest hits do meu 2019!


ME! (Taylor Swift feat. Brendon Urie)
Primeiro single do Lover, acho que acabou se tornando o greatest hit do meu 2019 mais pela saudade que estava de coisas novas da Taylor e pela empolgação pelo novo material do que pela música propriamente dita. Não que eu não tenha gostado de ME!, até porque adorei, só acho que música foi perdendo um pouco do brilho inicial depois que ouvi exaustivamente por semanas e, depois do lançamento do álbum, encontrei outras favoritas. Ainda assim, ouçam ME! pois é uma ótima música e eu adoro a participação do Brendon Urie.

Someone's Gonna Light You Up (The Rasmus)
Eu AMO essa música e realmente ouvi muito. Esse ano resolvi continuar me reconectando com The Rasmus e corri atrás do tempo perdido ouvindo todos os trabalhos lançados pela banda desde 2008. Foram muitas músicas novas descobertas que viraram favoritas, mas acho que nenhuma se tornou um vício como essa. Gosto que, mesmo em uma fase diferente, essa música remete um pouco ao som que tanto encantou meu eu adolescente. AMO DEMAIS que rola uma referência à letra de Shot. Adoro quando artistas dialogam com eles mesmo em momentos diferentes de suas carreiras. Obrigada pelo mimo, Lauri.

I Fell In Love With The Devil (Avril Lavigne)
A balada gótica e trevosa - e minha favorita - do novo álbum da Avril. Amei essa música no momento que ouvi pela primeira vez e, desde então, sonhei com a possibilidade de se tornar um single. E o sonho virou realidade. Obrigada também pelo mimo, Avril. Gosto muito da letra com metáforas para falar de um relacionamento tóxico.
Mais um caso de amor instantâneo. Adoro tudo nessa música: a batida no começo, a letra, a atmosfera geral, aquele Ari chan (?) no refrão e aquela coisa meio letárgica mais para o final. Essa música é PERFEITA

The Look (Roxette)
Porque eu não sou eu se não tiver uma música de antes de eu nascer na lista de mais tocadas. Ouvi bastante todo o álbum Look Sharp!, mas essa aqui deve ter ganhado porque também coloquei no segundo volume da minha playlist de anos 80. É uma ótima música

Dream a Litte Dream (Mickey Thomas)
Minha versão preferida dessa música! Eu AMEI Dream a Little Dream, o filme se tornou um dos meus preferidos dos anos 80 e a trilha sonora se tornou uma das minhas favoritas da vida. É óbvio que ouvi demais e é óbvio que essa música estaria nessa lista. Jamais poderia ser diferente. EU AMO ESSA MÚSICA.

Lights Up (Harry Styles)
Amei o single de retorno do Harry, pois não aguentava mais de saudades dele e estava bem curiosa para saber o que viria no segundo álbum. A música não me decepcionou e acho que o que mais gosto nela é que ela foi crescendo para mim quanto mais eu a ouvia. Acho tudo nela feito com muito cuidado e a produção é ótima. A letra também é um ponto forte porque acho que aqui começamos a ter acesso à um lado mais vulnerável do Harry que não tínhamos conhecido até então.

Rescue (James Bay)
Favorita instantânea. Ouvi, me apaixonei e continuei ouvindo em loop. O James Bay é um dos meus favoritos, adoro todo o sentimento que ele coloca em seu trabalho e tenho certeza de que suas músicas se tornarão atemporais. Essa música é um belo exemplo do porquê de eu pensar dessa forma. A letra é uma das que mais gosto dele e sua voz, como sempre, está linda. Eu amo o James Bay.

Oxygen (Dirty Heads)
Praia, verão, mar. O que mais eu posso pedir? Essa música é PERFEITA e me deixa na mais completa paz. Uma das minhas favoritas da vida.

Real Life (The Weeknd)
Uma das melhores músicas do The Weeknd. Como acontece com praticamente todas as músicas dele que já ouvi, aqui o que me ganhou foi a atmosfera. Adoro a batida, adoro a voz dele, adoro o refrão. Adoro tudo sobre essa música.

***

Menção honrosa:
Cosas De La Vida (Eros Ramazzotti)
Porque eu adoro essa música, ouvi bastante em 2019 e ela merece estar nessa lista. Ouçam essa música, ela é ótima.


★

Observação (12/07/20): essa lista estava salva na minha pasta de rascunhos desde dezembro, mas só escrevi o post agora. Confesso que já tinha desistido de postar, mas mudei de ideia quando vi que a lista já estava pronta. Criei, meio que sem querer, essa tradição aqui no blog e pretendo manter de alguma forma. Nem que seja com posts escritos sete meses depois, rs.

6 de outubro de 2019

Lover (Taylor Swift, 2019) | TayloReview #02

26. Um álbum que é sempre divertido de ouvir

Assim como praticamente todos os fãs do mundo, eu estava muito ansiosa para ouvir o novo álbum da Taylor Swift. Além da espera aparentemente infindável e da curiosidade natural, tinha também aquela expectativa inevitável: Lover é o sucessor de reputation, e era impossível não se perguntar qual seria o “próximo capítulo” da narrativa da nossa melhor amiga. Agora acho que já ouvi o suficiente do novo trabalho para finalmente compartilhar as minhas opiniões sobre ele.

🦋O contexto

Quando a Taylor começou a soltar alguns easter eggs, muita gente apostou que o próximo álbum seria mais “docinho”, rosa, com uma estética mais leve. E, naturalmente, os fãs também começaram a imaginar que finalmente teríamos um sucessor “direto” de 1989 — até porque quem acompanha a linha do tempo da Taylor sabe que reputation acabou se tornando, em certo sentido, um álbum “acidental”.

Ela costuma compor a partir da própria vida. Então, depois de 1989, seria plausível esperar um álbum que falasse sobre tudo o que ela viveu naquela fase… mas aí aconteceu o verão americano de 2016, e ela foi praticamente forçada a sumir do mapa. Como resultado, veio reputation no fim de 2017: uma era mais sombria, mais reservada e com ela bem afastada dos holofotes. Por isso, todos ficaram curiosos para entender o que viria depois.

Depois de mais de um mês ouvindo Lover exaustivamente, dá para concluir com 100% de certeza que este álbum é o extremo oposto do anterior. Ele de fato se aproxima muito mais do espírito de 1989 e soa, em vários momentos, como um sucessor daquela fase — embora eu não goste tanto de pensar assim, porque a era reputation também foi uma parte importante do caminho que trouxe Taylor até aqui  Ainda assim, é válido destacar que é possível ouvir ecos das eras anteriores.

No geral, Lover é um álbum totalmente Taylor Swift: ele celebra cada fase, cada aspecto de sua personalidade, cada nuance de suas personas. Conseguimos enxergar uma Taylor prestes a completar 30 anos em paz consigo mesma.  Gostei bastante do álbum, embora eu tenha algumas ressalvas.

🦋track by track

📀I Forgot That You Existed: na primeira vez que ouvi, achei curioso que ela tenha escolhido essa música para abrir o álbum. Mas agora consegui entender que não tinha faixa melhor para dar o tom do disco. É uma música simples, leve e debochada. Se você ainda é do time que acha que a Taylor só fala de ex-amores e de pessoas que “atrapalharam” a vida dela, esta provavelmente é a música que vai satisfazer sua expectativa... só que com uma reviravolta: aqui ela diz que passou tempo demais pensando nessas pessoas e que, de repente, as esqueceu. O sentimento não é ódio. É indiferença. Ao mesmo tempo, tem uma ironia divertida: se ela esqueceu, por que escrever uma música sobre isso? A graça está aí. Ela canta com uma risadinha, é sarcástica, e funciona muito bem como abertura.
🩷Trecho: It isn't love, it isn't hate, it's just indifference

📀Cruel Summer: essa chega derrubando tudo. A introdução já vem acelerada e intensa. Para mim, sonoramente, é como se fosse um filhotinho de Out of the Woods com Getaway Car. Quando a tracklist saiu, todo mundo ficou curioso: seria sobre 2016? Sobre mídia? Sobre o Kanye? Pode até ter ecos daquela época, mas aqui eu enxergo a música como um retrato do relacionamento dela com o Joe Alwyn. Ela fala de viver algo bom no meio do caos e, ao mesmo tempo, de não querer expor esse relacionamento para não alimentar especulações. Um trecho que me marcou muito é quando ela fala sobre não querer manter segredos para sustentar a relação. É triste pensar que ela tenha passado por isso. Mas, como essa música saiu anos depois, a gente sabe que ela está feliz e bem resolvida. É bom ver que teve um final feliz.
🩷 Trecho: And I screamed: "for whatever it's worth I love you, ain't that the worst thing you've ever heard"?


📀Lover: 
a faixa-título é, para mim, indiscutivelmente a música mais romântica que a Taylor Swift já escreveu. Ela mesma já disse isso em entrevistas e afirmou que é uma das músicas de que mais se orgulha na carreira. O que eu mais gosto é como ela soa atemporal. Apesar de ser recente, parece clássica, quase como algo dos anos 50. A introdução me faz pensar em Elvis Presley e naquela estética de música de casamento. Tem um momento em que ela canta e parece literalmente um brinde no meio de uma cerimônia. É lindíssima.
🩷Trecho: I take this magnetic force of a man to be my lover

📀The Man: uma das músicas mais poderosas do álbum — e uma das minhas favoritas. Aqui ela fala sobre como é mais difícil conquistar certas coisas sendo mulher. Ela lista tudo o que já conquistou: sucesso, influência, reconhecimento… e mostra como características que seriam aplaudidas em um homem costumam ser usadas contra ela. Entra a velha história do “ela namora demais” (mas se fosse um homem, seria “pegador”). Entra também o discurso de que ela usa tudo para se promover — como se homens não fizessem o mesmo e fossem chamados de “visionários” e “estrategistas”. Musicalmente é um pop delicioso, com refrão que gruda. E eu adoro a referência ao Leonardo DiCaprio.
🩷Trecho: If I was a man, then I'd be THE MAN

📀The Archer: mesmo não sendo um single oficial, os fãs gostaram muito. Essa música tem referências fortes aos anos 80, e é uma das mais bonitas e vulneráveis do disco. Aqui a Taylor fala sobre inseguranças, sobre fama, sobre se perguntar quem ficaria ao lado dela de verdade. Dá para imaginar que ela está conhecendo alguém (talvez o próprio Joe) e, ao mesmo tempo, carregando a bagagem de ser Taylor Swift™: a reputação, as especulações, os ataques. Tem um trecho que sugere que essa pessoa juntou os pedaços dela, mas ela ainda tem medo de ser abandonada. E tem uma frase forte: “todos os meus inimigos entraram na minha vida como amigos”. Isso diz muito sobre como deve ser difícil confiar em alguém quando se é tão famoso.
🩷Trecho: I've been the archer, I've been the prey. Who could ever leave me, darling? But who could stay?

📀I Think He Knows: essa soa mais atual dentro do pop, sem beber tanto da fonte oitentista. No começo achei estranha para um álbum da Taylor, mas fui gostando. É sobre aquela tensão gostosa: você gosta de alguém, percebe que é recíproco, mas ainda fica no “será?”. Eu gosto de pensar que essa música é uma versão adulta de Enchanted, com uma energia mais atrevida.
🩷Trecho: He got that boyish look that I like in a man. I am an architect, I'm drawing up the plans. It's like I'm seventeen, nobody understands

📀Miss Americana & The Heartbreak Prince: foi a primeira música do álbum que me conquistou de cara. Ela tem uma atmosfera que me lembra Lana Del Rey; um sonho americano meio quebrado, meio melancólico. A letra é bem metafórica, cheia de símbolos, e ela constrói uma narrativa visual — você escuta e vai “assistindo” um filme. Eu confesso que ainda não absorvi totalmente o significado, mas sinto que é uma das músicas mais profundas dela. Parece uma crítica ao estilo de vida americano, à política, à ideia de popularidade e competição como regra. Eu amo.
🩷Trecho: American stories burning before me, I'm feeling helpless, the damsels are depressed, boys will be boys then, where are the wise men? Darling, I'm scared


📀Paper Rings: eu tinha achado legal logo que ouvi pela primeira vez, mas com o tempo (e conversando com amigas que amaram) eu mudei de ideia: hoje acho uma das mais fofas e divertidas do álbum. A letra é sobre amar tanto alguém que você não liga para a formalidade ou para o luxo. Ela fala que gosta de coisas bonitas, mas casaria com essa pessoa até com anéis de papel. E aqui tem uma nuance que eu amo: em inglês existe diferença entre wedding (o evento, a festa) e marriage (a vida a dois, o convívio). Ela deixa bem claro que o que ela quer é o marriage, o dia a dia com a pessoa, e não a cerimônia perfeita. Musicalmente, tem uma energia pop-rock oitentista deliciosa. Espero que ela explore mais esse tipo de som no futuro.
🩷Trecho: I hate accidents, except when we went from friends to this, uh huh, that' right, darling, you're the one I want in paper dreams, in picture frames, in dirty dreams

📀Cornelia Street: minha obsessão atual. Eu amei desde a primeira vez e fui amando ainda mais com o passar do tempo. É aquele pop narrativo que a Taylor sabe fazer como ninguém. Ela descreve ter alugado um lugar em uma rua chamada Cornelia Street. Ninguém sabe ao certo onde seria, mas fãs já encontraram ruas com esse nome em Londres, Nova York e Nashville — todas cidades importantes na vida dela. Eu acho incrível como ela cria esse “lugar” simbólico. A história é sobre o começo de um relacionamento em meio a uma fase conturbada, e ela canta com aquela sensação de medo de perder: “se acabar, eu nunca mais vou conseguir andar pela Cornelia Steet”. É lindo e doloroso.
🩷Trecho: Barefoot in the kitchen, sacred new beginings that became my religion


📀
Death by a Thousand Cuts: eu pesquisei e vi que foi inspirada pelo filme Alguém Especial. Achei curioso porque a Taylor é conhecida por escrever sobre términos, porém, nesta fase, ela está claramente apaixonada. Então parece quase como uma música para os fãs que gostam desse lado dela. A introdução é estranha, mas eu gosto. E a letra é excelente: ela descreve o fim de um relacionamento como um luto. Como se fosse uma morte causada por cortes; um corte de cada vez, mil cortes pequenos, e a dor permanecendo.
🩷Trecho: You said it was a great love, one for the ages. But if the story is over why am I still writing pages?

📀London Boy: se ainda havia dúvida de que ela está apaixonada pelo Joe, aqui ela confirma. A música é divertida, leve e cheia de referências a Londres. Ela cita lugares, usa expressões britânicas, fala de sair com os amigos dele. É bobinha no melhor sentido: gostosa de cantar, chiclete, e vai ganhando espaço no coração com o tempo.
🩷Trecho: But something happened, I heard him laughing. I saw the dimples first and then I heard the accent

📀Soon You’ll Get Better (feat. Dixie Chicks): a música mais dolorosa e vulnerável que a Taylor já lançou, na minha opinião. Eu confesso: eu quase sempre pulo porque me deixa muito angustiada. Ela fala sobre a mãe dela e o câncer. A força de colocar isso no álbum é enorme. A participação das Dixie Chicks é muito simbólica, porque a mãe dela ama a banda. A letra descreve hospital, medo, esperança, e aquela sensação terrível de dizer “vai ficar tudo bem” enquanto, por dentro, você não tem certeza de nada. Tem uma parte em que ela menciona recorrer à Deus — algo comum quando a gente chega no limite. E isso me pega muito: Taylor tem dinheiro, tem acesso aos melhores médicos… e mesmo assim há coisas que fogem completamente do controle. A música é linda, sensível e triste.
🩷Trecho: Holy orange bottles, each night I pray to you. Desperate people find faith, so now I pray to Jesus too.

📀False God: uma das faixas mais diferentes do álbum. Tem saxofone, clima jazzy, e uma atmosfera bem sensual. Ela mistura metáforas de amor e religião, e mostra de novo o talento da Taylor para escrever de um jeito inesperado.
🩷Trecho: I know heaven's a thing, I go there when you touch me. Honey, hell is when I fight with you

📀You Need to Calm Down: uma das músicas mais importantes do disco, e uma das mais relevantes na carreira recente da Taylor. Nos últimos anos ela foi criticada por não se posicionar politicamente. Aqui ela fala do ódio na internet e, principalmente, da intolerância contra pessoas LGBTQIA+. Ela aponta o absurdo disso de um jeito direto e, ao mesmo tempo, meio irônico (“são sete da manhã…”). Também fala sobre essa mania de colocar mulheres artistas umas contra as outras. A mensagem é: dá para todo mundo existir, não precisa competir.
🩷Trecho:  I ain't trying to mess with your self-expression but I've learned the lesson that stressin' and obsessin' 'bout somebody else is no fun


📀Afterglow:
sinceramente, acho que essa poderia ter ficado de fora do álbum. Não me chama muita atenção. A letra é interessante: fala sobre brigas em relacionamento, sobre orgulho, sobre como às vezes é mais importante “ganhar” a discussão do que resolver. Taylor aqui admite “eu errei”. Musicalmente, não é muito memorável para mim.
🩷Trecho: Why'd I have to break what I love so much?

📀ME! (feat. Brendon Urie): eu ainda acho divertida, e gosto do clipe. Mas depois de ouvir o álbum inteiro, ela acaba perdendo um pouco da magia. E permanece a sensação de que a Taylor escolhe como single as faixas que menos se parecem com o restante do álbum. Em todo caso, a mensagem é bonitinha: você é único, especial, ninguém vai existir alguém como você. 
🩷Trecho: Livin' in winter, I am your summer

📀It’s Nice to Have a Friend: eu não entendo muito bem o porquê dessa faixa estar no álbum. Ela conta uma historinha de duas pessoas que se conhecem na escola, crescem, e se casam. É fofinha, e a sonoridade é bem diferente (quase com um clima vintage, meio anos 60). Mas, num álbum tão longo e tão cheio de picos, ela aparece perto do final e traz uma “queda” na energia. Às vezes eu pulo.
🩷Trecho: absolutamente nenhum, pouca coisa se destaca nesta música.

📀Daylight: finalmente a faixa que encerra o álbum! E é uma das melhores, sem dúvidas. A Taylor chegou a dizer em entrevistas que considerou chamar o álbum de Daylight e acho que faria sentido; depois de reputation, que foi tão sombrio, Lover é colorido, alto astral, luminoso. No começo, essa faixa passou um pouco batida para mim, já que o álbum todo era novidade e eu estava mais focada em outras músicas. Mas hoje eu gosto muito dela. Gosto de como ela desacelera, fecha a experiência, e traz uma mensagem madura. O trecho que mais me marca é quando ela fala sobre deixar para trás aquilo que não serve mais, abandonar as sombras e seguir em frente. No final ela diz algo ainda mais forte: que não quer ser definida por medos, obstáculos e problemas… mas sim pelo que ama. Isso é muito bonito. Porque, no mundo de hoje, parece que o ódio ocupa espaço demais. Nas redes sociais, nas notícias, nas conversas. A gente gasta energia com aquilo que detesta, com aquilo que nos irrita. E ela chama atenção para o oposto: o que nos define é justamente aquilo que a gente ama. De certa forma, ela admite que também se deixou levar pelo ódio em momentos anteriores (e, considerando tudo o que ela viveu, é compreensível). Mas aqui ela vira a chave: “agora eu quero ser definida por aquilo que eu amo”. E aí ela lança Lover, um álbum inteiro celebrando isso.
🩷Trecho: You gotta step into the daylight and let it go


🦋Conclusão: valeu a espera?

No geral, eu gostei muito de Lover. Eu acho que é um álbum que a Taylor queria fazer e precisava fazer. Como fã, é muito bom ver que ela está mais leve, romântica, forte e madura depois de tudo o que viveu.

Meu único “porém” é que eu acho um álbum longo. Mas, ao mesmo tempo, eu entendo: ela escreveu as músicas, gosta delas, e quis colocar todas no mundo. Consigo respeitar isso.

De qualquer forma, acho que ainda é cedo para ter opiniões muito definitivas sobre o álbum. Daqui a alguns meses (quem sabe até anos?), talvez eu mude de opinião e acabe amando tudo incondicionalmente. Às vezes o álbum precisa de tempo para ocupar mais espaço no coração da gente.

🦋Faixas favoritas:
TOP 5: acredito que pelo menos essas cinco faixas merecem atenção
  1. Cornelia Street
  2. Miss Americana & The Heartbreak Prince
  3. The Archer
  4. Death by a Thousand Cuts
  5. False God
                                                                                                                                

Este post é parte do desafio: